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Capa do romance Doce prisão

Doce prisão

Hyun, herdeiro de um império em Seul, vive sob o controle rígido do pai em uma realidade de luxo sufocante. Ao retornar à Coreia, ele busca reencontrar Bella, sua amiga de infância e grande amor. Contudo, uma nota anônima revela segredos sombrios de sua família, transformando seu futuro em um dilema. Entre paixão e traições, Hyun deve escolher entre a herança e a liberdade, enquanto luta para proteger Bella de um passado que ameaça destruir a ambos.
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Capítulo 2

Depois de algumas horas, eu já estava dentro do carro, um Bentley que, além de ser extremamente luxuoso, atraía atenção por onde passava. Eu não precisava de mais atenção desnecessária, mas o que eu podia fazer? Era a vida que eu levava, como herdeiro de uma das empresas mais importantes de Seul e do mundo.

- Tem certeza disso? Você realmente quer fazer o seu último ano nessa escola de novo? Eu sei que é uma das melhores escolas, mas você não precisa voltar. – Jorge disse em um tom baixo, olhando para mim com um ar preocupado.

Ele era um dos melhores mordomos que eu já tive e realmente cuidava de mim. Lentamente, virei meu olhar para o portão da escola, que estava fechado. Todos já deviam estar em aula. Meus lábios me trouxeram de volta dos pensamentos quando percebi que estavam machucados de tanto nervosismo.

- Eu vou, sim. Não se preocupe, vou me comportar dessa vez. Só vou entrar e estudar. Mais tarde, quando o carro vier me buscar, conversaremos mais, Jorge. Tenha uma ótima tarde, senhor. – Falei com autoridade na voz. Saí do carro, percebendo que o lugar não estava tão vazio. Os seguranças estavam inspecionando os portões, o que me parecia uma atenção desnecessária, mas eu já tinha sido quase sequestrado várias vezes.

- Bem-vindo de volta, meu aluno favorito. Estou tão feliz que você decidiu retornar. Venha, eu mesma te levarei até sua sala de aula. – Disse a mulher alta ao meu lado. Quando virei os olhos para encontrá-la, percebi que era a Diretora Aline.

 - É bom estar de volta, Diretora Aline. O tempo foi gentil com você. – Disse em um tom educado, enquanto um leve sorriso se formava nos meus lábios.

 Aline era uma mulher loira, de pele clara e olhos tão azuis quanto o céu, e devia ter por volta de 1,76 m de altura. Ela havia sido modelo quando era mais jovem, mas assim que se formou na faculdade, tornou-se diretora da escola. Como a escola era prestigiada e uma das mais caras da Coreia, eu acreditava que ela ganhava muito bem.

- O tempo também foi bom para você! Uau, como você cresceu! E esse corpo? Minha nossa! - Ela sorriu. - Mas agora vamos, me conte tudo no caminho. Sua aula já começou. - Disse Aline, me puxando pelo braço. Eu não resisti, apenas caminhei com ela pela escola, segurando firmemente minha bolsa da Hermes, observando alguns alunos chocados com minha presença. Obviamente, eles estavam surpresos por eu ter voltado.

Não deveriam ficar tão surpresos com a simples presença de um herdeiro andando por aí. Eu já tinha cerca de 1,79 m ou 1,80 m de altura. Minha pele estava levemente bronzeada pelo sol que peguei enquanto surfava no exterior, mas ainda parecia muito clara para muitos. Meu cabelo era longo, mas não chegava aos ombros. Liso e preto, combinava com meus olhos castanhos em formato amendoado, como os de qualquer outro coreano. Sobre a camisa, eu tinha tatuagens escondidas, e meu corpo era totalmente musculoso, resultado de anos na academia. Os olhares direcionados a mim não me surpreendiam, afinal, eu era realmente muito apresentável.

- Droga. – Murmurei com um pequeno gesto dos lábios, sem realmente emitir som algum. Meu coração estava acelerado. Eu não sabia quando veria Bella novamente ou como ela reagiria. Esperava que ela não se sentisse desconfortável ao me ver.

- Esta é a sua sala de aula. – Disse Aline, sorrindo de orelha a orelha. Respirei fundo e fiz uma pequena reverência para ela.

 - Obrigado, senhora diretora. – Quando levantei o olhar, Aline já havia desaparecido, e a porta estava aberta. Que estranho. Entrei lentamente na sala, que estava fresca por causa do ar-condicionado. Vi o rosto do professor Henry, que parecia muito animado com a minha presença.

- Eu não acredito, Hyun! Graças a Deus você voltou! – Ele disse, me puxando para um abraço. Meus olhos se arregalaram, e eu permiti o abraço, mas logo me afastei. Que situação constrangedora.

Assim que me desvencilhei do professor, ouvi sussurros pela sala. Todos estavam felizes, chocados ou surpresos com o quanto eu estava diferente, mais alto e, aparentemente, mais bonito. Lentamente, meus olhos percorreram a turma, composta por exatamente 40 pessoas, bem, agora 41, comigo incluído. Mas então eu a vi. Era Bella, minha melhor amiga. Ela me olhava com um semblante de choque. Senti-me paralisado, incapaz de mover minhas pernas. Meu rosto permaneceu neutro, apenas a observando, como se o mundo inteiro tivesse parado para que pudéssemos nos encarar.

- Bella! Eu te encontrei. Eu prometi que voltaria – Murmurei para mim mesmo, quase inaudivelmente, com os olhos brilhando. Lá estava Bella, sentada junto à janela. Ela parecia a mesma, e ao mesmo tempo, completamente diferente. Seu cabelo estava um pouco mais longo, de um vermelho intenso como chamas, e o olhar que eu tanto lembrava agora parecia mais maduro, mais distante. Ela estava tão linda, e com o tempo, se tornara ainda mais encantadora.

Sua pele, pálida como a neve, e seus olhos castanhos claros, quase verdes, a faziam parecer etérea. Meu coração disparou, como se quisesse saltar do meu peito e correr até ela antes que eu pudesse sequer pensar. Sem pensar muito, atravessei a sala. Cada passo parecia pesado, a tensão entre nós era palpável, mesmo que Bella ainda não tivesse levantado os olhos.

Quando me aproximei, meu corpo agiu por impulso, como sempre. Puxei a cadeira ao lado dela e me sentei, sem aviso. O som da cadeira arrastando pelo chão a fez congelar, e o tempo parecia ter parado. Nossos olhos se encontraram, e por um momento, tudo ao nosso redor desapareceu. O choque nos olhos de Bella refletia exatamente o que eu sentia. Era como se o mundo tivesse parado de girar, como se os cinco anos tivessem evaporado, deixando apenas nós dois ali, presos naquele instante.

- Hyun?. – Ela murmurou, sem acreditar no que via. Meu nome escapou de seus lábios quase em silêncio, como um segredo esquecido. Sorri levemente, tentando mascarar a intensidade das minhas emoções, mas a verdade estava ali, clara como o dia.

- Bella. – Respondi, minha voz rouca com o nervosismo que raramente sentia.

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