
Do Zero à Recomeço: A Jornada de Leo
Capítulo 3
Assim que entrámos em casa, a Inês agarrou-se a mim.
"Leo, temos de fazer outro teste. Este está errado. Eu juro, eu só estive contigo."
Eu afastei-a suavemente.
"Inês, para de mentir."
Fui para o nosso quarto e comecei a fazer as minhas malas. Tirei uma mala do armário e comecei a dobrar as minhas roupas, uma a uma.
Ela seguiu-me, o pânico a crescer nos seus olhos.
"O que estás a fazer? Não podes ir embora. Nós temos um filho."
"Tu tens um filho," corrigi eu, sem olhar para ela. "Eu não."
Continuei a fazer as malas. Cada camisa, cada par de calças, era mais um passo para longe da vida que eu pensava ter.
"Eu amo-te, Leo. Por favor, não faças isto."
"Amor?" Virei-me para encará-la, a minha voz finalmente a quebrar-se com o peso da minha dor. "Se me amasses, não terias feito isto."
Ela começou a chorar, soluços altos que enchiam o silêncio do quarto.
"Foi um erro. Apenas uma vez."
Finalmente, a confissão.
Senti um peso a sair dos meus ombros, substituído por uma clareza fria.
"Quem?" perguntei eu.
Ela hesitou, as suas lágrimas a escorrerem pelo seu rosto.
"Não importa. Foi há muito tempo. Eu estava bêbada. Eu nem me lembro bem."
"Não importa?" repeti eu. "Inês, eu criei o filho de outro homem durante três meses. Eu amei-o. Eu mudei as fraldas dele. Eu acordei a meio da noite. E dizes que não importa?"
Fechei a mala com um clique alto e final.
"Eu vou ficar num hotel. O meu advogado vai entrar em contacto contigo sobre o divórcio."
"Divórcio?" A palavra pareceu atingi-la como um golpe físico. "Não, Leo. Não te podes divorciar de mim. Eu não tenho nada."
"Isso já não é problema meu," disse eu, caminhando em direção à porta.
Ela correu e bloqueou o meu caminho.
"Por favor. Pensa no que passámos. Pensa em todos os nossos planos."
"Os nossos planos eram baseados numa mentira," disse eu, a minha voz dura. "Sai da minha frente, Inês."
Ela não se mexeu, o seu corpo a tremer.
"Eu não te vou deixar ir."
O meu telemóvel tocou novamente. Era a minha mãe. Ignorei a chamada. Eu não conseguia falar com ela agora. Não conseguia ouvir a sua pena ou o seu "eu avisei-te".
Olhei para a mulher à minha frente, uma estranha que tinha usado a minha confiança e o meu amor.
"Acabou, Inês."
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