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Capa do romance Ela Aceitou O Contrato De Vingança

Ela Aceitou O Contrato De Vingança

Após sete anos de sacrifício para tornar Iago um astro, Eliza é humilhada e trocada em uma transmissão ao vivo. Traída também pelo pai, que rouba sua herança em favor da meia-irmã, ela se vê no abismo. Surge então o bilionário Artur Ulhoa com uma proposta de união fria. Ao aceitar o contrato, Eliza transforma o casamento em uma arma estratégica. Munida de provas e direitos autorais, ela planeja derrubar o ex e destruir o império familiar.
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Capítulo 2

Eliza De Souza POV:

A voz dele, impregnada de raiva e desdém, era como um balde de lixo despejado sobre mim. A velha Eliza teria recuado, teria tentado acalmá-lo, explicar. Mas a nova Eliza, a que acabara de ser batizada em fogo, apenas sentiu um nó de nojo e desprezo enrolar em meu estômago.

"Sua vida pessoal não é da minha conta, Iago", eu disse, minha voz tão gelada que mal a reconheci. Não lhe dei tempo para responder. "Mas a minha, você precisa saber, não inclui mais você."

Houve um silêncio do outro lado, um silêncio de choque. "Do que você está falando?", ele finalmente gaguejou.

Eu ri. Uma risada curta e amarga. "Estou falando que não sou eu quem está te ligando desesperadamente, implorando por atenção. Estou falando que o mundo, Iago, não gira mais ao seu redor para mim."

E desliguei. Sem mais uma palavra.

Quando foi que perdemos a capacidade de nos comunicar? Talvez quando ele começou a me tratar como um acessório, não como uma pessoa. Talvez quando as promessas se tornaram apenas palavras vazias, e as ações dele gritavam uma história completamente diferente.

Meu apartamento, antes o lar onde construímos tantos sonhos, agora ecoava um vazio ensurdecedor quando eu voltava do trabalho. Iago estava sempre em viagens, shows, festas. Enquanto ele brilhava sob os holofotes, eu ficava até tarde na prancheta, transformando rabiscos em edifícios imponentes. Ele colhia os aplausos; eu, o cansaço.

Ele prometia que voltaria para casa. Sempre prometia. Mas nunca vinha. As datas dos shows, os compromissos de última hora, as reuniões "cruciais" com a gravadora. Todas as vezes, meu coração apertava um pouco mais. A chama, antes tão vibrante, diminuía, até virar uma brasa fria. Eu não percebia, mas cada desculpa era um tijolo a mais no muro que nos separava.

A última vez que o vi, há três meses, eu tinha cortado o cabelo, pintado de um tom mais claro, comprado um vestido novo. Queria surpreendê-lo. Ele chegou apressado para um jantar rápido, entre um voo e outro. "Estou lindo, meu amor?", perguntei, girando. Ele mal me olhou. "Está ótimo, Eliza. Agora coma, tenho que estar no aeroporto em uma hora." Ele nem notou.

"Precisamos conversar", eu disse, sentindo a ponta do iceberg quebrar.

Ele suspirou, impaciente. "Sobre o quê? Eliza, eu estou exausto. O festival está chegando. Não podemos ter dramas agora."

"Não é drama, Iago. É sobre nós."

Ele largou o garfo com um barulho metálico. "Olha, a gente precisa dar um tempo. A assessoria acha que ter uma namorada pode atrapalhar minha imagem de 'solteiro cobiçado' antes do festival. É só por um tempo, tá? Depois que tudo estourar, a gente volta, eu prometo." Ele me ofereceu um sorriso forçado.

Eu ri. Uma risada que me rasgou a alma. "Você está brincando, não está?"

Ele me olhou, irritado. "Qual é, Eliza? Não seja infantil. É só uma estratégia. Você sabe como o show business funciona."

Eu levantei da mesa. "Não, Iago. Eu não sei. E não quero saber. Acabou."

Ele se levantou também, as mãos na cintura. "Acabou? Você está terminando comigo por causa de uma estratégia de marketing? Eliza, você é ridícula!"

Foi quando a assessora dele entrou na sala. "Iago, estamos atrasados. Você tem que ir."

Ele me olhou uma última vez, os olhos estreitos. "Você vai se arrepender disso, Eliza. Ninguém vai te amar como eu te amei." E saiu, deixando-me sozinha na cozinha, com a comida intocada e o gosto amargo da verdade. Nem tempo para discutir até o fim nós tínhamos.

Alguns dias depois, as fotos dele com Stefania começaram a pipocar. Jantares, festas, abraços. "A nova musa do sertanejo", diziam as manchetes. Ele não estava "dando um tempo" por causa da assessoria. Ele estava vivendo outra vida. E eu? Eu era apenas a ex-namorada que ele já havia superado.

Esperei. Três meses. O prazo que dei a mim mesma. Três meses para ele me procurar, para explicar, para se arrepender. Nada. Nem uma mensagem, nem uma ligação. Ele me apagou da vida dele como se eu nunca tivesse existido.

Quando me mudei, tentei devolver as poucas coisas dele que sobraram. Roupas, um violão velho, alguns CDs. Deixei tudo em uma caixa na portaria do prédio dele, com um bilhete pedindo para ele buscar. A caixa ficou lá por uma semana. Ninguém buscou. Ele nem se importava. Eu era, para ele, um objeto esquecido.

E então, bloqueei o número dele de novo.

As redes sociais fervilhavam com o romance de Iago e Stefania. Fotos, vídeos, declarações de amor. O mundo aplaudia o novo casal. Eu não sentia mais nada.

Meu telefone tocou. Era meu pai, Kleber Raposo. Sua voz era dura, como sempre. "Eliza, onde você está? Sabe que horas são? Chegou tarde de novo."

"Estou no escritório, pai. Finalizando o projeto da Torre Sol. A prazo final é amanhã."

"Projeto? Que projeto? Sua irmã, Maísa, está cuidando disso agora. Você deveria estar em casa, preparando as coisas para o casamento. Sua mãe, se estivesse viva, teria vergonha." E desligou, sem me dar tempo de responder.

Cheguei à mansão da família, onde fui criada, mas onde agora me sentia uma estranha. Meu pai estava na sala de estar, bebendo uísque, Maísa ao seu lado, sorrindo. "Está atrasada, Eliza", ele disse, a voz cortante. "Temos notícias para você."

Ele gesticulou para Maísa. "Sua irmã será a nova diretora criativa do projeto da Torre Sol. Ela tem mais visão, mais... modernidade. Você está fora, Eliza. Deixe os projetos para quem sabe." A Torre Sol. Meu projeto. Minha alma.

"Pai, eu desenhei cada milímetro desse projeto", eu disse, minha voz falhando.

"Você é uma arquiteta competente, filha. Mas Maísa tem o toque de influenciadora que o mercado de hoje exige. Ela tem o brilho." Ele me ofereceu um sorriso calculista. "Não se preocupe, você ainda é minha filha. E vamos te dar uma boa parte dos lucros, claro."

Era a mesma oferta que ele fez quando me demitiu da empresa da minha mãe, que ele havia tomado. A mesma promessa vazia.

Lembrei-me de mim mesma, aos 18 anos, gritando com ele, exigindo justiça para minha mãe. "Você não pode fazer isso, pai! É a herança da mamãe!" Ele apenas riu e me arrastou para fora da sala. A porta se fechou. E eu, sozinha, chorei. Agora, eu apenas sorri. Um sorriso amargo.

"Eu entendo, pai", eu disse calmamente. "Mas não quero o seu lucro. Quero o meu. E você, Artur Ulhoa, não está incluído nisso."

Ele me olhou, surpreso. "Artur? O que Artur tem a ver com isso?"

"Tudo", eu disse, e me virei para Maísa, que me olhava com um sorriso vitorioso. "Tudo a ver." Minha voz era um sussurro, mas carregava o peso de uma promessa.

Saí da mansão e peguei meu telefone. Disquei o número de Artur. Ele atendeu no segundo toque. "Artur, meu pai me demitiu", eu disse, sem rodeios. "E me tirou do projeto da Torre Sol. Ele quer dar para minha meia-irmã. Mas eu tenho todas as provas das fraudes dele. E os direitos autorais das músicas de Iago. Quer casar?"

Ele ficou em silêncio por um momento. "Interessante", ele disse, sua voz calma. "Sempre soube que você era uma mulher de negócios, Eliza. Mas não imaginava que fosse tão rápida."

"Estou cansada de ser a segunda opção", eu disse. "E meu pai é seu inimigo, não é? Temos um objetivo em comum."

"Sim, Eliza. Temos. Meus termos são simples. Um casamento de conveniência. Você me ajuda a recuperar o que é meu, eu te ajudo a destruir seu pai e seu ex-namorado. E você será a minha esposa, a mãe dos meus filhos."

E a mãe dos meus filhos. A frase ecoou na minha cabeça. Era um preço alto. Mas o que eu tinha a perder?

"E o que você ganha com isso?", eu perguntei.

"Você", ele respondeu. "E o império do seu pai, claro."

Pensei nos relógios Hermes. Pensei em Iago. Pensei no meu pai. "Feito", eu disse. "Mas minhas condições vêm depois. E você vai se arrepender de ter me subestimado."

Ele riu. "Mal posso esperar, Eliza."

Meu telefone vibrou. Uma mensagem do empresário de Iago. "Eliza, Iago está muito chateado com suas postagens. Ele quer que você as apague. Não estrague a imagem dele. Você sabe o que ele pode fazer."

Uma onda de raiva me varreu. Anos de silêncio, de conformidade, de deixar que eles me pisassem. Chega.

Respondi em voz alta, para que Cecília, que estava por perto, ouvisse. "Diga ao Iago e ao empresário dele que meu casamento é iminente. E que, se ousarem me ameaçar novamente, as músicas que eu escrevi, as provas das fraudes fiscais do meu pai e cada segredo deles virão à tona. Em cinco minutos, dez minutos, vinte minutos. Em tempo real. E então, veremos quem estraga a imagem de quem." Enviei.

Cecília me olhou, os olhos arregalados. Eu apenas sorri.

Meu telefone vibrou novamente. Uma resposta do empresário. "Você está louca, Eliza? Não faça isso! Iago é uma celebridade! Você vai se arrepender!"

Eu ri. "Já me arrependi de muita coisa na vida, mas de agora em diante? Não mais."

E então, abri o Twitter. Digitei. "Querido Iago Ramires, controle a sua equipe. Ou eu controlarei a sua narrativa." E postei.

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