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Capa do romance Depois da meia-noite - Um  ano com o CEO

Depois da meia-noite - Um ano com o CEO

Clarisse se prepara para um luxuoso banquete familiar quando um voo atrasado cruza seu caminho com o de Armando, um CEO focado em sua agenda exaustiva. No Rio de Janeiro, o encontro casual se transforma em uma paixão avassaladora. No entanto, o romance entre a jovem e o advogado enfrentará provações severas. Traições inesperadas, reviravoltas dramáticas e intensos conflitos familiares surgem como obstáculos no caminho desse novo e conturbado amor.
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Capítulo 2

Ela subiu as escadas da sala, pé ante de pé, ao que seu vestido se agarrava ainda mais ao seu corpo, denotando as tardes de malhação na capital. Havia uma mensagem de texto não lida. Era dele. Uma confirmação para o encontro daquela noite.

Os planos de Clarisse para o natal em Belo Horizonte envolvia meias vermelhas, gorro e muita gostosura, entretanto não seria presenteada por ter se comportado todo o ano. O papai Noel que a visitaria levaria uma recompensa justamente pela moça ter sido uma diabrete o ano todo.

Ela não fazia o gênero comportada, por isso os homens que se envolviam com ela sabiam que estariam mexendo em colmeia. A abelha rainha estava disposta a melar quem que ousasse ser digno de entrar nos seus aposentos.

A moça, sorrindo para a tela do celular acesso, digitou uma mensagem rápida e guardou o aparelho nas dobras do vestido na altura busto. Já que estava no quarto, fechou a porta e foi ao banheiro. Viu sua imagem no espelho e fez caretas sensuais para si mesma.

– Está ai dentro, querida?

Tia Marie bateu, nervosamente, à porta. A moça crispou os lábios, lançou um beijinho para o seu reflexo no espelho e saiu para atender a tia.

– Estava um pouco apertada – falou ela, entortando a perna para sustentar a mentira.

– Há um banheiro no andar de baixo, esqueceu?

– Eu, hã... me esqueci. Na verdade, vim dar uma retocada na maquiagem.

– Vaidosa como sempre. Agora vamos beliscar alguma coisa, meu bem – chamou a tia, conduzindo ela para a sala de jantar.

Mathilde forrou a mesa com pães, doces, sucos e folhados preparados ainda naquela manhã. As duas se sentaram e se serviram aos poucos. Clarisse puxou uma torrada e a cobriu com geleia de morango caseira.

– Mathilde sempre se supera com essas geleias – elogiou Clarisse.

– Morango, goiaba, abobora e framboesa – Marie listou mentalmente os sabores que a cozinheira preparava. – Lembra-me de pedir que ela embrulhe uns potes para você levar de volta.

– Com certeza que vou lembra-la.

– Já conheceu algum bom partido nesse meio tempo?

– Bem, digamos, que a viagem até aqui me rendeu um encontro – disse Clarisse passando o cartão de visita para a tia.

– Clarisse, deixe-me ver melhor isso aqui – a mulher altivou os olhos e fez uma carranca de felicidade ao ler. – Hum. Este aqui é empresário e provavelmente tem uma casca de noz no lugar do cérebro. Tirou a sorte grande, meu bem.

– Nem tanto. Eu não sou mulher de cantar vitória antes da hora, titia. Conheci Armando por um simples acaso, agora depende de alguns macetes para levantar toda a vida e as condições em que se encontra essa tal empresa.

Marie sorriu numa forma de parabenizar a audácia da sobrinha. Tomou mais um gole de suco que ela misturou com um liquido transparente de uma garrafa que estava posta atrás da mesa, em um aparador com outras bebidas.

– Alcool uma horas dessas, titia? – ralhou Clarisse, puxando a garrafa de prata da mão da tia e misturando o liquido do conteúdo ao seu suco. – Brindamos, então...

– À audácia feminina – comemorou Marie erguendo a taça.

– Que por sorte está em nosso sangue.

Brindaram em silencio. Marie tornou a guardar sua garrafa pessoal no aparador e mordiscou um pedaço de brioche coberto com requeijão.

– Agora me diga uma coisa, titia, os preparativos para a ceia já estão à postos?

Marie enrugou a testa e lambeu um pouco de geleia que escorria pelos seus dedos.

– Seu tio não tira a ideia da confraternização ser realizada na sede da empresa. Eu já deixei bem claro minhas condições para essa comemoração.

– E... quais são?

– Bom, querida, eu não acho muito produtivo uma comemoração gigantesca para mais de mil funcionários em plena noite de natal. Os solteiros e descompromissados, é claro, vão adorar a ideia de curtir mais de doze horas de balada, bebidas grátis e muita saliência...

– E tem coisa melhor, titia? – Clarisse tomou um gole de suco e piscou para a tia.

– ... imagine as famílias tradicionais e conservadoras que também compõe o quadro de funcionários? Com toda a certeza não vão trocar seus lares e suas ceias para se amontoarem com jovens fedendo a cigarros e álcool. E eu também não estou nem um pouco a fim de participar de festas repletas de proletariado.

Marie e Clarisse riram da declaração e terminaram o café em poucos minutos que se sucederam em mais conversa fiada sobre festas e ceias de natal. A tia estava decidia a não cooperar com os planos do marido, mesmo que ele estivesse disposto à todo custo.

Clarisse, que soubera pela tia da confusão da ultima festa, evolvendo sua prima de São Paulo, tinha em mente que talvez a festa foi adiada para o réveillon, entretanto os seus primos ainda votariam para a decisão final.

Os Albuquerque eram metódicos e regiam sua família como se todos fizessem parte de uma grande empreitada. As maiores decisões e eventos eram decididos por meio de votos. Miles, Brian e Caleb tinham 10% de autonomia cada, tanto nas reuniões de família quanto na empresa. Marie detinha 25% , Claude 30% e os outros 15% ficavam a cargo dos outros acionistas. Nas reuniões de família cada um deles tinha 35% para melhor aproveitamento das decisões.

– Assim que seus primos e seu tio chegarem vamos ter uma votação em família e esse peso vai sair das minhas costas – falou Marie.

– O que te faz acreditar que Caleb, Miles e Brian vão ficar do seu lado, titia?

– Mimos, Clarisse. Esses três não passam de meninos assustados que não deixam a barra da saia da mãe. O segredo é fazê-los crer que são mais do que isso, como eu faço com Claude.

Depois de terminar seu break fast ao lado da tia, Clarisse pôde, enfim, subir para o quarto sem ser incomodada. Sua mala rosa já havia sido deixada lá por Miles antes do primo sair sem avisar.

Se jogou na cama e respirou fundo. Com toda a certeza, aquele quarto fora utilizado por sua outra prima quando a mesma veio passar férias com a família. Nunca tivera contato com ela, nem com a parte da família que se localizava em São Paulo.

Clarisse Correa arriscara alguns pontos cruciais quando decidiu passar o feriado natalino na casa dos Albuquerque. Antes mesmo de cogitar a ideia, uma jornalista sensacionalista havia enviado um email para ela, destacando uma matéria imensa e inescrupulosa sobre Verida Sampaio e o happy hour que acontecera na data em questão da vinda da prima.

Sua mãe não aprovara a viagem, brigara com Marie mesmo antes da irmã se casar com Claude e, a partir de então, assumir seu sobrenome e começar a arrotar arrogância em festas de caridade do Rio de Janeiro.

Clarisse não tinha queda por seus primos, ao contrário de Verida, seus planos eram mais ambiciosos do que seduzir parentes e conquistar ações majoritárias da empresa. Ela já havia estudado muito bem cada um de seus familiares com que dividiria a casa nos próximos dias. Conhecia suas personalidades e iria jogar conforme eles estavam acostumados.

Ela bancaria a moça do interior que finge ser a puritana vingenzinha e está louca para fisgar seu milionário, seja ele quem for. Homens são os seres mais previsíveis, e ao simples modo de ataque, ela acionaria suas armas intelectuais, e como uma serpente quieta em seu covil que espera um mínimo ruído de seus predadores, ela daria o bote certeiro.

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