
Destino fechado
Capítulo 3
Dez anos vivendo no inferno.
Essa era a frase que Alicia usava para descrever sua vida dentro da casa do Dominic, e ele era a própria encarnação da pior versão existente de Lúcifer. Odiava a casa cada vez mais, odiava o homem que a mantinha ali cada vez mais. Aprendeu a não odiar Margo, já que depois de um tempo, entendeu que a senhora estava ali não por escolha própria, mas era um sobrevivente das maldades cometidas pelos Venturi.
Alicia nem por uma só vez deixou de pensar no pai, e sentia raiva da madrasta que tinha destruído completamente a sua vida, e sequer sabia o porquê ela havia feito isso. Era por ciúmes do pai? Não entendia o porquê, já que eram relações tão distintas. Mas se tinha uma coisa que a Alicia já conhecia com perfeição, era a maldade humana.
Não acreditava ter as mãos limpas, já que em suas tentativas de fuga provocou algumas mortes, não diretamente, mas também não tão indiretamente assim, mas para si, a pior das vezes foi quando Dominic a obrigou a assistir o soldado ser torturado por horas e horas. O evento lhe trouxe noites e noites sem sono, mas quando rendida ao cansaço, pesadelos que a faziam acordar gritando, como se quem estivesse na cadeira de tortura fosse ela mesma.
Se lembrava de todas as suas atitudes que tinham levado a esse resultado.
Ao passar em frente ao escritório do Dominic, enquanto ele conversava com o Marcus, homem esse que desempenhava a função de conselheiro, escutou ele falando sobre como queria que Alicia se mantivesse completamente pura até o casamento, porque o prazer de fodê-la a noite toda pela primeira vez seria dele, e só dele.
Não conseguiria explicar tudo o que sentiu, a raiva, o nojo, estremecia completamente enjoada e enojada só de imaginar Dominic tocando sua pele, se não tivesse como evitar isso, ao menos evitaria que ele fosse o primeiro, faria um plano e seduziria um dos homens que estavam sempre pela casa, não deveria ser difícil, Alicia acreditava, era só fazer como nos livros em que lia para passar o tempo, já que não podia sair das dependências da mansão.
Ainda tinha dezesseis anos nessa época, e muita revolta em seu coração, calculou com calma seu plano. Não pensou nas consequências dos seus atos, só iria agir de maneira irresponsável. O que teria a perder? Já vivia seu próprio inferno, mesmo que não tivesse cometido nenhum pecado que merecesse tal castigo.
Dominic exigia que Alicia mantivesse seu corpo em forma, a alimentação era controlada, as roupas eram quase todas vistoriadas. Quase todas.
Alicia vestiu um top e um short de malha curto, que deixava o corpo exposto, e caminhou em direção a academia da mansão, onde encontraria o soldado que era seu personal a um ano, entrou no local que aconteceria o treino indo em direção ao homem que já a esperava com uma expressão fechado no rosto.
— Bom dia — Alicia cumprimentou com uma gentileza que não era comum, afinal, não gostava muito dos treinos.
— Bom dia, vamos começar com os alongamentos e depois vai para a esteira — Ele respondeu sem dar a mínima atenção para a garota.
Alicia assentiu e respirou fundo, iria começar seu plano imediatamente. Se alongou ficando bem a vista do soldado, até o achava bonito, por isso havia escolhido-o para seu plano. Pediu ajuda algumas vezes durante o alongamento com a intenção de conseguir algum contato físico e até mesmo encontrar formas de deixar sua bunda contra o pau dele.
— Não sei o que está tentando fazer, mas para — O soldado falou afastando a garota de si. — Eu não vou arrumar problemas por sua causa.
— Eu não estou fazendo nada de mais — Alicia sorriu se aproximando dele — A não quer você queira que eu esteja fazendo algo, aí eu realmente estou — O tom provocativo arrepiou a pele do personal.
Alicia sequer sabia de onde estava vindo toda essa coragem realmente. Não tinha a menor experiência, não tinha nada além do visto em livros e filmes, mas tinha determinação para fazer, pois não queria que a primeira pessoa a tocá-la fosse Dominic.
— Eu não quero, vai para a esteira — Ele mandou, mas ela se manteve no mesmo lugar.
— Você quer sim, por isso sugeriu em voz alta — Alicia rebateu, e sorriu enquanto deslizava os dedos sobre o top, em um ponto entre os seios — ninguém precisa saber.
— Eu não vou morrer por causa de sexo, mesmo que seja com uma gostosinha como você — Ele falou firme e apontou para a esteira — Quinze minutos de esteira e chega desse assunto.
— Você não vai morrer e pensa bem, você não ia gostar de ser o primeiro a me tocar? E que mesmo que ninguém soubesse, ter pegado a futura mulher do chefe, você ainda teria uma satisfação pessoal — Ela falou sugestiva e se virou caminhando em direção a esteira.
— Você tem o rosto de um anjo, mas com certeza a personalidade de um demônio.
Alicia virou o rosto para o olhar depois do que ouviu e apenas sorriu dando de ombros. Já tinha plantado a semente que queria e tudo ocorreu exatamente como o planejado. E continuou com joguinhos e provocações por dias, em algum momento conseguiria atingir seu objetivo.
Até o dia em que Alicia ao final do treino decidiu usar o banheiro da academia, mas quando estava quase saindo, foi empurrada para dentro novamente pelo personal, que não parecia nenhum pouco em si. Ele virou o corpo da garota, colocando seu rosto contra a parede, e segurando em seu quadril fazendo com que ela ficasse com a bunda empinada para si.
— Queria tanto que eu te comesse, vou satisfazer seu desejo — o soldado falou enquanto uma mão deslizava pela barriga da garota e a outra começava a invadir seu short.
— É exatamente o que eu quero — Alicia respondeu, mas não havia muita emoção em sua voz.
Era o que ela queria, mas ao mesmo tempo, não. Ter sua primeira vez em um banheiro, de maneira tão agressiva, com alguém que não tinha o menor apresso, escolhido por ser bonito e um alvo fácil, definitivamente não era o que sonhava, mas era o que tinha escolhido. Percebeu que sequer havia sido beijada, mas sentia os dedos frios do soldado tocando-lhe a pele, e os lábios dele contra seu ombro.
Mas o momento seguinte foi um completo caos, o banheiro, felizmente espaçoso, foi invadido por dois homens do Dominic, que puxaram o personal para longe da garota com extrema violência, em seguida um terceiro apareceu, segurando no braço da garota, não dando tempo para ela processar o que estava acontecendo. Apenas a arrastaram dali, levando os dois para o meio da academia, onde Dominic estava parado, ao lado de Marcus, com um olhar de puro ódio e raiva.
— O quão burro tem que ser para achar que vai tocar na perola do chefe e ficar bem? — Marcus questionou.
— Ela quis, ela me seduziu, é tudo culpa dela — O homem tentou se defender. Alicia revirou os olhos, mas não disse uma palavra.
— Então você já está querendo sexo? Eu posso resolver isso, meu bem — Dominic falou ao se aproximar da menina, apertando o queixo da garota entre os dedos, marcando a pele clara — Se quer escolher ser uma puta, eu resolvo esse problema para você, não se preocupe.
— Eu odeio você — Foi tudo que a Alicia disse, e foi o suficiente para motivar Dominic a acertá-la com um tapa em seu rosto, marcando todos os dedos na face da garota.
— Pode odiar, isso não muda nada — Dominic respondeu com um sorriso maligno — Levem os dois para a sala de tortura.
— O que pretende fazer? — Marcus perguntou. Ignorando os gritos do personal que implorava por perdão enquanto era levado a força.
— Eu vou ensinar uma lição para essa vadiazinha que ela nunca vai esquecer — Dominic respondeu com raiva — Mas não vou machucá-la, porque não quero que a pele dela fique desfigurada.
— Divirta-se, eu preciso voltar para a cidade — Marcus deu de ombros — Só não esquece que você tem uma reunião hoje.
— O evento dos Spinelli? — Marcus acenou — Otto estará lá.
— Sem confusão, não queremos problemas nesse evento.
— Só vai ser divertido — Dominic sorriu, iria encontrar um jeito de provocar Otto, irritá-lo, ainda ficava mais satisfeito de estar indo torturar Alicia nesse momento.
Quando chegou ao local, o personal estava amarrado, pendurado de uma forma que deixava todo o seu corpo exposto, enquanto Alicia estava presa a uma cadeira. Dominic sorriu observando a cena. Parou em frente a garota, limpando uma das lágrimas silenciosas que escorriam por sua face.
— Espero que aproveite o show — Dominic falou friamente.
E por horas, em um show de horrores, Alicia foi obrigada a ver e ouvir o soldado sendo torturado, os gritos de agonia entravam em sua mente, lhe ensurdeciam, assim como a imagem do personal completamente ferido, desconfigurado, parecia uma cena de filme de terro. Mas era tudo real.
— Melo — Dominic chamou um soldado que rapidamente respondeu — Leve-a para Margo, a mande vestir uma roupa bonita nessa putinha e a leve para a boate, mas aquela particular, não deixe que ninguém toque nela, entendeu? — O soldado acenou — Mas eu quero que ela veja o que vai ser o futuro dela se decidir tentar me trair novamente.
Alicia foi levada, sequer tentava lutar contra, não tinha forças para isso. E depois que a arrumaram da forma como queriam que ela estivesse, Melo a levou para a boate, obrigando-a a ver tudo. Cada abuso e violência que acontecia no lugar, onde as mulheres traficadas eram obrigadas a viver e se vender para que pudessem ficar vivas.
Para Alicia era o segundo pior dia da sua vida, até então, o primeiro foi quando chegou na casa do Dominic.
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