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Capa do romance Depois da meia-noite - Um  ano com o CEO

Depois da meia-noite - Um ano com o CEO

Clarisse se prepara para um luxuoso banquete familiar quando um voo atrasado cruza seu caminho com o de Armando, um CEO focado em sua agenda exaustiva. No Rio de Janeiro, o encontro casual se transforma em uma paixão avassaladora. No entanto, o romance entre a jovem e o advogado enfrentará provações severas. Traições inesperadas, reviravoltas dramáticas e intensos conflitos familiares surgem como obstáculos no caminho desse novo e conturbado amor.
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Capítulo 3

21 de dezembro

Antes mesmo de todos na casa despertarem, Mathilde já se colocava de pé e esperava por Rosa, sua auxiliar nas tarefas da mansão.

– Anda, menina. O seu Claude já, já desce aqui e se o café dele não tá pronto, já viu. – A copeira se agitava para cima de Rosa e corria por toda a cozinha pegando pratos e xicaras.

– Calma, mulher – falava a auxiliar. – O café tá pronto. Já pôs a mesa?

– Já pus tem muito tempo.

– E você madrugou na cozinha, é?

– Não interessa. Anda logo. Termina de arrumar o café os pães na mesa e volta pra cá e vê se a copa tá limpa.

Rosa saiu bufando da cozinha com o bule de café fumegante na mão. Alguém vinha descendo a escada e parado junto ao ultimo degrau, olhando para a sala de estar. A auxiliar viu uma cabeleira preta presa sobre um capuz e deduziu ser a prima distante.

– Dona Clarisse? É a senhora? – Ela chamou, depositando o bule em cima da mesa.

Uma mulher saiu do cômodo escuro e encarou Rosa. Era Clarisse. Estava vestida com um robe preto com capuz.

– De pé a essa hora, senhora? Acordou com o barulho daqui de baixo...?

– Não se preocupe, meu bem. Tenho costume de acordar cedo. Posso me servir de café?

– Bem... – Rosa se empertigou com a ação de Clarisse em querer tomar café antes dos seus tios descerem para a sala de estar.

– Pode sim, dona Clarisse. – Rosa se intrometeu na conversa e respondeu.

A mulher apertou o cordão do robe e despiu-se do capuz. Rosa e Mathilde a observaram atônitas se sentar à mesa e encher uma xícara de café.

– Seu Claude não vai gostar disso – sussurrou Rosa para Mathilde. – O homem não gosta nem que a esposa dele se sirva antes dele descer.

– Eles que são ricos que se entendam – rebateu Mathilde.

Na sala de estar, Clarisse puxou o celular do bolso do robe e abriu na tela uma página do Instagram enquanto tomava seu café. Algumas fotos e vídeos surgiram diante de seus olhos, fazendo a moça sorrir para uns rostos e torcer o nariz para outros.

Dentre esses supostos desconhecidos, a moça clicou na foto de um homem alto, trajado com um paletó preto de risca de giz, segurando uma pasta de couro nas mãos. Seus olhos eram familiares. Ela visualizou o perfil da conta. Era de Armando.

O perfil não tinha muitos seguidores tampouco fotos e vídeos variados. Não passava de um portifolio para o rapaz demonstrar seu trabalho como administrador, havia mais folders ilustrativos com regras e passo a passo do que poses do novo administrador.

Rosa e Mathilde já tinha enchido a mesa de pães e alguns croissants. Clarisse mordiscou um e tomou um gole de café. No andar, alguns passos bateram no assoalho e Marie adentrou à sala.

– Você tem a mania da sua mãe, Isse. – Marie deu um tapinha no ombro da sobrinha e puxou uma cadeira. – Lembro que sua vó brigava comigo por dormir demais...

– ... e elogiava mamãe por acordar com as galinhas – completou Clarisse. – Ela continua assim.

Clarisse apagou a tela do celular e o cobriu com o robe. Sua tia já enchia uma xicara e mordia uma rosquinha de leite que havia passado manteiga fresca. Marie esperava por Claude. Faltava 2 dias para a ceia de véspera de Natal, e as compras precisavam ser feitas.

Rosa teria que se desdobrar para acompanhar Mathilde na correria que se instalaria na mansão dali algumas horas. Miles e Claude vinham descendo as escadas, numa conversa nada estimulante sobre carros e cavalos.

– Você ainda vai ver muita coisa desse universo, garoto. – Claude vinha descendo as escadas quando se deparou com a sobrinha e a esposa sentadas à mesa. – De pé tão cedo, Marie? Que surpresa. Clarisse por outro lado puxou a mãe.

Marie revirou os olhos e continuo bebericando seu café.

– Mamãe levanta antes do sol nascer – confirmou a sobrinha.

– Imagino que tenham muito trabalho na... bem, chácara de vocês.

– Na verdade, papai comanda uma fazenda enorme – corrigiu Clarisse com um ar de superioridade. Ela sabia que o tio adorava menosprezar quem quer que ganhasse menos dígitos que ele na conta bancária. O que Claude não tinha em mente era que, Alberto Correa Campos, pai de Clarisse, herdara o triplo de terras que tinha há dois anos com a morte de seu pai, fundador dos negócios agropecuários desse outro lado da família.

O tio crispou os lábios e emitiu um meio sorriso.

– Certamente que sim. – Claude não era um homem que se dobrava fácil, sobretudo por uma mulher, entretanto se recusou a iniciar uma discussão com Clarisse na mesa do café da manhã.

– Miles está te incomodando, tio Claude? – Clarisse pegou uma torrada e encarou Claude, animadamente.

– Eu? Só acho que hipismo e camaros são assuntos distintos. Um homem tem suas preferencias, não tem? – ponderou Miles, passando manteiga fresca numa rosquinha salgada.

– Bobagem. Homens são homens. Há vários assuntos que incluem nossa personalidade. Se abster de opinião é um sinal de fraqueza intelectual masculina – Claude discordou.

Clarisse riu e Miles a acompanhou. Dar continuidade numa afirmação bizarra era se submeter a concordar que loucos não rasgam dinheiro. Claude e Marie trocaram poucas palavras. O marido não tirava da cabeça a ideia de uma confraternização na empresa e a mulher já havia esboçado planos mais íntimos para a família.

A sobrinha se divertia com a briga entre os dois. Decidia a plantar ainda mais discórdia, do contrario não teria uma solução viável para a ceia de natal em conjunto, ela sugirou algo mirabolante.

– Uma festa aqui na mansão parece algo bem suscetível para ambos darem uma trégua.

– Você está doente, querida? Deve haver algo a mais no seu café? – Marie riu alto da ideia de Clarisse. – Acha que vou abrigar uma multidão de empregados na minha sala, sentando-se no meu sofá e bebericando meu vinho?

Soberba era a marca registrada dos Albuquerque. Marie esbanjava dinheiro por onde passava. Adquiria bens que não tinha necessidade, andava pelas ruas da cidade, de loja em loja, brandindo seu cartão e expurgando qualquer boa fama que a cercava.

A mansão tinha uma estrutura gigantesca, e mesmo se o tamanho da casa fosse um problema, bastava uns míseros telefonemas e Claude reservava o melhor lugar do Rio de Janeiro para sua festa de natal. Não havia um motivo real para a resistência de Marie em fazer a tal confraternização.

Clarisse arqueou as sobrancelhas e pensou a respeito. Desde que chegara a tia não parara de falar na objeção em deixar que o marido realizasse uma comemoração com os funcionários. Provavelmente havia algo mais escuso nisso que um simples mal gosto.

– Clarisse, meu bem, escuta aqui a tia. Não tem possibilidades de eu ceder nessa discussão. Se Claude quiser um jantar em família, ele terá. Do contrário, Pode passar a ceia ao lado de funcionários no botequim da praia de Copacabana, pois na minha casa não entra ninguém que não divida nosso tipo sanguíneo.

– Menos Mathilde e Rosa, mamãe. Você não sabe cozinhar sem elas – Miles caçoou, rindo alto.

– Pois bem, faça como quiser. – tio Claude tomou o café numa golada só, sujando os fios do bigode. – Eu tenho trabalho hoje cedo. Bom dia, Clarisse.

Enfatizando o nome da sobrinha, o homem saiu batendo os pés escada acima.

– Foi algo que eu disse?

– Não ligue para esse velho turrão do Claude. Faltam só 2 dias para o natal e a lista de preparativos é mais longa que meu limite do platinum.

Piada de rico nunca tinha graça. Clarisse sorriu por modéstia, mas também se retirou da mesa.

– Volto já.

À caminho do banheiro, no andar de cima, Brian deu um esbarrão bem saliente em Clarisse.

– Desculpe, eu...

– Calma, priminha. Foi minha culpa – falou o cara. O olhar dele era mais provocador do que suplicante em um pedido de desculpas. – Eu já estava indo tomar café.

– Pois, eu já terminei o meu – rebateu Clarisse. – Sua mãe e seu irmão ainda estão lá. Pode ir.

– Acho que te acompanhar seria melhor. – Brian chegou ainda mais perto dela e falou bem próximo ao seu rosto.

O celular no bolso do roupão de Clarisse vibrou. Ela gemeu baixinho. O aparelho estava posto bem em cima de sua região intima.

– Pelo visto você curte brincadeiras caseiras, não é mesmo?

– Isto é um celular, seu imbecil – ela xingou, puxando o aparelho. – Mas, acho que faz melhor que o seu. Com licença.

Ela bateu forte em seu ombro quando correu para o banheiro. Baixou a tampa do vaso e se sentou para ler uma mensagem.

Armando a seguira de volta. E ainda por cima, deu match em muitas de suas fotos. Ela riu e guardou o celular. Não era mais uma adolescente boba para se alegrar de algo tão ínfimo.

O primeiro contato entre um homem e uma mulher sempre será tido como um momento decisivo. O homem pode estar cheiroso, arrumado, todo engomadinho e ainda parecer um tremendo babacão. Não é isso que importa. A mulher sabe muito bem que o contato entre ela e um homem pode ser destruidor se não fluir da maneira certa.

Não é nenhum dos dois que dita essa tal maneira. Os saltos altos e uma bolsa de grife também não. Nem perfume ou batom. O que dita e marca para sempre o relacionamento entre ambos, a partir do primeiro contato, é o famigerado elo.

Alguns filósofos do amor o chamam também de química. Essa suposta química faz uma mulher correr para o banheiro quando recebe uma notificação besta – em sua opinião – de um aplicativo para adolescentes, trazendo uma ação feita por um homem com quem teve seu primeiro contato em um avião.

Clarisse podia não estar interessada em Armando, mas algo atraiu sua atenção por longos minutos sentada naquele banheiro.

A moça não sabia bem o que era, então decidiu anotar tudo o que lembrava sobre ele.

Lista sobre tudo o que lembro dele. Foi assim que ela a chamou. Ela pontuou:

Cabelos bonitos, lisos e cheirosos – dava para sentir o perfume do creme de cabelo dele enquanto conversávamos.

Seu toque – quando ele roçou os dedos na minha mão, ao devolver minha revista – fiquei toda arrepiada, mas é normal, né.

O perfume amadeirado dele – só direi isso: Espetacular.

O sorriso dele era meio bobo.

– Ponto, garota besta. Agora, sim, está parecendo uma adolescente, Clarisse Correa. – O seu reflexo no espelho fez uma careta e ela saiu do banheiro, indo direto para o quarto.

Segurando forte o aparelho em suas mãos, ela sofria um dilema: Retribuía ou não o tal match? Era somente uma curtida no perfil de Armando e ele não pararia de persegui-la. E era não queria aquilo. Um homem preso na barra de sua calça? Nem pensar!

– Seja o que Deus quiser. – Ela deu uns cliques na tela do celular e o jogou na cama, pulando por cima e agarrando o travesseiro.

Estava feito. Ela dera o match.

– Que palavra estranha. Match. Invasão de privacidade, isso, sim.

Mas, agora não tinha mais volta. Tinha que esperar a reação da outra parte envolvida. Então, ela preferiu dar um tempo da rede social e viver a realidade. Tia Marie sairia para fazer compras de natal, ela a acompanharia. Tomou um banho rápido e ficou olhando para sua mala.

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