
Do Luto ao Lucro: O Império da Ex-Esposa
Capítulo 3
O meu irmão, Tiago, chegou a correr ao hospital, com o rosto pálido e os olhos vermelhos.
Quando me viu deitada na cama, pálida e sem vida, as lágrimas dele caíram.
"Lia, o que aconteceu? Onde está o Pedro?"
Ele agarrou a minha mão, a sua voz a tremer.
Eu não conseguia falar. Apenas abanei a cabeça, as lágrimas a escorrerem silenciosamente pelo meu rosto.
Tiago percebeu tudo.
Ele tirou o telemóvel e ligou para Pedro.
"Pedro, onde raio estás? A tua mulher está a morrer no hospital, e tu estás por aí a divertir-te?"
A voz de Tiago era um rugido de fúria.
Não sei o que Pedro disse, mas o rosto de Tiago ficou ainda mais zangado.
"Levá-la a casa primeiro? Estás a brincar comigo? A Lia precisa de uma transfusão de sangue agora! Se algo lhe acontecer, eu mato-te!"
Ele desligou e olhou para mim, com o coração partido.
"Lia, não te preocupes. Eu estou aqui. Eu assino os papéis. Eu salvo-te."
Ele foi encontrar o médico, a sua figura a desaparecer pelo corredor.
Eu fechei os olhos, sentindo uma onda de calor no meu coração frio.
Pelo menos, eu ainda tinha o meu irmão.
A transfusão de sangue começou.
Senti a vida a voltar lentamente ao meu corpo.
Quando acordei novamente, Tiago estava sentado ao meu lado, a sua expressão sombria.
"Lia, eu quero que te divorcies dele."
Ele disse, a sua voz firme.
"Eu sei."
A minha voz era calma. A decisão já estava tomada.
"Ele não te merece. Ele não merece ser pai."
Tiago cerrou os punhos.
"Eu vou fazê-lo pagar por isto."
"Tiago, não faças nada estúpido."
Eu agarrei o braço dele.
"Eu só quero um divórcio pacífico. Não quero mais drama."
Ele olhou para mim, os seus olhos cheios de dor.
"Mas ele magoou-te tanto. Ele deixou-te morrer."
"Eu sei. E é por isso que o vou deixar. Essa será a minha vingança."
A minha calma pareceu surpreendê-lo.
Ele suspirou.
"Está bem, Lia. O que quer que decidas, eu apoio-te."
Naquela noite, Pedro finalmente apareceu.
Ele parecia cansado e irritado.
"Como estás?"
Ele perguntou, a sua voz desprovida de qualquer emoção.
Eu não respondi. Apenas olhei para ele, uma estranha calma a instalar-se em mim.
"Eu ouvi o que aconteceu. Lamento pelo bebé."
Ele disse, as suas palavras soando vazias e ensaiadas.
"Onde estiveste?"
A minha voz era um sussurro.
Ele franziu o sobrolho, impaciente.
"Eu já te disse. Eu tive de levar a Sofia a casa. Ela não estava bem."
"E eu estava?"
A minha pergunta pairou no ar.
Ele não respondeu. Apenas desviou o olhar.
"Lia, não vamos discutir sobre isto agora. Estás cansada. Precisas de descansar."
Ele tentou pegar na minha mão, mas eu afastei-a.
"Eu quero o divórcio, Pedro."
Eu disse, a minha voz clara e firme.
Ele olhou para mim, chocado.
"O quê? Estás a falar a sério? Por causa disto?"
"Por causa disto?"
Eu ri, um som amargo e oco.
"O nosso filho morreu, Pedro. E tu escolheste outra mulher em vez de mim. Em vez dele."
"Isso não é verdade! Eu não a escolhi a ela em vez de ti. Eu só estava a ajudá-la."
A sua defesa era fraca.
"Não importa. A minha decisão está tomada."
Virei-lhe as costas, sinalizando o fim da conversa.
"Lia, não sejas ridícula. Estás a ser demasiado emocional. Vamos falar sobre isto quando estiveres melhor."
Ele disse, a sua voz a subir de tom.
"Não há nada para falar. Eu quero o divórcio."
Ele ficou ali por um momento, a sua raiva a crescer.
"Está bem! Se é isso que queres, está bem! Mas não penses que vais conseguir alguma coisa de mim!"
Ele virou-se e saiu, batendo a porta atrás de si.
Eu não chorei.
Não havia mais lágrimas para derramar.
Apenas um vazio frio no meu peito.
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