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Capa do romance Destino fechado

Destino fechado

Alicia foi capturada durante sua infância e passou anos sob domínio alheio. Determinada a não aceitar esse destino cruel, ela finalmente encontra a coragem necessária para buscar socorro e planejar seu retorno ao lar. Durante essa perigosa jornada de fuga e redescoberta, a jovem enfrentará desafios intensos, mas também encontrará um amor inesperado que mudará sua vida para sempre. Uma história emocionante de superação, ação e romance.
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Capítulo 2

Margo, era governanta da casa dos Venturi a cerca de trinta anos, já conhecia a crueldade que a família agia. Não estranhou quando a menina foi jogada no chão da cozinha, tal qual como um bicho sendo escorraçado. Ajudou a menininha que chorava implorando para voltar para a casa a se acalmar, não sabia quais seriam as decisões do chefe, mas tinha certeza que não seriam boas.

Serviu um pouco de bolo e colocou em frente a menina, que estava sentada à mesa com os olhos inchados e avermelhados, perdidos, olhando para lugar algum. Sua mente estava confusa e já entendia que tinha sido levada por sua madrasta e que a mulher traia seu pai. E o que mais doía e lhe fazia querer chorar ainda mais, sabia que talvez não veria mais Otto. Apesar de só ter onze anos, ter um pai mafioso que lhe explicava muito dos perigos do mundo lhe dava uma noção maior de certas coisas do que crianças nessa idade talvez não notassem. Às vezes, ela só queria ser uma criança comum em que o pai tem uma profissão comum.

— Come o bolo, está muito gostoso, eu que fiz — Margo ofereceu com a voz suave, e suspirou ao ver a menina negar com um aceno — o que acha de me dizer seu nome então, eu te digo o meu e você me diz o seu, que tal? — Dessa vez, após alguns segundos em que Alicia pensava sobre o que fazer, resolveu ceder um pouquinho e acenou que sim. — Muito bom, meu nome é Margo e eu tenho cinquenta e quatro, e você?

— Eu… Eu sou a Alicia — A pequena garota disse devagar e a Margo a incentivava a continuar com acenos e sorrisos — Alicia Campbell, e tenho onze anos. E eu quero ir para casa, por favor.

— Infelizmente eu não posso te levar para lá, a única coisa que eu posso te garantir é que enquanto você estiver aqui, eu vou cuidar de você, o que você acha? — Margo perguntou ainda usando a voz o mais suave possível, não queria assustar a garota novamente.

— Meu papai vai procurar por mim, ele vai me achar, eu tenho certeza — Alicia falou convicta, queria se apegar a algo para acreditar.

— Pode acreditar nisso, se quiser — A senhora respondeu com um sorriso gentil. No fundo, até achava bom que a menina se apegasse a algo. Ela mesma não tinha o que fazer, apenas esperar que seu chefe aparecesse e lhe contasse quais eram seus planos para a menina.

Deixou a menina sentada e voltou aos seus afazeres, a noite se aproximava e precisava já preparar o jantar do chefe, e agora, precisava preparar algo para a menina também. Ficou com um olho na cozinha e outro na garotinha que parecia, e estava, completamente desolada ali, vez e outra deixava uma lágrima teimosa escapar, só queria ir para casa. Nada mais.

Quando Dominic entrou na cozinha, carregando um sorriso no rosto e um olhar de satisfação, Alicia se escondeu na cadeira, encolhendo o máximo que podia, queria ficar invisível ao olhar daquele homem, mesmo que o tivesse visto tão pouco, ele lhe causava arrepios, e isso com certeza era ruim.

Margo suspirou baixo ao ver o chefe caminhando em direção a menina, que estava tão encolhida que parecia apenas uma pequena bolinha de gente, e se abaixando até ficar a uma altura que possibilitava olhar a menina de perto. Sorriu como se olhasse para um prêmio valioso, era isso que Alicia representava para ele.

Em sua mente cruel se passava todos os piores tipos de pensamento que um homem pode ter sobre uma criança tão vulnerável e tão… acessível, como Alicia estava para si. Pensava em qual seria a melhor forma de fazer com que ter a menina sob seu poder seria uma afronta para Otto, afinal, considerava o Campbell responsável por suas maiores perdas, e queria que ele pagasse por isso.

Tocou o cabelo da menina, que escondia o rosto entre as pernas que abraçava com força, os dedos pequenos marcando as canelas expostas, já que usava um short. Dominic sorriu ao chegar a uma conclusão. Educaria Alicia para ser sua esposa. Cresceria tendo tutores que lhe ensinassem sobre a educação, a manteria pura para si, como uma bonequinha em que ele controla tudo.

— Pode chorar e se esconder o quanto quiser — Acariciou o cabelo da menina, sorrindo enquanto a ouvia fungar baixo — Agora você é minha, e nunca mais vai voltar para casa, nunca mais vai ver seu pai. Mas pode ficar tranquila, eu vou cuidar muito bem de você.

— Eu não quero ficar aqui, não gosto de você, eu quero meu pai — Alicia respondeu sem levantar o rosto, mas teve o cabelo puxado, obrigando-a a olhar para o homem que sorria inabalado.

— Não me importo com o que você quer, aprenda que eu sou a autoridade aqui — riu ficando de pé, não sentia necessidade nenhuma de dialogar com a criança que estava cada vez mais apavorada — Cansei de você por enquanto, crianças são insuportáveis.

O homem estralou o pescoço e tirou o celular do bolso se afastando da Alicia, mas parando no meio da cozinha para olhar para a governanta que trabalhava atenta ao que acontecia ali. Margo não era uma senhora fofa e cheia de amor no coração, já tinha visto todo tipo de crime hediondo, já havia lavado o chão sujo de sangue sem se abalar, mas criança ainda era um ponto delicado para si, não tinha nada a ver com a maldade dos adultos, só que não tinha forças para enfrentar o chefe, porque sabia que qualquer que fosse a resposta errada, poderia sofrer consequências dolorosas.

— Margo, eu quero que encontre alguém que fique responsável por cuidar da criança, encontre professores, ela é proibida de ter um celular, acesso a internet, pegue o cartão e compre roupas e o que mais for necessário — O homem mandou, enquanto a senhora ouvia atenta, pois sabia muito bem que não seria repetido — Ela vai morar aqui mesmo, escolha um quarto longe do meu e a coloque lá, sob minha supervisão.

— Sim senhor.

— Mas não quero ela muito no meu caminho ou me incomodando, avise quem for ficar de babá, se atente a arrumar alguém competente o suficiente para que eu não tenha que gastar bala — Dominic ameaçou.

— Irei providenciar, senhor — A senhora respondeu submissa, olhando para baixo, não encarando o chefe.

O homem olhou mais uma vez para Alicia e sorriu, em seguida se retirando dali para continuar o trabalho. Dominic herdou os negócios da família quando seu pai foi morto em um confronto contra a família dos Campbell, mas essa não tinha sido a perda que mais lhe fez odiar Otto, o rancor veio de antes. Quando ainda eram dois adolescentes e disputavam o amor de uma mulher.

Alicia ainda era nova demais para entender o que realmente começaria a viver dali para frente, mas mesmo em sua mente infantil já tinha uma consciência do que estava acontecendo, e se agarrava as lembranças, faria delas um mantra diário para não esquecer de onde veio e para onde deveria voltar. Tinha certeza absoluta que nunca deixaria de tentar voltar para casa, e que seu pai sempre a procuraria.

Não comeu nada no primeiro dia na casa, mas se continuasse com a greve de fome, morreria sem a chance de fugir dali. Margo se preocupou em colocá-la confortavelmente em um quarto e aos poucos o decorar da maneira que mais agradasse a criança, e no fim pediu ao chefe que ela mesma ficasse com a responsabilidade da menina.

— Alicia, eu sei que você não gosta de estar aqui, e eu entendo sua raiva, mas reagir dessa maneira só vai fazer com que tudo seja ainda pior para você — Margo falava com calma, sentadas na cama do quarto da Alicia, após a garota ter jogado água no Dominic no meio de um jantar e levado um tapa no rosto como repreensão — É apenas seu segundo dia aqui, e ninguém consegue fugir dele, vai viver aqui até morrer.

Alicia não respondeu, não queria falar nada sobre isso. Na verdade, preferia não ter que falar nunca mais se tivesse que continuar ali. Levantou da cama e passou para a varanda. Mesmo que achasse a Margo simpática, não gostava dela porque ela a mantinha ali, como todos os outros. Odiaria cada um que prendesse naquele lugar.

E mesmo ainda sendo uma criança, Alicia, olhando a vista pela varanda de seu quarto, prometeu a si mesma que faria de tudo para sobreviver e fugir dali.

E faria dessa a promessa mais importante.

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