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Capa do romance Depois da Dor

Depois da Dor

Leonardo é um advogado influente que superou diversos obstáculos para alcançar o sucesso e a plenitude afetiva. No entanto, sua trajetória não segue um roteiro de fadas. Um golpe cruel do destino destrói sua paz, transformando o homem realizado em alguém gélido e depressivo. Enclausurado em sua amargura, ele vê passado e futuro se colidirem. Resta saber se o jurista conseguirá curar seu coração partido e se permitir uma nova chance de amar novamente.
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Capítulo 2

Londres

Dias atuais

Leonardo

Como todas as sextas-feiras após sair do tribunal, passo em minha casa, tomo um banho, coloco um jeans e camiseta, converso com Mirella e Mateus ao telefone e sigo para um bar e prostíbulo que tem um pouco afastado da cidade.

Assim que sento, peço meu whisky duplo e puro de sempre e acendo um cigarro, depois da terceira rodada eu escolho uma das garotas e subo para um quarto, já tem um tempo que venho aqui e os funcionários do local já conhecem a minha rotina e sabem que não gosto de conversar.

A garota me segue em silêncio, quando entramos no quarto, mando ela tirar a roupa, assim que ela o faz, mando se aproximar e tirar a minha roupa, reparo em seu rosto e me recordo que já a comi outras vezes, melhor assim, não preciso perder tempo explicando o que ela pode ou não fazer.

Ela retira minha camisa e segue desabotoando minha calça e a descendo, levando junto minha cueca, nem a deixo levantar.

— Chupa! —

Ordeno e ela me abocanha, ela tira sua mão do chão, fazendo menção de me acariciar.

— Não! Mantenha suas mãos no chão.

Seguro sua cabeça e começo a estocar em sua boca, fico ali, tentando descontar meu estresse, quando estou bem duro retiro de sua boca, coloco o preservativo e falo.

— Fica de costas para mim. —

Ela faz o que mandei, então a empurro até a parede, onde ela apoia as mãos.

— Separa um pouco as pernas. —

Ordeno enquanto me aliso, a deixo na parede como se ela fosse ser revistada, então encosto por trás, seguro em sua cintura, uma mão minha desce conferindo se ela está lubrificada, afinal não quero machucar a garota.

— Tá seca Porra! —

Resmungo a soltando e olho em volta, ela sai da posição que estava.

— Não mandei se mexer, fica parada aí. —

Pego um lubrificante que tem a disposição no quarto, passo em minha mão e volto a encaixá-la por trás, esfrego minha mão nela, espalhando bem o lubrificante, me posiciono e vou entrando devagar, assim que estou todo dentro eu começo a estocar forte, estoco com raiva, até derramar minha porra toda no preservativo.

— Arghhhhhh, caralhoooo! —

Saio de dentro dela, vou ao banheiro, descarto o preservativo dando um nó antes de jogá-lo no lixo, me limpo, volto ao quarto, me visto e desço, tomo mais uma dose de whisky enquanto fumo um cigarro, pago pela bebida, pela garota, pelo quarto e lubrificante, volto para minha casa.

Assim que chego, pego uma garrafa de whisky e me jogo no sofá, bebendo no gargalo mesmo, esse horário a empregada já foi embora e até segunda-feira pela manhã estarei completamente sozinho.

Fico ali, contemplando a minha merda de vida até apagar no sofá mesmo. Acordo no dia seguinte, por volta das onze da manhã, vou à cozinha e preparo um café preto bem forte, assim que fica pronto, tomo uma caneca bem grande, sem açúcar, vou para o meu quarto, tomo um banho e me jogo em minha cama, por volta das três da tarde levanto, coloco uma lasanha congelada no micro-ondas e como, lavo, seco e guardo a louça que sujei pois não suporto bagunça e sigo para a academia que tenho em casa, fico ali fazendo diversos exercícios para ficar bem exausto. Até que olho no relógio e já são cinco e quarenta da tarde, corro tomar um banho, porque sei que quando der dezoito horas Mirella irá me ligar, não importa o dia da semana, o que está acontecendo, ela me liga religiosamente todos os dias as dezoito horas e nem sei como ela consegue, já que lá são apenas duas da tarde, mas ela não falha e eu não sou nem louco de não atender.

Uma vez meu celular descarregou, quando eu dei por mim e coloquei no carregador já era tarde da noite, acabei deixando para falar com ela no dia seguinte, de manhã vi que tinham mais de cem mensagens dela e quando eu liguei era o dela que estava na caixa postal, fui trabalhar, pensando que falaria com ela no fim do dia, na hora da ligação, mas perto da hora do almoço eu fui surpreendido no meu gabinete. A maluca pegou Mateus e se enfiou no último voo da noite anterior que saiu de São Paulo com destino a Londres.

Flashback ON...

Estou sentado em meu gabinete estudando um caso quando ouço uma batida na porta.

— Entra. —

Assim que a porta abre, um pequeno furacão em forma de mulher entra correndo e se joga em meus braços começando a chorar.

— Nunca mais faça isso, eu achei que tinha acontecido alguma coisa com você. —

— Ei! Pequena, não chora, o que aconteceu? O que você está fazendo aqui? —

— Você não me atendeu, seu celular só dava fora de área, eu achei que tinha acontecido alguma coisa. —

Vejo Mateus encostado no batente da porta rindo, ele me olha e logo diz.

— Porra cara, passei a noite em um assento de avião por sua causa, como você está irmão? —

— Tudo na mesma, desculpa pequena, meu celular descarregou, quando percebi já era de madrugada, achei que não teria problema falar com você só a noite. —

Ela me solta e me analisa por um instante.

— Não faça mais isso, eu vou sempre ligar as dezoito horas, portanto esteja pronto para me atender, ou largo tudo e corro para cá, agora vem, você vai nos levar para almoçar. —

Saímos para o almoço e eu pergunto como ela conseguiu isso e ela disse que desde que mudei para cá, eles mantém os passaportes e vistos em dia, para poder viajar a qualquer momento sem problemas, nem questionei o fato de Mateus estar junto, ele é louco por essa mulher e faz tudo que ela quer e sei que não deixaria ela vir sozinha independente do compromisso que ele tivesse, desde que começaram a namorar e ele se recuperou, Mirella sempre foi e sempre será sua prioridade.

Leonardo

Pego uma xícara de café e não demora meu celular toca, atendo logo no segundo toque.

— Oi pequena. —

— Como você está querido? —

— Igual ontem. —

Ela me olha feio e pergunta.

— Vai sair esse fim de semana? —

— Você sabe que não. —

— Você precisa sair Leonardo, já está na hora. —

— Eu saí ontem. —

— Não estou falando de bar e putero Grandão. —

— Fala para o linguarudo do Mateus que eu vou cortar a língua dele fora. —

— Eu estou aqui irmão! Desculpa aí, ela estava se arrumando quando você me contou, então ela ouviu, mas prometeu que não ia falar nada. —

Ele beija o rosto dela sorrindo.

— Até parece que temos segredos. —

Ela me diz sorrindo.

— Não temos, mas mesmo assim, tem coisas que eu tenho vergonha. —

— Vergonha de que? Já esqueceu que eu já limpei sua bunda? E vi seu amigo aí mais de uma vez e até peguei nele para limpar? —

— O que é isso amor! —

Mateus diz caindo na risada.

— Está certo pequena, você tem razão. Como estão todos aí? —

— Bem, mas Miguel está com saudades de você, prometi a ele que você virá para o aniversário de setenta e cinco anos dele, vou fazer um almoço de família. —

— Pequena isso é daqui dois meses, não sei se consigo ir... —

— Não quero saber Grandão, dá seu jeito, prometi que vou reunir a família toda nesse dia, e já estão todos avisados. —

— Mateus? Me ajuda aí cara... —

— Nem vêm cara, o pai só te viu uma vez desde que você se mudou, ele sente sua falta e além do mais você sabe que não vou contrariar a Mi. —

— Tudo bem, eu vou ver o que faço. —

— Isso aí! Dá tempo suficiente para você se organizar... Beijo meu bem, até amanhã! —

— Tchau cara. —

— Tchau, beijo pequena, cuida dela cara. —

Desligo o telefone e continuo na sala. Minha família e principalmente Mirella e Melissa, são os únicos que ainda trato com carinho ou converso um pouco.

Peço uma comida, e já pego uma garrafa de whisky, aliás é o que mais tem em minha casa, whisky e cigarro. Assim que a comida chega, como um pouco e sigo para a área da piscina com minha garrafa e uma carteira nova de cigarro, fico ali bebendo até fumar a carteira toda, depois me jogo em minha cama e apago, no dia seguinte acordo com a cabeça estourando já são duas da tarde.

Hoje é domingo e como não vou beber, eu como um frango e uma salada, limpo tudo e sigo para a academia, malho a tarde toda, seguindo a rotina de parar para o banho e falar com Mirella, depois da ligação faço um café e um sanduíche e depois volto para a academia, fico correndo na esteira até às nove horas da noite, tomo um banho e me deito exausto, acabo apagando de cansaço, por volta das três da manhã, acordo desesperado, com o mesmo pesadelo que me atormenta a anos.

Me permito chorar em minha cama, lembrando que na realidade o pesadelo nada mais é do que uma lembrança do pior dia da minha vida, fico ali rolando na cama, até me levantar às cinco da manhã para minha rotina semanal. De segunda a sexta eu levanto, corro trinta minutos na esteira, tomo banho e me arrumo, preparo e enquanto tomo café leio o jornal, vou para meu gabinete ou audiências, permaneço lá até às dezessete horas, chegando em casa por volta das dezessete e trinta, as dezoito horas falo com Mirella, depois vou para academia e fico lá mais ou menos até às nove da noite, aí tomo banho, janto, e me deito, às vezes durmo, às vezes tenho insônia, quase sempre acordo com o pesadelo.

E assim sigo, até chegar sexta e ir ao bar, onde tomo meu whisky, fodo uma puta para satisfazer meus instintos de homem, afinal já estou com cinquenta anos e não gosto de me aliviar na mão. Então volto para casa, sexta e sábado normalmente bebo até apagar, domingo me recomponho e a rotina começa toda novamente. Assim sigo, nesse borrão que se tornou essa merda de vida.

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