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Capa do romance DESTINO TRAÇADO

DESTINO TRAÇADO

Bree Delany viu seu mundo desmoronar quando o diagnóstico de câncer transformou sua realidade em um abismo de dor e desespero. Em meio ao sofrimento que estilhaçou sua alma, ela encontra apoio em Harper Somerville. Seu melhor amigo está decidido a resgatá-la da escuridão, guiando-a em uma jornada inesquecível para redescobrir a beleza de cada instante. Sem promessas de um futuro longo, eles escolhem viver intensamente a felicidade do agora.
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Capítulo 1

Sinopse

Bree "Breeze" Delany nunca imaginou que sua vida poderia afundar tanto. Que tal dor intensa poderia fixar residência em seu coração e rasgar sua alma em pedaços. E tudo o que bastou foi uma pequena palavra para arrastar Bree para as profundezas desse desespero, câncer.

Foi necessário somente uma pessoa para puxar Bree da escuridão, seu melhor amigo Harper Somerville. Determinado a mostrar a Breeze a beleza da vida, não importando quão curto ou longo fosse, Harper levaria Bree na viagem da sua vida.

Dane-se o felizes para sempre, talvez a vida fosse feita para ser vivida com felizes para sempre agora...

DEDICATÓRIA:

Para você mãe, te amo do céu ao infinito dona Rose!

Capítulo 1

Eu tremi quando puxei a colcha ao redor dos meus ouvidos, meu corpo se curvou em um travesseiro ao meu lado. Era meio-dia e estava claro lá fora, mas o meu quarto ainda mantinha a escuridão. Com as cortinas fechadas, a luz não podia me tocar. Novembro na costa leste da Austrália significava que era verão, esquentava beirando o calor, mas eu estava congelando. Eu simplesmente não conseguia livrar-me do frio que tinha invadido meu corpo por oito longos meses. Eu tinha perdido tanto peso que estaria sem dúvida mais leve do que um punhado de ar, mas eu me sentia pesada. A minha alma já não estava trilhando águas profundas, ela estava se afogando nela. Eu tinha eclipsado meses de tristeza e agora eu existia em um poço profundo do nada. O mundo em que vivia agora estava em silêncio, meu violão abandonado contra a parede na sala de estar, eu empurrei todos os meus amigos para longe, não havia mais nada além do medo e repugnância. Com uma longa e arrastada respiração, estremecendo, me forcei a sair da cama, eu tinha que fazer xixi. Isso me irritou, minhas funções corporais me impediram de ficar nas confortáveis almofadas e cobertores da minha cama. O espelho foi coberto com um lençol há muito tempo, para evitar que o meu reflexo taciturno olhasse para mim. Eu odiava a menina que olhava para mim daquele espelho. Não era eu, era uma impostora. Meus olhos estavam escuros de alguma forma, minhas bochechas ocas, os meus lábios cheios, estavam rachados e secos e o meu corpo, magro e esguio. O pior de tudo era o couro cabeludo careca que me ridicularizava e insultava, para não mencionar as sobrancelhas e os cílios inexistentes. Os pelos em meus braços e pernas se foram, pelo menos, fui salva da depilação, mas o visual careca que agora

ostentava em baixo, fazia eu me sentir uma maldita estranha. Algumas mulheres pagariam muito dinheiro por esse reflexo, para mim, simplesmente, era como se parecia o câncer. A menina, cujo reflexo era usado para consumir esse espelho, tinha os olhos brilhantes que eram um pouco azuis e um pouco verdes. Seus lábios estavam geralmente coloridos com um batom sabor cereja e suas bochechas altas acentuadas com um traço rápido da cor. Seu cabelo era longo, grosso e dourado. Aquela garota tinha desaparecido.

Quando eu fui ao médico há oito meses reclamando de cansaço e um caroço incomum em meu pescoço, a última coisa que eu esperava ouvir era que estava com câncer. O linfoma de Hodgkin, que foi felizmente descoberto em um estágio inicial. Uma combinação rigorosa de quimio e radioterapia já colecionavam meu corpo, e ninguém me disse que com o meu corpo, eu também iria perder a minha alma. Eu não tinha nenhuma ideia para onde isso foi, eu não poderia mesmo dizer quando isso se foi.

Um momento tudo estava bem, então no próximo, parecia que o mundo estava me esmagando. Oitenta e sete por cento dos diagnosticados sobrevivem passado à marca de cinco anos após o tratamento. Eu era bastante saudável na época do meu diagnóstico, que foi precoce, assim como o Dr. Kwan me garantiu, e a perspectiva era positiva. Meu cérebro se recusou a receber essa informação. Por alguma razão, tudo que eu poderia focar era o talvez e os fatos pessimistas. Eu sabia que estava deprimida, sabia que a pena de mim mesma tinha ficado muito mais tempo do que deveria, mas eu não conseguia sair dessa droga. Eu estava presa. Enquanto eu lavava minhas mãos, olhei para a camiseta que cobria o cesto de roupas no canto do banheiro e meu peito doeu de uma forma totalmente nova. Ela pertencia a Harper, meu melhor amigo, o cara que gostei a minha vida inteira. Eu não apenas gostava dele, eu era apaixonada por ele. Harper, seu primo Sean e eu tínhamos praticamente crescido juntos. Nós três fomos inseparáveis até Harper começar a surfar no torneio mundial. Essa parte da vida de Harper era um enigma para mim, me esmagava e eu estava contente em permanecer em silêncio e não me envolver. E agora Sean estava morando em Sydney, Harper estava no torneio e eu não tinha ouvido falar de nenhum deles em oito longos meses. Harper normalmente voltaria para casa agora. Na verdade, ele normalmente ia e vinha algumas vezes. Sua ausência deixava mais

fácil para eu manter meu segredo e os poucos e-mails brandos e enfadonhos que eu tinha enviado, sem dúvida, mantinha a ilusão de que tudo estava bem em Gold Coast. A traição de Harper que aconteceu em março, também fez mais fácil para eu ignorá-lo. Eu chamo de traição, mas não havia realmente nada para ele trair. Não havia "nós". Éramos amigos, puro e simples. Infelizmente, Harper tinha tentado fazer mais disso. Depois de uma noite de bebedeira, um deslize da palavra "A" e um beijo de abalar a terra depois, a nossa relação mudou irrevogavelmente. Eu não queria ser o erro bêbado de Harper, então eu o havia empurrado direto para os braços de sua amiga de foda sempre confiável, Naomi. Naomi, a única pessoa que eu jamais poderia admitir verdadeira aversão. Ela ficou com dois caras que eu queria para mim, agora e eu estava começando a pensar que talvez ela estivesse fazendo isso comigo por um motivo. Talvez eu tenha matado o seu gato ou algo assim?

Então, enquanto Harper estava festejando e navegando por seus caminhos ao redor do mundo e, sem dúvida, Sean estaria transando em Sydney, nenhum deles sabia nada sobre a garota feia que tinha invadido meu corpo. George tinha ameaçando chamar Harper, se eu não me levantasse e deixasse o apartamento em breve e eu teimosamente fiquei dentro de casa. Pobre George, que sacrificou tanto por mim, era o mais próximo de um pai que eu tive. Minha mãe era uma hippie, uma verdadeira maconheira hippie – ela vivia em uma comunidade no meio do deserto, pelo amor de Deus. Ela não tinha ideia de quem era meu pai, aparentemente, vários homens tinham essa possibilidade, e eu tinha decidido que todos os homens que viviam na "mãe pátria" eram um bando de pervertidos sexuais que ansiavam por qualquer coisa. George foi o perfeito pai adotivo. Ele morava no corredor em frente ao meu apartamento e de Harper.

Lembrei-me bem do dia em que nos conhecemos, George estava vestido com uma velha camiseta surrada e bermuda de surf, seu cabelo era uma bagunça caótica; parecia como se tivesse acabado de sair da cama. Ele saiu do seu apartamento quando Harper e eu saímos do elevador, com os braços cheios de caixas. Ele foi direto até mim e pegou as caixas dos meus braços. - Olá vizinhos, deixe-me ajudar - Harper e eu ficamos um pouco em estado de choque, olhando para George quando ele se virou e caminhou através da nossa

porta aberta como se fosse dono do lugar. Então ele se apresentou e nos ajudou a levar o resto das nossas caixas e pertences antes de cozinhar o jantar para nós. Na manhã seguinte, ele foi bater à nossa porta, com os braços cheios de tudo que era necessário para fazer panquecas de banana. Tínhamos todos nos tornados amigos instantaneamente, e de alguma forma, ele tinha se encaixado com facilidade no papel de uma figura paterna.

Mas mesmo George, que me amava como um pai, não pode impedir que o câncer devastasse o meu corpo. O que ele poderia fazer era cuidar de mim, e foi exatamente o que ele fez. Ele começou a trabalhar em casa; fazia algo com investimentos do qual eu não sabia nada, mas de acordo com Harper, ele era bom nisso. Depois de vender meu carro para pagar minhas contas médicas, George levava-me para as minhas consultas. Ele cozinhava para mim e limpava o apartamento quando eu estava cansada demais para sair da cama. George era a minha rocha e eu sabia que esta depressão estava destruindo-o também e eu me odiava ainda mais por isso. Eu tinha certeza de que George iria honrar o meu desejo de não chamar Harper. Mesmo assim, havia uma pequena parte minha que precisava desesperadamente do meu melhor amigo e eu esperava que George cumprisse sua ameaça. Tirei minha camiseta e coloquei a camiseta de Harper. Cheirava como ele e isso me dava um pouco de algo semelhante a paz que eu sentia quando ele estava perto de mim. Arrastando-me de volta para o meu quarto, instintivamente apertei o botão play no meu iPod que se conectou com os alto-falantes em uma mesa grande de estilo retro, pintada em um tom empeirado de amarelo desgastado. Eu amava a minha mesa e agora ela estava enterrada sob um mar de papéis, contas e roupas. A desordem me incomodava, e me deixava maluca, mas agora eu não conseguia reunir a energia necessária para resgatar minha mesa preciosa da bagunça. A voz de Avril Lavigne encheu meu quarto enquanto eu mergulhava debaixo das cobertas e as puxava firmemente ao redor dos meus ouvidos. Sua balada, Wish You Were Here, entrava pelos meus ouvidos, se enrolhava ao redor da minha mente e enviava uma dor no meu coração tão forte que eu pensei que poderia finalmente quebrar. Eu sabia que essa música era uma forma de tortura em minha alma escura, mas as palavras estavam cheias com tanta verdade que eu não poderia ignorá-las, não poderia não ouvi-las. Com a canção me arrastando ainda mais

longe da felicidade, peguei um caderno de couro desgastado, recheado com um segredo sujo, debaixo do meu travesseiro. Este caderno costumava estar cheio de amor, felicidade e alma. Agora suas páginas estavam manchadas com as trevas da tristeza e da morte. Este era o lugar onde eu esvaziava os pensamentos nublados da minha mente, era aqui que eu confessava a verdade da minha dor e tristeza. Com a caneta na mão eu deixei a dor se derramar de mim.

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