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Capa do romance Donna

Donna

Donna Amorielle cresceu na Itália, protegida pelo legado de seu pai, Don Vittorio, e pela força de sua mãe, Ellis. Aos 25 anos, ela rejeita o papel de mera peça na máfia e exige retornar aos Estados Unidos para buscar autonomia. No entanto, o passado dos pais ressurge em solo americano, trazendo inimigos perigosos e dívidas antigas. Entre a lealdade familiar e o desejo de liberdade, Donna deve decidir se honrará o nome Amorielle ou se destruirá tudo para criar seu próprio destino.
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Capítulo 2

O céu sobre o deserto de Gorafe tingia-se de âmbar e carmim conforme o sol mergulhava no horizonte seco. A paisagem árida reverberava o calor acumulado do dia, mesmo com a brisa noturna já se insinuando sobre as rochas. Ali, isolada de tudo, uma casa envidraçada parecia brotar da terra como uma miragem — moderna, fria, feita de ângulos agudos e promessas silenciosas. Cada parede de vidro refletia a vastidão do deserto e escondia seus segredos atrás do brilho.

Dentro da casa, Pietro Ferrara agitava a coqueteleira com precisão. Seus olhos, escuros como vinho envelhecido, estavam fixos na pista de pouso ao lado da piscina — uma faixa circular de concreto marcada por luzes embutidas no chão. Ele usava uma camisa branca com os botões abertos até o peito, e as mangas enroladas deixavam à mostra os antebraços definidos. As pedras de gelo tilintaram contra o copo, e ele sorriu.

Era o tipo de lugar onde ninguém vinha por acaso. Ali não se faziam perguntas — se enterravam respostas.

O som das hélices começou a vibrar na atmosfera como um trovão contido. Pietro finalizou os dois drinques com raspas de limão e saiu, atravessando a porta deslizante para a área externa, onde o vento jogava areia dourada contra os vidros. O helicóptero desceu num rugido abafado, o ar girando em redemoinhos quentes. Quando o piloto abriu a porta de trás, Pietro viu a silhueta da mulher que esperava.

Ela desceu com leveza, como se o salto fino não tocasse o chão. O vestido preto fluía ao redor de suas coxas bronzeadas, marcando com perfeição o desenho da cintura e abrindo-se e terminava estrategicamente, revelando a curva generosa de suas nádegas. Seus cabelos loiros caíam em ondas largas até o meio das costas. Ela ajeitou a bolsa no ombro, os olhos escondidos por óculos escuros, e desceu com uma elegância felina. Não precisava tentar. Ela já sabia o efeito que causava.

Pietro estendeu o drinque.

— Bem-vinda ao refúgio — disse com um meio sorriso.

Ela tirou os óculos, revelando olhos verdes que brilhavam com malícia, e pegou o copo, roçando os dedos nos dele.

— Obrigada — respondeu, o sorriso insinuante.

Pietro deu um passo mais perto, o calor do deserto subindo pelo seu corpo.

— Tenho certeza de que vamos aproveitar muito este lugar.

O piloto pigarreou.

— Que horas devo retornar?

Pietro olhou para a loira, um canto da boca se erguendo.

— E então?

Ela deu um passo à frente, fitando o helicóptero com desdém e depois voltando os olhos para Pietro, cheios de provocação.

— O quanto você puder pagar.

Pietro riu, um som baixo e predatório, e virou-se para o piloto.

— Quatro horas.

Ela ergueu uma sobrancelha.

— Audacioso — murmurou, tomando um gole do drinque.

O piloto assentiu e retornou à aeronave. Quando o helicóptero decolou novamente, o vento soprou contra os dois, fazendo o vestido da loira ondular e revelar ainda mais. Pietro passou o braço pela cintura dela e a puxou, beijando-a com uma fome latente, mais exigente do que carinhoso.

Ela aceitou o beijo com olhos fechados, entregando-se ao jogo, e não se moveu quando a mão dele deslizou para dentro do vestido, traçando a pele macia, e ele sentiu o corpo dela ceder sob seu toque. Cego de desejo, agarrou sua bunda com força, um aperto bruto que fez a loira soltar um gemido abafado. Ela fechou os olhos, inclinando-se contra ele, enquanto ele explorava, as mãos rudes, como se quisesse marcá-la.

Então o celular vibrou em seu bolso. Pietro suspirou, encostando os lábios no ouvido da mulher.

— Espera por mim lá dentro.

Ela o beijou, mordendo seu lábio inferior com força o suficiente para deixar um aviso, e caminhou em direção à casa, o quadril balançando em um convite silencioso. Ele a observou até ela desaparecer por trás do vidro. Só então olhou o visor do telefone.

"Giulia"

A última pessoa em que pensava. A última pessoa que deveria estar na sua cabeça.

Atendeu.

— Já chegou? — perguntou a voz da mulher do outro lado, com um tom doce demais para aquele lugar.

Pietro limpou a garganta.

— Já. Estou no ponto de encontro. Só esperando os outros.

— Você não avisou nada… — a voz carregava uma ponta de mágoa. — Eu já estou com saudades.

Pietro respirou fundo.

— Vai ser rápido. Logo estarei aí, com uma surpresa.

— Mesmo assim… estou com saudades.

— Devem ser os hormônios — murmurou, tentando manter o tom leve. — E o nosso meninão?

— Se mexendo — respondeu Giulia com um sorriso audível. — Acho que está sentindo falta do pai.

Pietro fechou os olhos por um segundo. A imagem da barriga dela piscou como uma lâmpada fraca na sua consciência. Depois, sumiu.

— Eu volto segunda. Fica tranquila.

— Estou tentando.

Ele olhou em direção à casa de vidro. Sua pele já ardia de tesão.

— Preciso desligar.

Desligou antes de ouvir o adeus.

Dentro da casa, a loira explorava os ambientes como uma pantera solta no meio de um museu. Cada passo deixava um rastro de perfume e tensão. A cozinha aberta brilhava em aço e mármore. Sofás brancos como ossos, uma TV tão grande quanto uma parede. Ela observou as câmeras, discretas mas presentes, como olhos silenciosos.

Deixou a bolsa e o drinque sobre a mesa de vidro e seguiu adiante, passando pelos quartos — todos modernos, frios, impessoais. Quando chegou à suíte master, parou. Uma única câmera ali dentro, voltada diretamente para a cama com lençóis cinza escuro. Sorriu de canto e se deitou lentamente, os olhos fixos no ponto onde sabia que a lente a observava.

Quando Pietro entrou, parou na porta.

— Pensei que tivesse perdido minha acompanhante — disse, com um tom de falsa surpresa.

Ela deu dois tapinhas na cama.

— Ainda não, mas você está atrasado.

Pietro aproximou-se, deslizando o corpo sobre o dela, o cheiro da bebida ainda fresco em sua respiração. Beijou-a de novo, e então a puxou da cama num movimento firme, guiando-a até a parede de vidro. Lá fora, o deserto parecia assistir em silêncio.

Ela apoiou as mãos contra o vidro frio. Pietro a forçou a se curvar, a bunda empinada em uma oferta que o deixou sem ar. Suas mãos esmagavam a carne alva, memorizando cada curva, cada pedaço dela. Ele se ajoelhou, a cabeça entre suas pernas, a língua explorando seu sexo com uma fome voraz, chupando e lambendo até que os gemidos dela encheram o quarto. Ela estava molhada, pronta, e Pietro se levantou, o pênis pulsando, pronto para possuí-la ali, contra o vidro. Ele se aproximou por trás, as mãos deslizando com avidez, como se mapeasse território. Um sussurro, um gemido contido, e então — o barulho.

Uma batida seca.

Vinda da frente da casa.

Os dois congelaram. Ela virou o rosto, os olhos perguntando o que ele não soube responder.

— Você convidou mais alguém?

Pietro franziu o cenho, recobrando o autocontrole.

— Não… que eu me lembre.

Vestiu a camisa, ainda desabotoada, e saiu com passos rápidos, os sentidos em alerta. O som era real. Não era o vento. Não era o helicóptero. Era alguém. Ou algo.

Ele caminhou para a sala, enquanto ela se recompunha, o vestido caindo de volta no lugar. Ao chegar à sala, Pietro parou, o coração disparando. Dois homens estavam lá, vestidos com roupas de caçador, rifles nas mãos, o olhar frio e profissional.

— O que estão fazendo aqui? — perguntou, a voz tensa.

A loira apareceu atrás dele, o nervosismo evidente em sua postura.

— Quem são eles? — perguntou, a voz tremendo.

Um dos homens, o mais encorpado, deu um passo à frente, o rifle ainda apontado para o chão, mas a ameaça era clara.

— Surpresa... — disse, a voz calma, quase amigável.

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