
Do Despejo à Vitória: A Jornada de Clara
Capítulo 2
O meu casamento terminou no dia em que recebi a notificação de despejo.
O papel branco e frio estava colado na porta do nosso apartamento, com letras pretas e pesadas a anunciar o fim.
O proprietário dizia que não pagávamos o aluguer há três meses.
Eu fiquei ali parada, a olhar para o aviso, sentindo-me completamente vazia. Peguei no meu telemóvel para ligar ao meu marido, Leo.
A chamada tocou uma, duas, três vezes. Ninguém atendeu.
Liguei outra vez. Desta vez, foi direto para o correio de voz. Ele tinha desligado o telemóvel ou bloqueado o meu número.
Sentei-me nos degraus frios da escada, com a cabeça entre as mãos. Onde estava o dinheiro? Eu tinha transferido a minha parte do aluguer para a conta dele todos os meses, sem falta.
Nesse momento, o meu telemóvel vibrou. Era uma mensagem de um número desconhecido.
"Olá, é a Sofia. Acho que precisamos de conversar. Estou no Café Central, perto da tua casa."
Sofia. A ex-namorada do Leo. A mulher que ele jurou que já não significava nada para ele.
O meu coração começou a bater mais depressa. Levantei-me, com as pernas a tremer um pouco, e caminhei em direção ao café.
Ela estava sentada perto da janela, a mexer num café com leite. Usava um vestido caro que eu nunca poderia pagar.
Quando me viu, sorriu. Não era um sorriso amigável.
"Senta-te, Clara."
Eu não me sentei. Fiquei de pé, a olhar para ela.
"O que é que queres?"
Ela riu-se, um som baixo e controlado.
"O Leo não te contou? Ele está comigo agora. Nós voltámos a estar juntos há alguns meses."
As palavras dela atingiram-me, mas eu mantive a minha expressão neutra.
"E o dinheiro do aluguer?" perguntei, com a voz firme.
Sofia encolheu os ombros, com um ar de indiferença.
"Oh, isso. O Leo precisava dele. Ele teve alguns... investimentos maus. Eu ajudei-o. Com a condição de ele te deixar."
Ela fez uma pausa, olhando para mim como se eu fosse algo sujo no seu sapato.
"Ele fez a sua escolha, Clara. Ele escolheu-me a mim. Ele nunca te amou de verdade. Tu eras apenas conveniente."
Eu não disse nada. Apenas me virei e saí do café.
Enquanto caminhava de volta para o prédio, o meu telemóvel tocou. Era a minha sogra, a mãe do Leo, a Dona Isabel.
Atendi.
"Clara! Onde está o Leo? Ele não atende as minhas chamadas!"
A voz dela era aguda e exigente, como sempre.
"Eu não sei," respondi, com a voz cansada. "Acho que ele está com a Sofia."
Houve um silêncio do outro lado da linha, depois um suspiro irritado.
"Essa mulher outra vez? Clara, tens de controlar o teu marido! O que é que andaste a fazer? És uma esposa inútil! Não consegues sequer manter o teu homem longe de outra mulher?"
Ela continuou a gritar, a culpar-me por tudo.
"Ele gastou todo o nosso dinheiro do aluguer. Fomos despejados."
"O quê?! Despejados? O meu filho não faria isso! Deves tê-lo provocado! És tu a culpada! Sempre soube que não eras boa o suficiente para ele!"
Desliguei a chamada. Não conseguia ouvir mais.
Fiquei ali, em frente à porta selada, com um aviso de despejo a olhar para mim. O meu casamento, a minha casa, tudo tinha desaparecido. E a família dele culpava-me.
Nesse momento, eu soube. O divórcio não era uma opção, era uma necessidade.
Você pode gostar





