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Capa do romance Dupla obsessão

Dupla obsessão

Rebecca ingressou na polícia pela verdade, mas o fascínio pelo perigo a levou ao submundo de North Weland. Lá, ela cruza o caminho de Jonathan, um vigilante que elimina criminosos para expor um sistema falho. Alvo das autoridades por seus métodos letais, ele vê na jovem detetive uma escuridão idêntica à sua. Entre a manipulação e uma atração enigmática, ambos se envolvem em um jogo de obsessão onde a justiça se confunde com o crime em becos sombrios.
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Capítulo 2

Rebecca

“Mais um copo foi encontrado, desta vez nas docas marítimas da pesca local. A polícia ainda não se pronunciou sobre o novo caso, que agora se soma a uma lista que parece interminável e ainda não foi solucionada. O que conseguimos apurar é que a vítima estava envolvida no sequestro das duas meninas resgatadas há dois meses. ”

O dia estava frio, como sempre. O ritual matinal, hoje, era diferente. Não havia muitos dias quentes em North Weland, o que era particularmente agradável. O noticiário não parava de mostrar o local onde mais um corpo foi deixado pelo apelidado pela população alemã, Buhmann. Isso se deu por conta das primeiras vítimas encontradas nos arredores do pequeno distrito onde vivem as famílias vindas da Alemanha, meio que significa bicho-papão. Muitos o temiam; no entanto, desde que apareceu e espalhou os corpos pela cidade, percebemos que seu padrão era refinado, eu diria. Sete vítimas, todas fazendo parte de uma lista peculiar: homens que viviam do crime ou cometeram algo muito cruel.

A cidade passou a admirar esse novo "juiz". Ele julgava aqueles que não eram punidos pela lei, mas a sua sentença, aos olhos do Buhmann, era a mais alta das punições: a morte. Apesar da boa fama, a lei não permitia fazer justiça com as próprias mãos, então foi criada uma equipe especial para investigar e prender quem quer que ele seja. Acredite, fiz de tudo para entrar para essa equipe. Infelizmente, eles chamaram uma perita de fora. Claro que chamaram. Desde o momento em que entrei pela porta do distrito 13, insistem em não reconhecer o meu valor como perita. Bem, admito ser um pouco irritante e me coloco no lugar de um detetive, mas ninguém consegue fazer o que eu faço, com a rapidez e precisão, que faço o meu trabalho. Egocentrismo? Talvez sim, mas era a verdade. O pior era não poder me inteirar do caso e ter que saber por terceiros.

Irritada, levanto—me da cadeira e desligo a TV. Com tantas mentes brilhantes aqui, foram buscar alguém de fora? Isso beirava ao ridículo. Dentro de mim habita algum tipo de ser curioso que não para de repetir no meu ouvido coisas como; você deveria aproveitar que trabalha no mesmo andar e na mesma sala e dar uma olhada, memorize e saia para caçar esse homem. Meu cérebro era o meu maior inimigo. Chateada demais para discutir, peguei as chaves, a bolsa e saí batendo a porta, forte.

O lugar onde eu morava era calmo, com vizinhos fofoqueiros, pois não seria cidade grande se não houvesse alguém varrendo a varanda só para olhar a vida do próximo. Mesmo com muitas peças de roupas, eu ainda estava com frio. Não era ruim; na verdade, até gostava. Enrolei o cachecol no pescoço e abracei a bolsa ao meu corpo. Como morava próximo do trabalho, ia de ônibus. Andei alguns metros até a parada onde apenas uma senhora de idade também esperava pelo transporte. Cresci nessa cidade. Sempre adorei o frio, era meio melancólico. Depois que minha mãe morreu, fiquei só. Éramos só nós duas. E ela sempre me pedia para arranjar alguém, para que eu não precisasse ficar sozinha depois que ela se fosse. Bem, não rolou.

Voltei a mim quando notei que o ônibus se aproximava. Deixei que a senhora passasse na frente. Assim que as portas se fecharam, o frio diminuiu. Sentei—me perto da janela e observei o caminho enquanto ele fazia o trajeto. Não parei de pensar nesse caçador de assassinos. Quem seria a sua nova vítima? Qual crime cometeu? Por Deus, não devo pensar nele como um herói. Nada pode justificar os seus atos. Certo?

Claro que não; entretanto, me peguei pensando nesse bicho—papão como o cara correto da história. Esse era o meu problema, um que às vezes me botava medo. Há coisas erradas e certas, mas muitas vezes eu optava pela coisa errada. Esse conflito me prendeu por um longo tempo, tanto que quase passei do ponto onde deveria descer.

Bem, não tinha como errar isso. O distrito 13 ficava em um prédio bem grande, com paredes de vidro espelhadas, arquitetura moderna e metálica. Pessoas iam e vinham a cada minuto. Tinha mais ou menos três andares. Era aqui que a equipe tática investigava casos diversos, incluindo o do ceifador.

— Está admirando o prédio, Miller? — Reconheci a voz convencida e brincalhona de Edward sem ao menos olhar em seu rosto. Ele era do tipo irmão mais velho e irritante, que às vezes me dava bronca. — É uma arquitetura linda e única, mas prefiro o lado de dentro.

— Wilson, seus gostos são bem questionáveis. — Respondi à altura. — Até o interior de um banheiro de balada, sujo, é agradável para você. Ele não se ofendeu, na verdade, riu. Trabalhamos juntos há quase três anos. Tempo suficiente para nos apegarmos um ao outro. Sempre nos referimos pelo sobrenome. Edward era um bom detetive. Estava na corporação há quase oito anos e nunca perdeu a graça da vida, apesar de ficar bem sério quando estava em um caso grande como esse. Devo admitir que ele era um homem muito bonito. Tinha ombros largos, barba rala, a pele cor de oliva, e os olhos claros chamavam atenção de todos.

— Tenho que ir. — Falou, dando—se conta do horário. — Aquele filho da mãe acabou de me dar mais um problema. Ed andou até dentro do prédio público, e o seguinte, pois trabalhávamos no mesmo lugar, só não no mesmo caso. Já tive oportunidades de trabalhar com Edward, e ele sempre foi autoritário. Isso até poderia estragar a nossa amizade, mas, por fim, preferi ficar com Mila.

Claro que eu não tinha poder sobre isso, porém, ela mesmo concordou em me ter como sua parceira.

— Eu daria tudo para estar nesse caso. — Confessei-me lamentando. — Não é justo. Estou aqui há quase dois anos e sou boa no que faço. Como não me colocaram nesse caso? Entramos no elevador, junto com outras quatro pessoas.

— Miller, você é boa e eu até gostaria de trabalhar com você, mas… — e eu vou ficar furiosa com ele a partir de agora, por isso a pausa dramática. — Parece até obcecada por esse caso. — Falou mais baixo que pode. — Parece que quer o pegar para si.

— Não viaja, eu só acho interessante. — Expliquei. — Ele parece um serial killer de assassinos, como não se interessar por isso?

— Seus olhos brilham quando fala disso. — Disse apontando para mim. — É assustador!

— Vai se fuder. — Sussurrei. — Eu deveria estar nesse caso.

— Ok, florzinha. — Falou assim que as portas se abriram. — Tenha um bom dia. Observei o meu amigo sair da minha frente com um sorriso no rosto que eu gostaria de tirar com um soco.

***

Buhmann

Eu não queria nada disso. Nem um apelido, nem atenção. O que faço, na verdade, é uma penitência. Mas hoje vejo que o meu trabalho traz bons e maus frutos. O medo é a consequência, porém, não para aqueles que levam as suas vidas de forma correta. Não sou o herói, talvez o vilão. Eu não devia ter esse trabalho sobre as minhas costas. A justiça deveria fazer o seu trabalho, eles deveriam punir sem ver a quem, mas algo nessa cidade, assim como em outras, estava errado.

A punição vem para aqueles que cometem algum crime e são simples ladrões de bairro. Entretanto, os piores e mais afortunados eram tratados como bons olhos. Uma boa quantia livraria as cabeças deles, que voltam para a rua e cometem os mesmos crimes. Eu via isso da primeira fila. Quando questionava, quem era julgado era eu. Então eu me calei.

À espreita e com muita raiva, comecei com isso sem planos para uma lista. O problema era que ela já existia e era o meu dever fazer o meu trabalho, só que de outra forma. Hoje, assisto à TV, vendo a má fama que me deram. A imprensa sensacionalista me chamava de bicho-papão. Ridículo! Eu não matava qualquer um. Os que foram escolhidos tinham uma ficha criminal extensa e eram aqueles que deveriam estar presos, não nas ruas.

Todo esse burburinho me irritava. Agora, até uma equipe especial foi designada para me achar, forçando-me a me esconder e tomar cuidado. Não posso parar agora. Quanto mais medo provocar nos que merecem, menos existirão. Se pensam que irei parar só porque a polícia estava atrás de mim, estão enganados. Até parece uma piada de muito mau gosto. Se querem aprender alguém, que seja os verdadeiros criminosos.

— Senhor, tem alguém que quer ver, mas não tem um horário agendado.

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