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Capa do romance Desejo de Pecar

Desejo de Pecar

No catolicismo atual, o celibato clerical é visto como regra institucional, não como dogma, gerando debates sobre sua abolição. Enquanto diáconos permanentes conciliam o matrimônio com funções religiosas, padres permanecem restritos por leis dos Concílios de Latrão e Trento. O desejo por mudanças cresce no clero, propondo que a ordenação de homens casados seja permitida, mantendo a castidade apenas como escolha radical, desafiando normas seculares da Igreja.
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Capítulo 2

O relógio marca 08:25, os alunos começam a entrar na sala e se acomodarem em suas cadeiras. Início minha aula palestrando o tema Teologia, que é o estudo da existência de Deus, das questões relacionadas ao conhecimento da divindade e das tradições religiosas e seus contextos históricos. É um estudo científico da relação entre homem e religião, além do seu impacto na sociedade como um todo.

No fim da aula, todos recolhem as apostilas e levam com eles para se aprofundarem mais no assunto, além da minha aula presencial. Focar a mente dos seminaristas iniciantes é a peça chave primordial. Eles precisam ocupar o máximo de tempo com estudos, a leitura da Bíblia, aulas presenciais, palestras com vídeos na sala de teatro. Quanto mais focados na palavra de Cristo, menos tempo eles tem de lembrar do mundo fora daqui.

Ajeito os livros que emprestei da biblioteca aqui mesmo no seminário e me despeço de Martin, quando estou na porta de saída, ele me chama.

- Padre Matteo.

- Pois não Martin.

- Hoje e amanhã os seminaristas vão estar designados a limpeza dos quartos. O seu está incluso Padre, se importaria de se ausentar dois dias?

- Tudo bem. Eu passo o fim de semana em minha casa. Volto domingo a noite. Com licença.

Era sexta-feira, voltei para meu quarto e retirei com cuidado minha batina, eu geralmente dava aulas aos seminaristas com a batina ou a vestimenta de Padre. Acomodei ela no cabide e vesti o saco protetor. Eu iria levar comigo, pois sábado e domingo iria ministrar as missas na igreja Esplendor. Na mala coloquei meus itens pessoais, peguei o cabide com minha batina e saí do quarto, mas não sem antes me ajoelhar de frente ao crucifixo em minha parede e agradecer a Deus pelas benfeitorias em minha vida e agradecer de poder estar vivendo em sua presença.

Me despedi dos diáconos, presbíteros e sacerdotes do seminário e fui até o estacionamento onde estava meu carro. Acomodei minhas coisas no porta malas e entrei no banco do motorista. Segui rumo a minha casa, cerca de quase trinta minutos eu estava chegando na entrada do condomínio.

A portaria liberou minha entrada, respirei fundo e coloquei o pé no acelerador entrando para dentro. Minhas mãos começaram com uma sudorese, eu já sabia o porquê dessa reação no meu corpo, sabia muito bem. Entrei até o final, minha casa era a última no condomínio. Era um local de classe média, as residências eram sobrados sofisticados e com um gramado impecável, que era cuidado pelo jardineiro do condomínio.

Desacelerei o carro e virei o volante entrando na frente da minha casa. Como era um condomínio fechado, não havia portões, as casas eram separadas por cercas nas laterais, e nada mais.

Estacionei meu carro dentro da cobertura, desci e peguei minhas coisas no porta malas.

Era em torno de 15:45 da tarde, estava ensolarado e quente. Já dentro da casa, coloquei as chaves do carro na estante e abri as janelas, subi para o andar de cima indo até meu quarto, coloquei

minha batina no armário e fui abrir a janela para ventilar o ambiente. Não devia ter feito isso!

Puxei a cortina de linho bege e abri a janela de vidraça. Quando olhei para fora, logo a minha frente vi a garota na piscina nadando lentamente. Ela estava com uma vestimenta muito pequena e seu corpo estava praticamente todo exposto. O reflexo do sol batia na sua pele molhada e reluzia. Seus cabelos que mais parecem de fogo estavam esparramados na superfície da água. Ela submergiu da água e me viu na janela.

- Oi Padre Matteo.

balançou a mão acenando pra mim.

Ergui levemente a minha sendo simplesmente cordial.

- Não quer entrar na piscina comigo? Está muito calor hoje. ela gritou da água sorridente.

- Não, obrigado!

respondi seco.

Saí da janela, e me afastei para que ela não tivesse minha visão mais. Por Deus, como vou ficar no meu quarto em paz com essa garota na piscina bem na frente da minha janela. Sentei na cama e podia ouvir suas batidas de braço na água nadando. Ela estava com aquela mesma música tocando alto, Enigma - Return to Innocence. Todas as vezes que eu vinha para minha casa descansar, eu escutava daqui ela ouvir aquela música incansavelmente. Ela não se cansa de ouvir sempre a mesma música?

Desci para baixo e fui até a cozinha, peguei uma maçã na fruteira sob a mesa e cortei em quatro partes. A irmã Scarlet costumava vir durante a semana cuidar da limpeza da minha casa, e ela deixava alguns alimentos toda sexta de manhã frescos pra mim. Me sentei

na escadaria, e ainda sim eu ouvia ela se debatendo na água e risos, ela ria sozinha.

Depois que comi ali mesmo na escada a fruta, fui para a sala e me sentei na poltrona, coloquei meus óculos de leitura e abri a Bíblia, estava lendo Genesis, o versículo que dizia sobre a criação da mulher.

" Mas, o Altíssimo criou Adão e Eva para serem seres livres, capazes de escolher entre o bem e o mal. Deus queria que o amor dos seres humanos para com Ele fosse por livre e espontânea vontade, e não algo imposto."

Notei que os barulhos de água haviam cessado. Agradeci por aquilo, eu estava perturbado com ela se debatendo constante com aquelas vestimentas ao lado da minha casa. Voltei minha atenção de novo a leitura na poltrona, quando ouvi a campainha tocar, duas vezes seguidas.

Quem poderia ser? Eu não costumava receber ninguém quando vinha pra cá. A única pessoa que vinha até minha residência era a irmã Scarlet para fazer a faxina semanal. Mas hoje não era o dia dela vir. Apoiei meus óculos sob a Bíblia na mesa ao lado e me

levantei da poltrona, girei a chave destrancando a porta. Quando abri, era a encarnação do demônio na minha porta.

- Oi Padre Matteo.

ela disse com um sorriso largo.

- Pois não. Algum problema no condomínio?

- Sim, porém na minha casa. Minha porta do guarda roupas caiu e eu não sei colocar de volta. Precisa usar a chave de fenda.

Olhei aos arredores brevemente para ver se não havia algum vizinho observando. Ísis era chamativa, e falava alto. E o pior de

tudo, ela estava na frente da minha porta trajando aquela vestimenta promíscua. Era um tecido muito pequeno e de cor branca, e estava molhado. Por Deus!

- Não posso ajudar. Não tenho chave de fenda, com licença. Me afastei para fechar a porta.

- Mas eu tenho Padre, aqui está. Só não sei colocar a porta de novo. Pode me ajudar?

ela levantou de uma de suas mãos a ferramenta.

Sorri desconfortável, sua audácia era surpreendente todas as vezes que ela vinha até mim.

Ela continuava ali, parada na minha porta esperando uma resposta com um sorriso no rosto, e com aquela roupa promíscua. Eu olhava seu rosto, ou baixava meu olhar para o chão evitando ao máximo ver seu corpo. Minha vontade era fechar a porta e passar as chaves, mas minha educação não me permitia agir com essa grosseria.

- Você pode pedir ao seu pai para ajudar você.

eu disse esperando que ela concordasse e saísse dali.

- Ele não está em casa. Só volta amanhã, e eu preciso da minha porta encaixada.

Ela estendeu a chave de fenda na minha direção e me olhava de uma forma muito estranha, eu fiquei muito nervoso com aquele olhar que ela me lançou e senti meu rosto queimar.

- Estou um pouco ocupado agora. Estou lendo a Bíblia. Ela sorriu de orelha a orelha.

- É mesmo? Está lendo o que?

- Sobre a criação do Senhor.

- Muitos dizem que a melhor obra que Deus fez foi a mulher. Você não concorda Padre Matteo?

Ela disse e jogou seus cabelos de fogo pro lado e deu uma volta na ponta dos pés sorridente. Depois que girou, espalmou suas mãos com as unhas pintadas da cor do pecado, de um vermelho forte em meu peito.

- A melhor criação foi Os Dez Mandamentos. Acho que todos deveriam cumprir as leis de Deus.

eu disse a ela calmamente.

Ísis passou por mim e entrou dentro da minha sala, fiquei estarrecido. Ela tinha que sair dali o quanto antes. Já dentro, viu a Bíblia apoiada na mesa ao lado da poltrona e se jogou sentando com aquela vestimenta molhada e pegou minha Bíblia nas mãos.

- Padre, você poderia me mostrar onde está as leis dos dez mandamentos? Eu não lembro de todos eles.

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