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Capa do romance DO OUTRO LADO DO ESPELHO

DO OUTRO LADO DO ESPELHO

Nesta obra poética, o sentimento mais profundo da humanidade é celebrado através de composições delicadas. As páginas revelam versos brancos que, despidos de amarras formais, agem como pássaros em pleno voo sob o horizonte daqueles que se permitem amar. Cada estrofe busca capturar a essência da paixão e do afeto, oferecendo uma jornada lírica por um céu repleto de emoções puras. Um convite literário para explorar o amor em sua forma mais livre.
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Capítulo 2

AGORA E SEMPRE, ETERNAMENTE!

...Será de amores,

felicidade e só...

Faremos piquenique

na relva verde e macia

Nadaremos nos rios

de águas cristalinas

contemplando sereias

Galgaremos montanhas

e ficaremos mais perto das estrelas

Cantaremos odes de alegria

e dançaremos ao luar

espalhando música no ar...

Acordaremos o mundo

com nossa canção

E tudo será festa, será paz

Agora e sempre,

eternamente!

Vinhedo, Primavera de 2008.

BALADA DA ESPERANÇA

Vivo caminhando

à procura de algo que não vem

enquanto a noite é alta

o silêncio é profundo

o céu sem estrelas

me diz de outro mundo.

Num triste sussurro

o vento aparece

trazendo uma voz,

lamentos e prece...

Baladas sem ritmo, sem nome, atroz

doces cantigas,

palavras antigas

momentos passados,

destinos traçados,

no coração de alguém

sou apenas ninguém

chorando, amando,

solitário esperando

a Solidão que não vai

o Amor que não vem...

Ipuã, Primavera de 1966.

É BOM TE CHAMAR DE MARIA

É bom te chamar de Maria

Maria de todos os tempos

Maria, meu sonho encantado

Maria, de meus momentos!

É bom te chamar de Maria

Maria, de doces lembranças

Maria, luz de minha vida

Maria, minha esperança!

É bom te chamar de Maria

Maria que a todos conduz

Maria, doce Maria

Maria, mãe de Jesus!

É bom te chamar de Maria

Maria, com todo louvor

Maria de minha saudade

Maria, meu grande amor!

(Para Maria, onde estiver...)

Cravinhos, Primavera de 2008.

EU SOU APENAS...

É noite...

E novamente esse silêncio triste, esse vazio...

Uma ausência sentida...

Uma saudade amarga.

Uma vontade imensa de te envolver

na minha ternura...

Ah, se soubesses

a falta que tens feito,

a dor tremida

que punge-me o peito,

a tristeza que a tudo escurece,

a solidão que fica,

a dor que permanece...

Sou apenas aquele que ficou

entre restos de sonhos desfeitos,

lembranças de um amor quase perfeito

que o destino separou...

Vinhedo, Primavera de 2008.

EU VI A CRUZ

Há muitas cruzes nos caminhos de Bom Jesus...

Eu vi a cruz

Tão alva e bela,

Sinal da presença dela

Nesse rincão goiano.

Após todos esses anos

Só a lembrança ficou

Ao lado de uma saudade

Que o tempo não apagou.

Nesse alvorecer de luz,

Nessa madrugada fria,

Momento de nostalgia,

Nesse caminho que me conduz...

Eu vi a cruz:

Pequena e singela,

Derradeira presença da minha ‘bela’,

Por essas bandas de Bom Jesus!

(Para Maria Isabel, com saudade...)

Rio Verde (GO), Primavera de 2008.

FELIZ

Ah, vida feliz!...

Em cada canto, um poema

Em cada abraço, uma ternura

Em cada riso, um beijo meu...

Que importa

Se há tantos ‘queria ter’ e não temos...

Se há tantos 'queria ir e não fomos...

Se há tantos 'queria ver e não vimos...

O que realmente importa

É que a vida é feliz

E o riso é de graça.

O amor é aprendiz

Há flores na praça

É tudo o que sempre quis...

Vinhedo, Primavera de 2009.

GRITO DE ESTRELAS

Hoje estou com vontade diferente

de ser outra gente

de outro bando e lugar.

Estou com vontade de andar

caminhar [vagar,voar,]

ser infinito enquanto posso...

Quero libertar de

minhas janelas,

e conhecer a imensidão

dos amanhãs, que

são forjados

nas oficinas do tempo,

que ficam escondidas

em lugar nenhum.

Quero escapar,

dos caminhos que existem

dentro das coisas transparentes,

que refletem os cansaços e as indecisões.

Quero viver a vida

em slow motion

no abrigo dos corações invertidos,

pintados como trens

que de repente param

em nenhuma estação...

E assim,

como do fundo da música

brotam as notas

que, ora são lembranças,

ora esperanças,

emudeço o grito,

na pauta do silêncio e da amargura...

E quando a noite vier,

cantarei alguma coisa para dormir,

no silêncio das paredes,

que refletem fantasmas

de minha alma...

Vinhedo, Primavera de 2008.

MANHÃS

Queria ser como as manhãs

Que surgem radiosas

Por entre serras

A embalar o doce sono do menino

Que sonha com um mundo sem guerras.

Queria ser como a andorinha

Que busca horizontes

A voar sem medo

E que depois, mais tarde se aninha

Num mundo de paz,

De amor sem segredo.

Manhãs, sonhar,

Voar, amar,

Caminhar:

Tudo isso queria ser,

Fazer, viver

Enquanto não saio de minha janela.

A manhã já se foi e também meu sonhar;

Fico a esperar o tempo correr

No silêncio, uma saudade dela...

Vinhedo, Primavera de 2008.

Minha alma

Minha alma é um anjo

Que corre com o vento

Que dorme ao relento

E adora sonhar.

Nas noitinhas ele voa

Nas asas do tempo

E enche de cores

Os céus de luar.

Diz que me ama

Me adora e a sorrir

Sempre me chama

Para brincar.

Felizes cantamos,

Corremos, pulamos

E de mãos dadas esperamos

O amanhã chegar...

Minha alma é um anjo

Que vive comigo,

Que mora em meu peito

Num eterno sonhar...

Cravinhos, Primavera de 2008.

REFLEXOS DA ALMA

"A moral, propriamente dita, não é a

doutrina que nos ensina como sermos

felizes, mas como devemos tornar-nos

dignos da felicidade." (I. Kant)

No tempo

que eu

não te conhecia,

aprendi numa lousa

de palavras andantes,

que se movimentavam

na casa do silêncio

e da escuridão...

Foi assim que comecei

a descobrir que

Felicidade,

é uma ave passageira,

que voa horizontes

no coração de poucos seres,

e que muda e se transmuda...

...

Nestes tempos

de escassos valores,

prefiro alimentar cães

a levar flores

na porta das igrejas...

Oh, Felicidade, Felicidade!

Senhora e escrava

dos meus caprichos!

Que cantos tua lira inspira

nos recantos cheios de ilusão?

...

Gostaria de falar sobre a alegria

refletida nos teus olhos...

Mas, tenho somente a mim

neste mar de solidão...

Míseros restos de alma

na brevidade do tempo...

...

Existiram épocas

de fragrâncias coloridas,

nas vozes claras

dos pomares,

que abrigavam

tropéis

azuis e rosa,

à beira do riacho,

na casa das palavras

de ternura e mansidão...

...

Uma vez

vislumbrei

entre brumas,

nos portais

das tendas de luz,

a face do Invisível

que gera o Tudo

o destino, a sorte

a vida, a morte!

...

Decidi caminhar

no pó das estradas,

e sentir o aroma

do araçá dos longes...

... e olhar pro céu

para encontrar despojos,

a troco de vinténs,

na seca do destino.

...

Aquela casa,

escondida numa curva,

sugeria prazeres

que meu sonho ansiava.

E eram os mesmos, os vinténs

que aplacavam a sede e a fome.

E tudo era tão bom...

...

Não se é permitido

hastear sonhos coloridos,

nas janelas das casas

de tijolos amarelos...

E as bocas dos canhões

brilharam infâmias

no tempo da escuridão...

...

Ó Felicidade...

tão frágil,

tão ligeira,

tão depressa

é o teu passar!

Senhora do efêmero,

que determina

o destino de quem

vive a sonhar...

Vinhedo, Primavera de 2008.

TEU JEITO

Ainda que eu falasse dos amores eternos,

não seria o bastante...

Ainda que eu andasse por mil caminhos,

não seria o suficiente...

Ainda que eu escutasse todas as canções da terra e do

céu, não retratariam a beleza do meu amor...

Este teu jeito doce de me amar

me leva à loucura.

Bebo do veneno da paixão

e me entorpeço com a ternura do teu amor.

Sou prisioneiro dos teus carinhos:

Ao mesmo tempo que desço aos infernos,

tenho um céu aos meus pés...

Ah, o meu amor!

Abre-me as portas do coração

e me dá sonhos para sonhar.

Fecha os olhos à razão

e nos mares da fantasia

navegam meus sonhos e minha ilusão.

Incendeia meu espírito

com as chamas do meu padecer...

Renova minha alma

dando calma ao meu viver...

Ipuã, Primavera de 2009.

TEU NOME

Eu te esperei na manhã florida e perfumada

Na tarde ensolarada e no longo anoitecer

Foste a promessa de um amor sem fronteiras

Deste-me a esperança de uma vida verdadeira

Eras o meu tudo e todo o meu viver...

Contigo trilhei muitos caminhos pela vida

Juntos enfrentamos procelas terríveis

E juntos navegamos por mares pacíficos

Na mesma mesa bebemos o amargor da saudade

E brindamos aos nossos sonhos e à nossa felicidade!

E agora este vazio, esta ausência dolorida

Esta falta de você na minha vida

Este não-sei-o-quê que massacra e me consome

Inventei mil caminhos para te encontrar

E mesmo assim não ouso revelar teu nome...

Vinhedo, Primavera de 2008.

VISÕES

Há dentro de mim

um deserto clamando por encontros.

Restos de crepúsculos deixados

nos dias de lucidez.

No abrigo da minha alma

restam vagas lembranças

de amores idos:

espectros de saudade

refletem minhas paixões.

Nos caminhos tardios,

meus rastros cansados

vislumbram a distância

da minha insensatez...

Vinhedo, Primavera de 2008.

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