
Destino por um fio
Capítulo 3
Maria Cecília
Dia seguinte e não estava nem um pouco a fim de levantar da cama para ir à escola, já que o meu maior motivo não iria mais para escola e faltava pouquíssimo para concluir o ano, me despertei dos meus pensamentos quando ouvi batidas na porta
Fernando – Maria Cecília, acorda! Sua mãe mandou que eu lhe chamasse para ir à escola
Maria Cecília – Hoje não papai! Não estou bem
Fernando – O que você tem? Não está com cara de estar doente! – Falou colocando a mão em minha testa
Maria Cecília – O senhor não tem cara de bebum e viciado em jogo, mas é e nem por isso eu lhe digo nada - Falei enquanto me agarrava mais ao travesseiro
Fernando – Maria Cecília, eu lhe exijo respeito! Você não está falando com seus amiguinhos de colégio e anda, vá tomar banho logo e se arrumar para a escola
Maria Cecília – "Eu lhe exijo respeito!" quem vê até pensa mesmo que tem toda essa bola para falar dessa maneira – Debochei indo em direção ao banheiro
Para ser sincera, seria mais um milagre meu pai estar em casa àquela hora da manhã, já que ele virava a noite bebendo e jogando Pôquer com os amigos
Sai do banho indo em direção à cômoda para pegar meu uniforme, comecei me arrumar e pensar que seria um longo dia na escola já que eu não teria o meu combustível que me levava a ir à escola todos os dias
Terminei de me arrumar quando ouvi o chorinho fino que eu jamais poderia confundir, era o de minha irmã Elizabeth, mas o que ela estava fazendo àquela hora também em casa? Minha mãe sempre a levava com ela para o salão
Maria Cecília – Por que minha irmã está chorando?
Fernando – Ela está enjoadinha por conta da vacina e disse a sua mãe que a deixasse aqui comigo porque as clientes reclamariam de toda hora ouvir chororô
Maria Cecília – Você cuidando de uma criança? É bem duvidoso! - Estranhei
Fernando – Não irei cuidar, em breve sua avó está chegando e ela que cuidará
Maria Cecília – Sendo assim, fico mais tranquila até porque Elizabeth é o mais novo xodó dela e jamais a trataria mal assim como faz comigo
Fui para a escola tranquila em sabe que estaria a controle, passei no salão rapidinho e dei um beijo em mamãe e no caminho encontrei com Mariana
Mariana – Bom dia amiga, sua cara está péssima!
Maria Cecília – É bom que combina comigo não é mesmo?
Mariana – Amiga você não pode ficar borocochozinha assim não, eu andei procurando e sei que Bernardo tem uma prima que estuda lá na escola, quem sabe você não consegue o endereço dele com ela
Maria Cecília – Mas nem sei o nome dela e nem nada - Disse cabisbaixa
Mariana – Não se preocupe que eu sei de tudo, é só me seguir que você ficará na boa
Chegamos à escola e Mariana me fez a seguir igual cachorrinho de madame para cima e para baixo atrás da tal menina que era prima de Bernardo, super famosa, mas que eu jamais a vi e soube de sua existência
Mariana – Vocês viram uma menina loirinha, dos olhos claros que se chama Ana? – Perguntou a um grupinho que estava na cantina
– Ali – Falou apontando
Mariana – Vamos Maria Cecília, coragem! Peça o endereço do Marrontinne e vamos até lá, se essa carta caiu no bueiro é certeza que é o destino falando para que você se expresse cara a cara para ele
Maria Cecília – Ou então é o destino estampando na minha cara que eu jamais o terei, eu já até desisti de me declarar sab… - Falei enquanto Mariana me puxava pelo braço
Mariana – Ana? – Mariana me cortou – Essa é Maria Cecília, ela e seu primo Bernardo tem um assunto que ficou pendente e soubemos que ele saiu da escola, não é mesmo? Enfim, pode nos passar o endereço dele ou algum contato?
Ana – Ih se é mais um casinho do meu primo, eu já te deixo ciente de que ele não vale nada gracinha – Falou dando uma piscadinha para mim
Maria Cecília – Não é nada disso, é que… – Me embananei toda
Ana – Eu entendo! Meu primo realmente é um canalha, mas um canalha bonitão e sortudo, não precisa ficar tímida! Irei te passar o endereço e até te levo lá gracinha, mas não diga jamais que eu que lhe dei o endereço, meu tio é todo misterioso e não gosta que Bernardo leve casinhos para casa
Mariana – Mas ela não é nenhum casinho dele não, bom... ainda não né? – Falou sorrindo para meu lado
Maria Cecília – Cala o focinho, Mariana! Vamos logo embora antes que você arraste mais a minha cara pelo chão da escola até chegar a piscina, tamanha a vergonha – Falei a puxando pela mão
Ana – Não precisa ficar tímida, não gracinha, eu entendo o que esteja se passando, mas não ligue, até porque não adianta um pitéu como você sofrer pelo meu primo. Aqui está o endereço e lembre-se, jamais diga quem lhe deu – Me estendeu o papel com endereço
Mesmo mais vermelha que o boletim de Mariana, ainda assim peguei o papel e sai a passos fundo com a mesma
Mariana – Viu? Não foi tão difícil e pelo que vi, aquela ali curte de manga a banana né?
Maria Cecília – Quê?
Mariana – Não percebeu não? Senti o cheiro de couro de longe, aquela ao lado dela deve ser alguma namoradinha, não duvido nada!
Maria Cecília – Mariana, não delire! Vamos logo para a casa, quero tomar um banho e me arrumar bem bonita para ir até lá
Pegamos o ônibus e Mariana desceu no mesmo ponto que eu, já que ela queria ir junto comigo para que eu não desistisse de abrir meu coração no meio do caminho, até pensei em escrever outra carta, mas depois do fim trágico que a outra levou eu preferi não insistir mais e o único papel que vou querer ver, são cédulas em dinheiro
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