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Depois da Dor

Leonardo é um advogado influente que superou diversos obstáculos para alcançar o sucesso e a plenitude afetiva. No entanto, sua trajetória não segue um roteiro de fadas. Um golpe cruel do destino destrói sua paz, transformando o homem realizado em alguém gélido e depressivo. Enclausurado em sua amargura, ele vê passado e futuro se colidirem. Resta saber se o jurista conseguirá curar seu coração partido e se permitir uma nova chance de amar novamente.
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Capítulo 3

Leonardo

Londres — Dias Atuais

Na mesma rotina mais quinze dias se passam, e hoje é um dia que se eu pudesse nem acordaria, as lembranças e pesadelos se tornam mais fortes nessa época, e agradeço aos céus por ser sexta-feira.

Como não tenho nenhuma audiência, cancelei minha ida ao gabinete, e antecipei minha rotina de bebedeira, começando ontem assim que desliguei o telefone, após falar com Mirella.

Logo que acordei, percebi que estava deitado no chão da sala e haviam duas garrafas vazias ao meu lado, ao invés de uma como de costume, explicando o fato de minha cabeça latejar mais que o normal e meu estômago estar embrulhado, após permanecer um bom tempo parado olhando para o teto, me levanto meio zonzo rumo a cozinha, penso em fazer um café, mas quer saber, que se foda, pego outra garrafa e sigo para o meu quarto, hoje faz cinco anos que minha vida se transformou nesse inferno.

Fecho as cortinas e me jogo na cama, dando um longo gole no gargalo da garrafa, lágrimas começam a rolar e eu viajo pelo tempo, passando minha vida em minha mente como se fosse um filme.

A raiva e a fúria me tomam e eu me levanto, pego tudo o que eu vejo pela frente, arremessando contra a parede, até que no quarto sobre apenas os móveis intactos.

— Porra! —

Percebo que quebrei a garrafa que estava bebendo, então desço em busca de outra, abro a garrafa, mas ainda estou com raiva, pego meu celular e ligo para o putero que vou toda sexta, o dono me conhece, peço para ele me mandar uma puta que seja discreta, decido tomar um banho, entro no chuveiro gelado, lá novamente minha raiva aflora e por mais que eu tente respirar fundo e me acalmar, eu não consigo, quebro todos os produtos que estão na bancada da pia do banheiro. Após quebrar tudo, respiro e nem me seco, apenas enrolo uma toalha na cintura, procuro entre a bagunça a escova de dentes e a pasta, assim que termino eu desço para esperar a garota, ela não passará do hall de entrada.

Enquanto caminho, a toalha que estava na minha cintura cai, foda-se! Continuo caminhando pela casa pelado mesmo, não tem ninguém, dispensei a empregada essa semana toda, ela só virá na quarta-feira.

Não sei quanto tempo depois a garota chega, droga, não conheço essa, e ainda parece uma menina... Mas, que merda mesmo!

— Quantos anos você tem? —

Pergunto para me certificar, mas sei que o dono do local não iria dar esse mole de ter uma menor de idade trabalhando para ele.

— Vinte e um. —

Ela responde se aproximando.

— Fique parada aí...

Eu digo e ela me olha confusa e assustada.

— Eu tenho algumas regras: sem nomes, não me interessa o seu e pouco me importa se você sabe o meu, sem falar, a menos que eu pergunte algo, sem me tocar, a não ser que eu mande, sem beijo, e eu só fodo em pé... Você aguenta? —

— Sim, senhor. —

Ela responde sorrindo e eu reviro os olhos.

— Ótimo, tire a roupa e me espere aqui. —

Me viro e sigo para o escritório, onde pego algumas camisinhas e um sachê de lubrificante em minha carteira e volto a encontrando já nua no meio da minha sala.

— Achei que tinha mandado você esperar na porta. —

— Desculpa, eu... —

— Não foi uma pergunta, vêm! —

Falo enquanto ando, vou até o hall e me encosto na porta.

— Se ajoelha, chupa, e não coloca a mão. —

Já falo para não me estressar, ela me abocanha e eu já seguro a cabeça dela, começo a mover a cabeça dela para frente e para trás, sinto meu pau bater em sua garganta e até que a puta tem uma boquinha bem gostosa, começo a estocar com força na boca dela, movo sua cabeça e meu quadril, forte e rápido, e acabo gozando na boca dela. Respiro para recuperar meu fôlego, então solto sua cabeça.

— Fique aí ajoelhada como está, eu já volto. —

Saio dali e vou à cozinha, tomo uma água e volto, me encosto na porta novamente.

— Agora fica em pé e se toca. —

Mando ela se masturbar, preciso disso para ver se me acalmo um pouco. Ela começa a se acariciar, e eu começo a me massagear, então me afasto da porta e começo a colocar o preservativo.

— Se encosta na porta do jeito que eu estava. —

Me aproximo dela, me ajeitando para que minha virilha fique na altura da dela e a penetro, viro minha cabeça para o lado e fico ali, estocando fundo e forte, descarregando toda minha raiva, quando sinto que vou gozar novamente, saio de dentro dela, pego o lubrificante e passo, a viro de costas para mim, prendendo-a na porta, com a ajuda das mãos vou ajeitando-a até que a penetro de uma vez, é bem apertado e ela dá um grito quando entro. Algumas estocadas fortes e gozo novamente, fico ali, parado, respirando fundo, ainda dentro dela, assim que minha respiração estabiliza, eu saio.

— Pode se vestir e ir embora. —

Ela se vira para se vestir e noto que ela está chorando. Puta que pariu!

— Caralho garota, está chorando porquê? —

Ela se assusta e baixa a cabeça.

— Responde merda! —

— Eu, nunca tinha feito anal, doeu um pouco, desculpa. —

— Porra garota, eu perguntei se você aguentava, puta que pariu! —

Passo as mãos na cabeça, sei que sou um porco cretino, que só uso o corpo das mulheres para o meu próprio prazer, mas é por isso que eu pago prostitutas. Porém não gosto de machucar nenhuma mulher. Eu sinto minha fúria e raiva voltando, mas tento respirar e me controlar.

— Espere aqui. —

Vou à cozinha e volto com uma garrafa de água, ela já está vestida.

— Senta um pouco e bebe essa água. —

Ela me obedece e enquanto bebe a água, algumas lágrimas ainda escorrem pelo rosto dela.

— Me desculpe se eu te machuquei, não foi minha intenção, não sei porque Piter te mandou, ele sabe do meu jeito. —

— Ele não sabia de mim, quando comecei com ele, disse que já tinha feito de tudo. Não precisa se desculpar, você não tinha como saber, eu que peço desculpas por essa cena, obrigada pela água, mas agora é melhor eu ir. —

— Tá! —

Ela levanta e sai, e eu fico ali olhando ao redor de minha casa, me sentindo ainda pior do que eu estava, vou ao escritório em busca de bebida, pego todas as garrafas que encontro, volto para sala e me sento no tapete, começo a beber, novamente me sobe uma raiva e taco a garrafa longe, me levanto e arremesso contra a parede tudo que consigo, enquanto entorno a segunda garrafa, sento novamente no tapete, em meio as garrafas e começo a chorar enquanto bebo, fico ali não sei por quanto tempo.

Já estou tão bêbado que nem consigo raciocinar, quem dirá me levantar, me arrasto tentando alcançar uma garrafa que está mais afastada, desisto, pego a outra que está ao meu alcance, meio zonzo, escuto a porta da frente ser aberta.

— CARALHOOOO! O que aconteceu aqui? —

Mateus fala e Mirella se aproxima se abaixando.

— Meu Deus! Leonardo! Amor me ajuda aqui. —

Ela diz e coloca as mãos em meu rosto me fazendo olhar para ela, nem levar a garrafa que peguei a boca eu estava conseguindo mais, seguro ela ao lado do meu corpo, enquanto Mirella me olha.

— Calma querido, nós vamos te ajudar, estamos aqui por você. —

Mateus e ela me erguem do chão, me apoiando para que eu me mantenha em pé.

— Você consegue andar Grandão? —

— Vamos cara, vamos para o chuveiro. —

Eles me arrastam, e eu embolado solto algumas palavras.

— O... Que... Vocês... Estão... fazendo... Aqui? —

— Viemos te ver cara, e acho que foi bom. —

Ele fala enquanto praticamente me arrastam escada acima.

— Eu tô peladão... —

Falo dando risada e ele responde.

— Já vimos cara. —

— Sai daqui pequena. —

— Como se eu nunca tivesse te visto pelado antes. Jesus amado! Segura ele amor, que eu vou olhar o banheiro. —

Ela fala quando vê meu quarto destruído.

— Vamos ter que usar um de hóspedes, o banheiro também está detonado. —

Eles me arrastam para um quarto ao lado, entramos no banheiro e Mirella liga o chuveiro no gelado.

— Porra Leonardo! Podia ao menos ter tirado a camisinha gozada. Que nojo cara! —

Noto que a camisinha ainda está no meu pau, só que agora, meio pendurada já que ele está mole, tento levar minha mão para tirar, mas a bebedeira está tão forte que me desequilibro, Mateus me segura com os dois braços e Mirella se aproxima e retira a camisinha de mim, balançando a cabeça em negação e rindo.

— Eu amo vocês! —

— Nós também te amamos querido. —

Ela me responde e Mateus ri balançando a cabeça, ele tenta me colocar embaixo do chuveiro, como não consegue, acaba entrando comigo, molhando toda sua roupa.

— Vou pegar roupas e toalhas para vocês. —

Ela sai e Mateus fica me segurando, enquanto a água gelada escorre em nós dois, Mirella volta e ao ver os dois ali, tentando cuidar de mim, sem julgamentos, eles me olham com amor e paciência, eu desabo num choro sentido. Mateus me abraça e eu me agarro nele chorando mais ainda, Mirella acaricia minhas costas, e eles permanecem ali, ao meu lado, me dando apoio, até que eu me acalme.

— Vem, vamos secar vocês antes que fiquem gripados. —

Mateus me senta no vaso sanitário e Mirella começa a me secar, enquanto ele tira a roupa e se seca.

— Peguei um short e camiseta de Leonardo para você amor, não quis descer pegar a mala para ser mais rápida.

— Tudo bem, amor, depois eu pego. —

Ela me seca, me veste uma cueca e um short, me fazendo levantar e apoiar nela para poder subir os dois, como fazia anos atrás.

— Vem, vamos deitar. —

Ela fala e eles me levam ao quarto de hóspedes e Mirella arruma a cama e logo me deito.

— Vou fazer um café e ver se consigo preparar algo para comermos. —

— Eu já desço te ajudar minha vida. —

— Está tudo bem amor, fica aqui com ele. —

Ela dá um beijo em minha testa um selinho em Mateus e saí, ele se senta na cama ao meu lado e acaricia meu rosto.

— Me dói muito te ver assim irmão, queria saber como te ajudar a superar isso. —

Lágrimas escorrem de meu rosto, e ficamos ali em silêncio, Mateus começa a acariciar meus cabelos e em meio as lágrimas eu acabo apagando.

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