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Capa do romance Destino Quebrado, Coração Renovado

Destino Quebrado, Coração Renovado

Após um acidente de carro brutal, Sofia acorda no hospital com a notícia devastadora de que seu filho, Pedro, não sobreviveu. Seu marido, Miguel, demonstra uma frieza cruel, priorizando negócios à tragédia. No entanto, Sofia descobre a verdade sombria: Miguel sabotou o veículo para eliminar o herdeiro e usurpar a fortuna da família dela. Fingindo inconsciência, ela ouve seus planos de incriminá-la. Agora, movida por um ódio profundo, ela jura vingança contra o assassino de seu filho.
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Capítulo 2

A primeira coisa que senti foi uma dor aguda na cabeça, um zumbido constante que abafava todos os outros sons. Abri os olhos devagar, a luz branca do teto do hospital me cegou por um instante. Minha garganta estava seca, e quando tentei me mover, uma dor lancinante percorreu meu corpo inteiro.

"Ela está acordando," ouvi uma voz feminina e calma dizer.

Uma enfermeira apareceu no meu campo de visão, seu rosto expressando uma mistura de alívio e pena.

"Sofia, você consegue me ouvir? Você sofreu um acidente de carro grave. Você está no hospital."

Acidente. A palavra ecoou na minha mente, trazendo flashes de metal se contorcendo, o som de vidro quebrando e o grito aterrorizado do meu filho, Pedro.

"Pedro...", minha voz saiu como um sussurro rouco. "Onde está o meu filho? Ele está bem?"

A enfermeira hesitou, seu sorriso profissional vacilou por um segundo.

"Seu filho está na cirurgia agora, os médicos estão fazendo tudo o que podem. Você precisa descansar, Sofia. Você perdeu muito sangue."

Pânico começou a subir pela minha garganta, gelado e sufocante. Cirurgia. Tudo o que podem. Eram frases que ninguém queria ouvir. Eu tentei me levantar, mas meu corpo não obedeceu.

"Eu preciso vê-lo. Por favor."

"Você não pode se mover agora. Seu marido está a caminho. Tente se acalmar."

Meu marido. Miguel. A menção dele não me trouxe conforto, apenas uma onda de náusea. Eu peguei meu celular na mesinha de cabeceira, a tela estava trincada, mas ainda funcionava. Disquei o número dele, minhas mãos tremendo.

O telefone chamou uma, duas, três vezes. No quarto toque, ele atendeu. Sua voz estava irritada, impaciente.

"O que foi, Sofia? Estou no meio de uma reunião importante. Não posso falar agora."

Reunião. Meu filho estava em uma mesa de cirurgia, lutando pela vida, e ele estava em uma reunião.

"Miguel," eu disse, tentando manter minha voz firme. "Nós sofremos um acidente. Um acidente grave. Pedro... Pedro está na cirurgia."

Houve um silêncio do outro lado da linha. Não um silêncio de choque ou preocupação, mas um silêncio frio, calculado.

"Acidente? Como assim?", ele perguntou, sua voz desprovida de qualquer emoção. "Onde vocês estão?"

"No Hospital Central. Miguel, o médico disse que é grave. Você precisa vir agora."

"Eu não posso simplesmente sair, Sofia. Tenho investidores aqui. Vou ver o que posso fazer. Me mantenha informado."

E ele desligou.

Eu fiquei olhando para o telefone, incrédula. A frieza dele era como um soco no estômago. Ele não perguntou se eu estava bem, não demonstrou a menor preocupação com o nosso filho. Apenas negócios. Sempre os negócios.

Uma hora se passou, uma tortura de minutos intermináveis. A enfermeira entrava e saía, checando meus sinais vitais, oferecendo palavras vazias de conforto. Miguel não apareceu. Ele nem sequer ligou de volta.

Então, a porta se abriu. Não era Miguel. Era o médico, o mesmo que eu tinha visto brevemente na emergência. Seu rosto estava sombrio, seus ombros caídos. Eu soube, antes mesmo que ele dissesse uma palavra. Eu soube pelo jeito que ele evitou meu olhar.

"Sinto muito, Sra. Sofia," ele começou, sua voz baixa e pesada. "Fizemos tudo o que foi possível. As lesões do seu filho eram... extensas demais. Ele não resistiu."

O mundo parou. O zumbido nos meus ouvidos se tornou um silêncio ensurdecedor. O rosto do médico se desfez em um borrão, as paredes do quarto pareceram se fechar sobre mim. Uma dor que não era física, mas mil vezes pior, rasgou meu peito. Meu filho. Meu Pedrinho.

Eu não gritei. Eu não chorei. Eu apenas me desconectei. Uma escuridão me engoliu, e eu desmaiei.

Não sei quanto tempo fiquei inconsciente, mas uma dor súbita no meu braço, onde a agulha do soro estava inserida, me trouxe de volta à superfície. Eu não abri os olhos, meu corpo estava pesado demais, minha mente anestesiada pela dor. Mas eu podia ouvir.

A porta do quarto se abriu e ouvi a voz de Miguel.

"Ela já acordou?"

"Ainda não, senhor," respondeu a enfermeira. "O choque foi muito grande. Ela precisa de tempo."

"Ótimo," a voz de Miguel soou perigosamente perto. "Saia. Quero ficar a sós com minha esposa."

Ouvi os passos da enfermeira se afastando e a porta se fechando suavemente. O silêncio que se seguiu foi quebrado pelo som de Miguel discando um número em seu celular.

"Alô? Resolvido," ele disse, sua voz baixa e conspiratória, completamente diferente do tom que usava comigo. "O garoto se foi. Sim, o plano funcionou perfeitamente. O freio adulterado... ninguém vai suspeitar. Vão pensar que foi apenas um acidente trágico na chuva."

Meu coração parou de bater. Cada palavra era uma facada. Freio adulterado. Plano. O garoto se foi. Não foi um acidente. Foi um assassinato. E o assassino era o pai dele. Meu marido.

"E a Sofia?", continuou Miguel. "Ela sobreviveu, infelizmente. Mas não se preocupe, eu tenho um plano para ela também. Com a morte do pai dela semana passada e a falência da empresa, ela está vulnerável. Vou usar a dor dela, fazer com que ela assine todos os papéis que eu preciso. Vou transferir o que resta do patrimônio do velho para o meu nome. E quando ela não for mais útil, vou dar um jeito de acusá-la de cumplicidade na fraude da empresa. Ela vai para a cadeia, e nós ficaremos com tudo. Ela é fraca, vai desmoronar."

A voz dele era calma, metódica, a voz de um monstro. O pai dela. Meu pai. A empresa. A morte dele não foi um ataque cardíaco causado pelo estresse da falência. Miguel tinha causado tudo. A ruína, a morte do meu pai, e agora, a morte do meu filho.

"Sim, o nosso futuro está garantido, meu amor. Ninguém vai ficar no nosso caminho. Principalmente não um pirralho chorão que só servia para me tirar dinheiro."

Pirralho chorão. Ele estava falando do nosso filho. Do corpo pequeno e frágil que eu tinha carregado por nove meses, que eu tinha amado mais que a minha própria vida.

Lágrimas silenciosas começaram a escorrer pelo meu rosto, quentes contra a minha pele fria. Não eram lágrimas de tristeza. Eram lágrimas de ódio. Um ódio tão puro e intenso que queimava o luto, transformando-o em uma couraça de gelo.

Meu casamento era uma farsa. Meu marido era um assassino. Ele tinha tirado tudo de mim: meu pai, meu filho, minha empresa, minha honra.

Ele achava que eu era fraca. Achava que eu ia desmoronar.

Naquele momento, deitada naquela cama de hospital, fingindo estar inconsciente enquanto o assassino do meu filho sussurrava seus planos diabólicos, eu fiz uma promessa. Eu não ia desmoronar. Eu ia sobreviver. E eu ia fazer Miguel pagar por cada lágrima, cada gota de sangue, cada pedaço da minha alma que ele havia destruído.

A caçada havia apenas começado.

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