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Capa do romance Dreamworld: Corações em Conflito

Dreamworld: Corações em Conflito

Ariane se vê dividida entre a paixão por Luciano, seu gentil chefe, e o retorno de Jonathan, o grande amor que ela tentou esquecer. Após fugir para o interior e abandonar sua vida no Dreamworld, ela busca paz para superar medos e inseguranças. O dilema é cruel: um homem foi deixado para proteger os sentimentos de sua melhor amiga, enquanto o outro surgiu como um refúgio. Agora, Ariane precisa decidir qual caminho seguirá para finalmente acalmar seu coração.
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Capítulo 3

Helena dormia sozinha num quarto e eu dividia o outro com Samantha. Helena tinha o privilégio de ficar com um dos quartos pela sua privacidade com Daniel. Eu e Samantha nos revezávamos quando precisávamos do quarto, sendo assim a outra dormia na sala. Óbvio que eu mais dormia na sala do que no quarto, pois Samantha tinha companhias frequentemente. Eu já tinha 22 anos, era uma mulher decidida, segura de mim, com uma boa profissão na qual eu me realizava. Mas era um pouco conservadora com relação a sexo. Para mim tinha que ter sentimento. Não precisava ser amor, pois no auge da minha idade eu ainda não conhecia este sentimento. E também não tinha pressa. Vendo que nem sempre era um mar de rosas, preferia ficar na defensiva, feliz sem sofrer por alguém. Por este motivo, havia feito amor algumas poucas vezes.

Fui tomar um banho gelado, pois estava suada e depois deitei na minha cama. O quarto que eu dividia com Samantha era pequeno, pois tinha duas camas de casal. Um pequeno armário que dividíamos e o restante de nossas coisas deixávamos no quarto de Helena, que era mais espaçoso. Ainda assim eu gostava da forma como vivíamos. Apaguei a luz e fiquei pensando que depois de amanhã seria domingo, o dia que eu mais gostava da semana. Todos nos reuniríamos na piscina para comer carne assada. Aquele era meu programa preferido do Dreamworld, até mais que as festas. Nos divertíamos, falamos sobre a nossa semana e fazíamos planos.

Pensei em Jonathan. Estava um pouco angustiada com o que Helena havia falado. Nunca reparei os olhares dele para mim, muito menos qualquer tipo de intenção sem ser de amizade. Não poderia negar que eu achava ele lindo. Quem não achava? Eu ficava às vezes admirando as tatuagens dele, que me chamavam a atenção: dragões, pirâmides do Egito e esfinges. Quem tatuava aquilo? Claro que eu também olhava para o corpo dele. Quem não olharia? Ele era forte e não como Therry, que vivia na academia. Parecia que o corpo dele era naturalmente perfeito daquela maneira. Desde que o conheci ele nunca deixou o cabelo crescer, sempre cortando muito curto, quase raspado. Algumas vezes usava barba e outras não. Atualmente estava usando uma barba curta e bem aparada, que lhe dava um ar mais maduro. Nunca conversamos sozinhos ou sobre algo que envolvesse assuntos muito pessoais. Eu sabia quase tudo sobre ele por causa de Samantha e Helena, que era noiva do melhor amigo dele. Ainda assim nunca fui muito interessada em saber mais sobre aquele homem, exceto agora que ele fazia minha amiga sofrer. De alguma forma eu estava abalada com o que Helena me falou sobre ele estar possivelmente interessado em mim. Ela deixara bem claro que era uma desconfiança dela, mas isso me deixava com um sentimento estranho por dentro... E não era bom.

Desliguei a luz e tentei dormir, mas não conseguia. Já era mais de meia noite quando Samantha chegou. Ela ligou a luz e mesmo que não ligasse eu sentiria o perfume forte dela no quarto. Olhei-a tirando o sapato de salto tentando não fazer barulho. Ela usava um vestido vermelho curto, decotado e justo. Ficava lindo no corpo perfeito dela, mas eu jamais usaria algo parecido.

- Ari, acordei você?

- Está tudo bem. Eu não estava dormindo ainda.

- Tentei não fazer barulho, eu juro.

Ela tirou o vestido e colocou um pijama. Estava com a maquiagem um pouco borrada, mas não dava para identificar se havia chorado.

- Tudo bem? – perguntei sentando na cama.

- Como sempre. – disse ela suspirando e deitando.

Olhei para ela, tão linda, mesmo com maquiagem borrada e pijama. Pensei em como algum homem poderia recusá-la? O que restava a mim, uma mulher absolutamente normal?

- Como estava o bar? – perguntei, puxando assunto novamente.

- As mesmas pessoas de sempre... Nada muda por lá. Você deveria um dia destes comigo.

- Eu já fui uma vez com Therry. Não gostei muito.

Ela riu:

- Você tem classe, Ari. Não sei se tem mesmo jeito para bar. Você é daquelas mulheres que merece ser levada num restaurante caro, com um carro tilintando de novo, servida de pratos requintados. E tudo isso com um homem lindo e perfeito usando terno e talvez uma gravata.

Eu não pude evitar a risada alta:

- É isso que você pensa de mim? Como eu queria ser fina e requintada... Logo eu, que como de almoço sanduíche de ontem na padaria e refrigerante em lata, com um monte de homens que falam o tempo todo e nunca sequer notaram a minha presença ou me ofereceram uma cadeira para sentar, só para não comer de pé no balcão.

- Você faz isso porque quer. Sabe que tem condições de ter muito mais, inclusive no seu almoço. Você só precisa de uma roupa mais... Atraente. Aposto que todos os lugares na padaria seriam oferecidos para você.

- Quer que eu faça testes psicológicos em pessoas que serão admitidas numa empresa usando um vestido atraente? Não acho que funcionaria.

Nós duas rimos. Eu entendia o que ela queria dizer, mas estava me fazendo de tonta.

- Eu só quis dizer que somos tão diferentes... Ainda assim tão amigas. Eu sou uma mulher impulsiva, admito. Não me importo com o que pensam de mim ou reputação, entende? Sou insegura, chorona e vivo o momento... Não me importo com o que vai acontecer amanhã, porque amanhã pode não chegar.

- Eu sei como você é, Samantha. E eu acho você perfeita deste jeito, embora sejamos diferentes. É isso que é legal nas pessoas, podermos ser uma diferente da outra e ainda assim nos encontramos e dividirmos nossa vida.

- Não sou boa nem com os homens...

- Está falando do Jonathan? Como foi hoje com ele?

- Como sempre. Jonathan está cada vez mais distante de mim e eu não consigo fazer nada para evitar, Ari. Sinto-o escapando por entre os meus dedos.

- Não acha que já chega de correr atrás dele, Samantha?

- Já pensei em desistir, mas não consigo. Eu amo aquele homem.

- Ele não merece o seu amor.

- Também sei disto, Ari. Ele é egoísta, me traiu e ainda assim eu amo ele da mesma forma. Ele é inteligente, ele já viajou por vários lugares, ele fala várias línguas, ele frequentou lugares que eu jamais vou pisar os meus pés algum dia e ele nunca nem me convidou para acompanhá-lo.

- Ele frequenta o mesmo bar que você. Então ele não é tão diferente assim. Vocês moram no mesmo condomínio também. – observei para que ela não se sentisse tão inferior a ele.

- A forma como você fala parece que eu vou num boteco qualquer. – disse ela rindo e fingindo estar ofendida.

- Eu não quis dizer isso.

- Eu sei, Ari... Eu sei. Mas ele não costuma ir muito lá. Eu sou uma frequentadora mais assídua, por assim dizer. Hoje foi horrível ver ele com a Mari.

- Com a Mari? Nossa vizinha? – perguntei surpresa.

- Não estavam juntos tipo ficando, entende? Só tomavam uma bebida e conversavam. Mas ela não consegue esconder o interesse por ele. Estava lá, toda derretida... Nem notou minha presença eu acho.

- Mari não vence você numa disputa por beleza. – tentei alegrar ela um pouco.

- Como se para Jonathan isso importasse. Ele nunca foi de ligar para a aparência das pessoas. Ele consegue captar o que as pessoas tem por dentro... Ele é tão perfeito. E eu não consegui impressioná-lo nem com o que eu tenho por dentro nem por fora.

- Samantha, se você sente tudo isso por ele, por que terminou o namoro? – perguntei confusa.

- Eu me faço esta pergunta todos os dias.

- Não consigo entender.

- Ele me traiu com outra mulher. Eu vi. Ninguém me contou, então não tinha nem chance de ser uma mentira. Eu fiquei louca de ciúme. E com medo de todos saberem que eu havia sido feita de boba por ele. Meu orgulho falou mais alto.

- Eu não concordo com a traição dele, de forma alguma, Samantha. Mas ao mesmo tempo se você quisesse perdoar, teria que ter feito isso. Não pode se importar com o que os outros pensariam.

- Eu sei disto. Eu tentei consertar as coisas, mas já era tarde. Jonathan não queria mais nada comigo... Eu nem sei se algum dia ele realmente quis. – confessou ela.

- Acho que no fim tudo aconteceu como deveria ser...

- Não... Eu era pra ter aceitado a traição. Eu prefiro um pouco dele do que nada. Ver ele sem ser meu me deixa louca.

- E seu amor próprio? – perguntei perplexa.

- E desde quando eu tive, Ari? Não me importo com isso. Quando eu quero um homem eu consigo, eu vou até o fim. Mas nunca foi tão difícil conquistar alguém como aconteceu com Jonathan. De início ele resistiu ao meu charme. Então eu fiquei ainda mais animada. Parecia uma adolescente. Depois estar com ele era magnífico. Ele é um homem que chama a atenção por onde passa... E ele era meu. Ou ao menos eu pensava que era... Pois acho que ele era de todas as mulheres que quisessem. Com o tempo eu fui me apaixonando de verdade por ele, mesmo sabendo que ele não queria se envolver seriamente.

- Samantha, será que você não está mais obsecada do que apaixonada? – perguntei seriamente.

- Não... É amor. Você não sabe o que são aqueles braços te envolvendo, a boca te beijando... Eu vou conquistá-lo novamente, custe o que custar.

- Espero que consiga. – falei para dar um ponto final na conversa.

- Obrigada por me ouvir, Ari. Boa noite.

- Boa noite, Samantha.

Eu fechei os olhos e fiquei pensando nas palavras dela sobre os braços dele envolvendo e a boca beijando. Pensei nos lábios dele. Não, eu não sabia o que era os braços dele nem a boca... E nem queria. Nem sabia por que estava pensando naquilo. Eu nem podia pensar naquele homem. Acho que eu estava assim porque me abalei com o que ele estava fazendo com a minha amiga. Jamais eu teria coragem de me envolver com um homem como Jonathan. Muito menos aceitar a traição e depois correr atrás, como se nada tivesse acontecido. Mas quem era eu para criticar Samantha ou a relação dela com Jonathan? Eu namorava um homem e não sentia nada por ele e ainda assim tinha um pouco de receio em terminar e deixá-lo magoado. Eu, a amiga conselheira que não sabia resolver sua própria vida.

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