
Ela Escolheu a Si Mesma
Capítulo 3
O rosto do Tiago iluminou-se.
"Qualquer coisa, mãe? Mesmo a pista de corridas gigante?"
"Mesmo a pista de corridas gigante", confirmei.
Enquanto ele corria pelos corredores, o meu telefone vibrou novamente.
Desta vez, era a minha sogra, a Dona Isabel.
Atendi.
"Sofia! Graças a Deus! O Léo está a tentar ligar-te. O que se passa?" A sua voz era aguda, cheia de ansiedade.
"Estou ocupada, Isabel."
"Ocupada? A Ana está no hospital! Ela teve um ataque de ansiedade terrível, pensou que ia morrer! O Léo teve de a levar à pressa. Ele está tão preocupado."
"Isso é lamentável", disse eu, a minha voz neutra.
Houve um silêncio chocado do outro lado.
"Lamentável? Sofia, é a irmã dele! Ela podia ter morrido! E hoje é o aniversário do colapso dela. Tens alguma compaixão?"
Ah, sim. O aniversário do seu "colapso".
O mesmo dia em que a minha filha morreu.
"Eu tenho compaixão, Isabel. Mas a minha esgotou-se."
"O que é que isso quer dizer? O Léo disse que tu não atendias as chamadas dele. Ele precisava de ti."
"Não, ele precisava que eu ficasse quieta e não o incomodasse enquanto ele cuidava da irmã. Como sempre."
"És a mulher dele! É teu dever apoiá-lo!"
"O meu dever é para com o meu filho. É o aniversário dele hoje. Lembras-te?"
Ela hesitou.
"Claro que me lembro. Mas a Ana..."
"A Ana é uma adulta, Isabel. Eu vou desligar agora. Estou com o meu filho."
Desliguei antes que ela pudesse protestar.
O Tiago voltou, a arrastar uma caixa enorme que era quase do seu tamanho.
"Mãe, é esta!"
Paguei pela pista de corridas, o meu coração um pouco mais leve ao ver a pura alegria no rosto do meu filho.
Era a primeira vez que via essa alegria nele há um ano.
Você pode gostar





