
Dono do mundo - Irmãos Dvorak - Livro I
Capítulo 3
Gael Dvorak
Depois que Matteo saiu do elevador no penúltimo andar, segui até o último, onde ficava o meu escritório. Fiz questão que cada um de nós ocupássemos um andar inteiro para mostrar status, mesmo que sobrasse espaço que poderia ser melhor distribuídos. O meu, é claro que ficou definido como o último. Eu queria estar no topo e merecia por ser o que mais trabalhava entre meus irmãos. Eles nem se atreviam a questionar.
— Bom dia, senhora Carter! — cumprimentei a minha secretária enquanto andava para a minha sala. — Por favor, avise que teremos uma reunião com o setor de design após o almoço. Falaremos sobre o próximo lançamento.
— Sim, senhor Dvorak.
A senhora Carter era o exemplo contrário de uma secretária atraente, mas não lhe faltava eficiência. Fiz questão de contratar alguém casada e com mais de cinquenta anos, assim poderia controlar minha libido. Como a secretária é quase uma esposa, ter uma gostosa poderia me deixar em maus lençóis. Confesso que adoro transar, de tal forma que chega a ser perigoso. E eu tinha uma regra ‘nunca me envolver com funcionários da Dvorak que reportam a mim”.
Li alguns contratos marcando algumas cláusulas para discutir com o meu advogado. Na hora do almoço desci para o restaurante da empresa. Fiz questão de adaptar a empresa com um restaurante para deixar mais prático e menos custoso para todos. Era servido café da manhã e almoço, além de disponibilizar lanche e café em qualquer horário. A nossa empresa pensava no bem-estar dos funcionários sempre, e era por isso que nossos processos seletivos viviam cheios e mal havia demissões. Todos queriam uma chance de trabalhar na Dvorak e quem conseguia não largava o osso.
***
Quando cheguei na sala de reuniões, todos os responsáveis pelo setor de design estavam sentados em suas posições, inclusive os dois novatos. Um rapaz e uma moça. E que moça! Tive que me esforçar para não desviar o olhar para ela mais que o necessário. Ela nem era a mulher mais linda que já conheci, mas havia algo que me puxava em sua direção, como um imã. Talvez fosse seus expressivos olhos castanhos que tinham um brilho que me fazia pensar em pureza e perdição. E quando eu penso em perdição significa me perder em pura luxúria.
Nota: transar com a funcionária nova. Agendei na minha mente. Na hora nem lembrei se ela se encaixava ou não nas minhas regras.
Falamos sobre o novo batom. Era um produto de longa duração e a prova d’agua. A embalagem seria em forma de uma flor em botão. Durante a reunião, chamei algumas pessoas do marketing para passar detalhes dos anúncios e propagandas.
Terminei a reunião e decidi ir para casa em busca de não pensar muito na nova tentação do lugar. Precisava estudar a nova funcionária antes de agir. O objetivo era conquistá-la, não ir com sede ao pote e ser processado. Nunca tive dificuldade em ter qualquer mulher que quisesse, porém isso não me deixou descuidado. Tinha que pensar no nome Dvorak antes de qualquer par de pernas abertas. Uma parte minha dizia que era um caminho perigoso, enquanto outra parte dizia que era o chefe dela que reportava a mim não ela. E ainda tinha a maior parte que não dizia nada, só fantasiava diferentes formas de estar dentro dela.
Ao chegar em casa encontrei minha mãe passeando pelo jardim com meu pai. Fazia algum tempo que ele não tinha crises graves. Na verdade, raramente as tinha. O encarei e vi o quanto se parecia com Apollo. Apesar de sermos trigêmeos, somos fisicamente diferentes. Todos nós temos cabelos pretos, olhos de um cinza diferenciado e acaba ai as semelhanças. Apesar de sermos altos, Matteo é o mais alto dos três com seus dois metros, depois vem eu com meus 1,95 e Apollo com seus 1,88. Detesto pelo e trato de me barbear todos os dias, além de depilar áreas que também prefiro lisinhas — elas também gostam. Matteo tem pelos pelo corpo e em alguns momentos fica parecendo um viking com sua barba, nem sempre. Agora Apollo vive com uma barba cerrada e uma expressão de moleque vagabundo. Outra coisa que gostamos bastante é de cuidar do nosso corpo, eu correndo, Apollo com suas aventuras e Matteo com seus treinos na academia que montou em sua casa. Éramos diferentes como qualquer irmãos.
— Olá, meu filho. Como foi com os novos funcionários? — meu pai perguntou ao me ver saindo do carro e deixando para o motorista terminar de estacionar. Aquela expressão de moleque de Apollo se fez presente com o seu sorriso. Nem os cabelos grisalhos tiravam sua expressão de garoto travesso.
— Excelente. Pessoas muito competentes pelo que pude analisar — respondi e logo perguntei. — E como vocês estão, meu casal favorito?
— Entediados. — Meu pai respondeu sorrindo. — Estou tentando fazer sua mãe sair dessa casa, mas ela fica me mantendo prisioneiro.
— Então tenho a solução. Vamos jantar fora e depois fazer algo que a mamãe não pode saber. — Pisquei para ele.
— Gael! — minha mãe começou a tentar negar.
— Mãe, quero levar a senhora a um restaurante incrível. Não aceito não como resposta.
Abracei a minha mãe guiando-a pelo jardim. Ela acabou aceitando e a noite foi incrível. Família realmente é um bálsamo.
***
No dia seguinte à reunião, passei novamente pelo setor de design. E no outro e no outro. Já tinha a ficha da novata. Seu nome era Dominique Rodrigues e pelas fofocas, ela não tinha namorado. Era só o que eu precisava saber.
Eu não resisti quando me entregaram o novo batom na embalagem experimental.
Olhei o objeto sob a minha mesa enquanto pegava o telefone e discava o ramal do setor de design.
— Fred, mande a novata até a minha sala — ordenei.
— Sim senhor — ele não questionou o motivo.
Em menos de cinco minutos, a senhora Carter bateu na porta anunciando a chegada de Dominique.
Como ela conseguia ficar cada dia mais linda?
— Entre e sente-se, por favor! — disse a uma Dominique de expressão profissional.
— Com licença — ela disse ao se sentar. Sua voz é macia e seu cabelo preto e ondulado estava preso em um coque que eu desejei desfazer enquanto beijava seus lábios convidativos.
— Quero que experimente esse batom. — Apontei o objeto sobre a mesa. — Quero ver no público de verdade.
Ela estendeu a mão para pegar o batom, mas fui mais rápido. Peguei o objeto e me sentei na mesa.
Ela me olhou estranhando a minha atitude. Sua sobrancelha arqueada a deixava ainda mais bela.
Foi mais forte que eu. Simplesmente abri o batom e segurei o seu queixo. Ela fechou os olhos, como se adivinhasse minhas intenções, e quase cedi a vontade de provar dos seus lábios. Pela forma como respirava, senti que a afetava tanto quanto ela me afetava. Dominique era um perigo para mim. Nunca me envolvi com nenhuma funcionária da empresa — mesmo que minha regra só inclua quem reporta a mim —, mas ela me parecia um ótimo motivo para enfrentar um processo de assédio ou uma chantagem. Esse pensamento me fez lembrar de Guilhermina, com a qual transei algumas vezes, mas isso foi antes que ela começasse a trabalhar na empresa, quando eu era jovem e curioso. A contratação foi a desculpa perfeita para dar um basta na relação. Ela sempre foi linda e gostosa na cama, mas não passava de sexo. Ainda assim, vez ou outra tenho que recusar seus avanços.
Aproveitei cada milésimo de segundo enquanto passava o batom nos lábios de Dominique. Pude sentir um pouco da sua pele macia enquanto a segurava pelo queixo e cheguei a sentir uma corrente elétrica passando por todo meu corpo quando contornei seus lábios com o polegar, em busca de imperfeições.
Quando ela abriu os olhos, comentei:
— Essa cor ficou incrível em você.
Ela abriu a boca para responder, mas a fechou novamente. E ao fechar, mordeu o lábio inferior distraidamente. Já a vi fazendo isso em vários momentos. Suspeito que era um movimento involuntário quando estava nervosa.
Para não deixá-la ainda mais desconfortável, completei:
— Obrigado por me ajudar a fazer esse teste. Gosto de ver como os produtos ficam de perto. A chamei para que você conheça um pouco mais sobre como trabalho é feito.
— Foi um prazer ajudar — sua voz saiu baixa.
— Leve esse kit e faça um teste em suas amigas. Gostaria de saber algumas opiniões — eu já tinha feito experimentos em várias modelos, mas não importava. Queria saber a opinião dela.
Ela pegou o kit.
— Claro, senhor Dvorak. Para quando o senhor deseja?
— Próxima segunda, por favor. — Voltei para minha cadeira e sentei. — Pode ir. Segunda feira entro em contato para saber o resultado. — A dispensei. Ela era muito atraente. Se ficasse mais tempo com ela poderia fazer alguma besteira. Algo como um assédio total. Passar o batom na sua boca poderia ser justificado que eu estava seguindo os passos do comercial de lançamento, que era muito parecido com o que fiz, mas se ela continuasse diante de mim, nada justificaria meus próximos atos.
Ela se foi, deixando a sala mais fria que de costume.
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