Capa do romance Depois que eu te conheci

Depois que eu te conheci

9.3 / 10.0
Em Depois que eu te conheci, Marcos enfrenta um casamento de conveniência após um acidente. Enquanto busca sua noiva desaparecida, ele lida com sentimentos reais por sua esposa. Leia esta romance novel e descubra os segredos dessa modern novel disponível entre os fiction books.
Resumo de Depois que eu te conheci
Após sobreviver a um grave acidente, a vida de Marcos toma um rumo inesperado ao aceitar um casamento de conveniência com uma mulher totalmente desconhecida. Enquanto ele dedica seus esforços para localizar sua antiga noiva, que desapareceu misteriosamente, sentimentos novos começam a surgir. Em meio à busca incessante por respostas sobre o passado, ele se vê surpreendido por uma paixão profunda e inevitável por sua atual esposa.
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Depois que eu te conheci Capítulo 1

“Bang!” O som seco ecoou pela mansão silenciosa, quebrando a paz da madrugada. Clara, assustada, correu para a sala segurando uma vassoura como se fosse uma arma improvisada. Ao seu lado vinha Rosa, a fiel empregada que trabalhava para a família havia mais de vinte anos. O coração de Clara batia acelerado, cada passo ecoava no corredor escuro, e o medo de encontrar algo terrível a consumia.

Ao entrar na sala, Clara ouviu um choramingo familiar. Com mãos trêmulas, acendeu a luz e a cena se revelou diante dela: sua irmã mais velha, Júlia, caída no chão, com um corte profundo na perna. O sangue escorria pelo tapete caro, tingindo de vermelho o tecido claro.

— Júlia, minha filha, o que aconteceu? — A voz aflita da mãe de Júlia, que também era madrasta de Clara, ecoou pelas escadas. A mulher desceu apressada, o rosto marcado pela preocupação. Ao ver o sangue, lançou um olhar rápido para Rosa, que já discava para a ambulância, e para Clara, que permanecia imóvel, observando a cena com uma mistura de choque e impotência.

— Clara, você não vê que o chão está cheio de vidro quebrado? Se apresse em limpar tudo antes que sua irmã se machuque ainda mais! — ordenou a madrasta, com um tom ríspido que não deixava espaço para hesitação.

Clara correu para a cozinha, pegou a pá e começou a recolher os cacos de vidro. Cada pedaço refletia a luz da sala, como pequenas lâminas prontas para ferir. Enquanto limpava, sentia o olhar de Júlia sobre si. A irmã, mesmo ferida, sorria. Era um sorriso estranho, carregado de malícia, e Clara sabia, melhor do que ninguém, que aquele sorriso era um prenúncio de problemas. Mais uma vez, ela seria a culpada.

Pouco depois, o pai chegou em casa. Antônio entrou apressado, os olhos azuis arregalados de preocupação. Ao ver Júlia e a esposa, correu até elas.

— Como isso aconteceu, filha querida? — perguntou, a voz carregada de emoção.

Júlia, que até então sorria, começou a chorar. Mas não era um choro de dor, era um choro teatral, diferente, calculado. Clara observava de longe e não conseguiu conter um sorriso amargo. Para ela, era evidente como o pai e a madrasta se deixavam enganar pela encenação da filha.

— Não chore, filha. Rosa já ligou para a ambulância, logo eles chegarão — disse a madrasta, tentando acalmar Júlia.

O som de um carro estacionando do lado de fora interrompeu a cena. Uma enfermeira entrou rapidamente, tratou o ferimento de Júlia com eficiência e partiu sem demora. O corte, embora profundo, não era grave.

— Clara, você deve ajudar sua irmã com o curativo todos os dias até que ela esteja boa novamente — disse Antônio, com indiferença. Para ele, Clara não era mais do que uma estranha sob o mesmo teto.

— Farei o meu melhor para que ela esteja boa — respondeu Clara, engolindo a mágoa.

Júlia foi levada ao quarto, onde ficaria de repouso. Clara, exausta, foi até a cozinha beber água. Rosa se aproximou.

— Clara, você deveria ter dito ao seu pai que conseguiu um emprego — comentou, com um olhar preocupado.

— Ele não se importa. Desde que eu esteja aqui para servir à esposa dele, nada mais importa. Além disso, já desisti da vaga — respondeu Clara, com resignação. Era jovem e bonita, mas nunca reconhecida. Sua irmã, mesmo menos atraente, era sempre exaltada como a “senhora perfeita” da família Sue.

— Não pense nisso, menina. Somos apenas empregadas. Quando não quiserem mais nossos serviços, seremos descartadas — disse Rosa, com amargura.

Clara sabia que Rosa tinha razão. Fugir da mansão era impossível. Sem dinheiro, sem apoio, sua vida fora dali seria ainda mais dura.

Os dias passaram. Clara dedicava-se inteiramente a Júlia: ajudava-a a caminhar, trazia comida, cuidava dos curativos. O ferimento cicatrizava rápido, mas Júlia continuava a exigir atenção. Três dias depois, já andava normalmente, mas reclamava de ter engordado. E, como sempre, culpou Clara.

— Pai, estou assim por culpa dela! — disse Júlia, chorosa.

Antônio, irritado, ordenou:

— Chame Clara no meu escritório agora.

Clara, naquele dia, já havia sido empurrada da escada pela irmã e trabalhado com dores no corpo. Ao ouvir o chamado, respirou fundo. Rosa tentou impedi-la, mas Clara apenas sorriu com tristeza.

— Não se preocupe, já estou acostumada a essa vida — disse, antes de seguir para o escritório.

Ao bater na porta, ouviu a voz fria do pai:

— Entre.

— Pai, por que me chamou? — perguntou, hesitante. Era raro poder chamá-lo de pai, apenas em momentos a sós.

— Pai? Você acha que eu sou pai de alguém como você? Uma bastarda que só faz coisas erradas! — respondeu Antônio, com desprezo.

Clara sentiu o coração apertar. Os hematomas da queda ainda doíam, mas ela se mantinha firme, engolindo o choro.

— Eu não entendo… — murmurou.

Antônio, com cabelos grisalhos e corpo pesado, olhava para ela sem ternura. Seus olhos azuis eram frios, distantes.

— Você é uma simples bastarda. Não sei como aceitei criar você. Era melhor ter deixado em um orfanato. Agora tenta prejudicar sua irmã? — acusou.

Clara não acreditava no que ouvia. Jamais faria mal a Júlia.

— Hoje irei lhe punir. Se repetir algo semelhante, não me culpe. É meu direito como pai educar meus filhos — disse, tirando o cinto.

O couro cortou o silêncio da sala. Clara não gritou, não implorou. Apenas deixou as lágrimas escorrerem em silêncio. Cada golpe era uma marca não apenas no corpo, mas na alma.

Com dificuldade, saiu do escritório e foi para o quarto. Sentou-se na cama e chorou baixinho, tentando não incomodar ninguém. Quando Rosa entrou, Clara rapidamente limpou o rosto e pegou uma toalha para ir ao banheiro. Mas ao se levantar, a toalha caiu, revelando a roupa manchada de sangue.

— Clara, você está bem? O que seu pai queria? — perguntou Rosa, aflita.

— Estou bem. Ele não queria nada… — respondeu Clara, tentando esconder a dor.

Mas Rosa viu. Viu o sangue, viu a verdade. E naquele instante, compreendeu que Clara carregava um fardo muito maior do que qualquer trabalho na mansão.

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