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Capa do romance Deliciosa Obsessão

Deliciosa Obsessão

Após anos no exterior, retornei ao Brasil e me vi rendida por Enzo Brant Marques. Filho do sócio de meu pai, ele é dez anos mais velho e me despreza abertamente. Apesar de sua arrogância e preferência por loiras, meu desejo por ele é incontrolável e imediato. Enzo me acusa de ser mimada e manipuladora, usando nossa diferença de idade como barreira. Mesmo sendo tratada como insignificante, luto contra essa obsessão avassaladora por um homem que jurou me odiar.
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Capítulo 3

O Vou comer aquela desgraçada. Tudo o que quis fazer seis anos atrás, vou fazer agora. Isso

PLANO

não é uma suposição, é uma afirmação. Vou fazê-la gritar como louca.

Agora ela não é mais criança, e Jonas está afastado. Nada mais me impede. Preciso de um plano

urgente.

Por que esse desejo repentino e doentio? Cara, só eu percebi que a safada veio para tentar me

provocar? Vou atacar primeiro, antes que ela pense em respirar. E também estou com muita raiva por

aquele perdedor do Jorge estar com ela.

Minha mão está doendo e, com a outra, aperto um saco de gelo contra os nós dos dedos.

Cacete! Por que diabos tive de socar a parede com tanta força? Poderia ter xingado alguém ou

chutado algumas latas de lixo. Mas não, o esperto aqui preferiu ferir a mão quando chegou em casa.

Ainda bem que o soco não pegou no meu aparelho de home theater. Se isso acontecesse, o bagulho

iria esquentar pro lado de Jorge. Não sei por quê, apenas acho que ele é culpado e pronto.

Estou com tanto ódio dele que sinto a mesma dor dos dedos arder na barriga. É algo visceral, o

coração chega a pesar ao bombear tanto sangue maligno. Eu já o odiava antes disso, agora, saber que

ele está comendo a garota das minhas fantasias, é muita coisa para lidar. Tenho um inimigo número

um.

***

Por que vocês estão olhando para mim assim, como se estivesse enlouquecido de repente? Eu tô

cagando pro fato de estar expondo meus sentimentos. Estou, sim, com ciúmes; estou, sim, querendo-a

para mim, sempre a quis. Nunca deixei de desejar aquela megera dos infernos.

E, agora, estou puto com ela pelo que está fazendo; estou com raiva só pelo fato de ser tão

gostosa. Queria arrastá-la daquele elevador pelos cabelos. Queria encostá-la na parede e beijá-la em

busca de perdão, bem na frente do namoradinho.

Deus! Eu poderia aceitar se ela escolhesse um cara fodão, desses que têm cavanhaque e dirigem

um Corvette 1963. Eu sofreria menos se fosse o Max, ou até mesmo o cara do andaime que limpa as

janelas. Mas… Jorge? O universo quer me ferrar. Só pode.

Dou mais um murro, agora nas almofadas.

Ela sabia, tenho certeza de que ela sabia sobre todos nós odiarmos aquele baba-ovo. Maria Luíza

não veio apenas para trabalhar; ela queria ser bailarina, e não a porra de uma executiva. Estudou

bastante sobre o que acontece na empresa, e estudou minha vida e continua estudando. Ela deve

querer minha rola como prêmio, e as bolas de Max e Davi como brinde. Pilantra gostosa do capeta.

Levanto-me e pego o celular. Digito o número e rápido a pessoa atende.

— Pode vir aqui em casa? Não… agora. Por quê? Que se dane a pizza, preciso de vocês aqui.

É… rápido, porra. Venha logo. Traga o Max com você.

Jogo o celular longe e vou até a cozinha.

Moro em um apartamento na Gávea, bonito, amplo, moderno. Um achado — meio caro, claro,

mas você tem ideia do preço de um apartamento do tamanho do meu na Gávea? Não? Milhões.

Decorei do jeito que gosto, com a ajuda de uma designer, que me deu algumas sugestões e desenhou

a sala como eu queria. Parece um cinema.

Coloquei caixas de som acústicas em pontos estratégicos, para os filmes ficarem mais realistas.

A TV enorme de plasma foi a escolha perfeita. Mônica, a designer, fez uma parte na estante como

uma videoteca, com todos meus filmes preferidos, desde pornôs a séries de TV.

Depois de me separar da Lílian piranha, eu queria um lugar com a minha cara, onde pudesse

fazer o que quisesse, até mijar no chão do banheiro, se achasse necessário. Sem ordens, sem gritos,

sem histeria de mulher. Posso deixar meu sabonete com pelos, posso jogar minha toalha molhada

onde quiser, e posso colocar latas de cerveja na mesinha da sala.

Isso é uma vida que todo homem deveria experimentar.

A safada da designer pensou, inclusive, na iluminação de toda a casa, desde janelas a claraboias

e luzes. Ah! Moro na cobertura, lógico.

Depois que ela terminou o serviço, inauguramos a casa. Eu a comi por toda parte. Desde a

poltrona reclinável até a bancada da cozinha. Foi fantástico. Não vi Mônica mais; até que era

gostosinha, mas casada.

***

Depois de ter ligado para os rapazes, telefonei para um restaurante e pedi umas porcarias para a

gente comer e eles não ficarem de cara amarrada dizendo que, na minha casa, só tem cerveja na

geladeira.

Os dois chegam ao mesmo tempo. E com cara amarrada.

— Você devia experimentar ser um pouco menos egoísta e mimado — Max diz, passando por

mim na porta. Davi me olha, meio inalterado, mas sei que ele está igualmente bravo.

— As outras pessoas têm uma vida pra cuidar, irmão. Não podem ficar a seu dispor o dia todo.

— Deixem de conversinha; parecem duas meninas mal-comidas — repreendo-os e os sigo para

dentro de casa.

Max se joga no sofá e Davi vai direto até a cozinha.

— Pedi umas bobagens pra gente comer — grito para ele. — Tem cerveja na geladeira.

— Qual a emergência? Quem você quer comer, e precisa da nossa ajuda? — Max solta, sem

paciência, sem sequer me olhar. Está folheando uma revista que encontrou no sofá.

— Estou desapontado. Como você pode pensar isso de mim? — Sento-me na frente dele.

— Para de enrolar, Enzo. Como se eu não te conhecesse.

— É a Maria Luíza, filha de Jonas — declaro.

Ao ouvir o nome, ele paralisa e me encara com uma expressão julgadora.

— Você não perde tempo, não é? — Max inclina-se para frente e me acusa com os olhos em

brasas. — Cara, a mulher acabou de chegar e está namorando o merdinha.

— Esse é mais um motivo por que ele deve comer Maria Luíza. — Davi entra na sala, entrega

uma cerveja para Max e se senta ao meu lado. — Diga como podemos ajudá-lo a colocar uma

galhada na cabeça daquele imbecil.

— E por que ele? Também tenho capacidade de comer a mulher dos outros — Max reclama. Só

em ouvi-lo falar isso, e sabendo que a mulher a quem ele se refere é Malu, fico eriçado de raiva. Mas

não digo nada, afinal, posso extravasar ciúmes quando estiver sozinho. Em público, ainda é cedo.

— Bom, não posso porque estou com Sophia novamente, e Enzo deu a ideia. Portanto, a boceta

da ruiva é dele — Davi rebate e sacode os ombros, como se fosse o óbvio a se fazer.

— Deem um tempo, vocês dois. Não é bem dessa maneira. Vou explicar com cuidado. — Dou

um tempo para eles se acalmarem e começo: — Vocês lembram o caso da garota que me perseguiu

anos atrás? — pergunto, e eles se animam visivelmente.

— Aquela que queria trepar com você, e até se escondeu no seu banheiro algumas vezes? —

Davi resmunga.

— Essa mesmo — confirmo.

— A garota que você não queria pegar porque era mais velho, e ela tinha apenas dezoito anos?

— Max indaga, cínico.

— Sim.

— Cara, você é o maior boiola que eu conheço — ele acusa em seguida.

— A garota era Maria Luíza — corto depressa o comentário de Max. — É um bom motivo para

eu não ter pegado ela?

Eles dois se entreolham e depois se voltam surpresos para mim.

— Malu era a garota? — Davi tosse, quase engasgando com a cerveja.

— Sim.

— Essa Malu, ruiva, gostosona, namorada do cuzão? — Max continua, ainda desacreditando.

— Sim. Já falei — grito.

Com uma cara engraçada de surpresa, Davi me analisa.

— Porra, cara. Você está ferrado agora! Ela não parece querer alguma coisa com você — ele

diz, sério demais.

— Talvez seja por eu ter chamado ela de puta e vagabunda no dia do meu casamento.

— Você chamou a garota de puta? — Davi arregala os olhos e troca uma expressão chocada

com Max.

— Então, meio que tipo, Deus fez você pagar por sua língua — Max diz, raciocinando. —

Chamou a garota de puta e acabou se casando com uma puta pior ainda, mais rodada que…

— É. Eu sei. Não me lembre disso — coloco minha mão na frente para ele se calar.

Engulo minha irritação e conto a ambos toda a história, do início ao fim, desde a primeira vez

que vi Malu. Conto como fiquei desorientado, com vontade de levá-la para cama, como precisei ter

controle para não sucumbir ao desejo meu e dela. E conto como ela chegou, desesperada, no dia do

casamento, tentando me fazer mudar de ideia.

Termino de narrar, e os dois estão mudos. Desviam o olhar, bebem um gole de cerveja e

continuam calados.

— E aí, não vão dizer nada?

— É meio complicado, Enzo — Davi, com seu tom aguçado, começa a falar. — Você a tratou

mal e agora ela está de volta, gostosa, tipo mega, ultra, super. E o pior de tudo é que ela te odeia e te

despreza. Não há muito o que fazer.

— E está namorando o cara que a gente mais detesta — Max faz questão de lembrar.

— Essa é a pior parte — concordo com ele. — Mas acho que três cabeças pensam melhor do que

uma. Vamos pensar em uma solução.

— O que você quer, de verdade? — Max pergunta. Ele se recosta no sofá, e cruza as pernas nos

calcanhares.

— Quero que ela me escute. Tentei falar com ela hoje, mas Malu está muito ressentida.

— É de se esperar. Se eu fosse ela, dava um tiro no seu pau — Max diz, enquanto toma um gole

de cerveja.

— Conversar? Só isso? — Davi, mais interessado, ignora Max e me pergunta.

Dou de ombros.

— Quero o perdão dela.

— Só isso? — agora é a vez de Max indagar.

Olho para eles. Estão atentos, os olhos fixos em mim. Acho que ainda não consegui convencêlos do que quero de verdade.

— Ela precisa entender que, naquela época, era diferente — gesticulo nervoso.

— E é só isso? — os dois perguntam, quase ao mesmo tempo.

Levanto-me bruscamente e esparramo meus cabelos com a mão. Eles me conhecem mais do que

eu mesmo. Quem desejo enganar?

— Tá! Como vocês já imaginam, eu quero transar com ela. Muito, demais. Até perder os

sentidos. Quero fazer com ela tudo o que sonhei seis anos atrás. De quatro, de pé, na banheira, na

cama, em todo lugar. Satisfeitos?

— Agora acredito em você! — Max exclama, feliz.

— Esse é um bom motivo para a gente te ajudar — Davi concorda. Em seguida, os dois dão

risada, e eu abano a cabeça.

— Tenho um pinguinho de esperança. Ela não está me ignorando totalmente. Hoje, mais cedo, eu

a flagrei perguntando para Jorge sobre meu casamento, queria saber como tudo aconteceu. Se ela

quer saber da minha vida, então tenho uma pequena chance, não é? — Volto a me sentar, desta vez

perto de Davi, que está no sofá de três lugares.

— Agora a coisa ficou melhor. Ela não te despreza. Malu pode estar tentando te pegar na tocaia,

sapatear na sua cara, te provocar, mostrar uma coisa que você nunca vai ter. Essas coisas que

mulheres fazem e no fim acabam deixando pra lá.

— E o que faço?

— Papel e caneta — Davi pede.

Corro e trago para ele um caderno pequeno, tipo ata, e uma caneta. Max se levanta e vem sentarse com a gente, os três no mesmo sofá. Davi no meio.

Ele escreve: Plano para Enzo traçar Malu.

— Você tem um plano? — pergunto, admirado.

Ele reflete um pouco antes de me responder: — Estou pensando em umas coisas. — Davi coça a

barba, pensa mais e continua: — São vários planos em um só. Primeiro, vamos dar uma garantia a

Malu.

— Garantia? — balbucio, curioso — Uma garantia de que você não vai ser um cachorro safado

que quer trepar com ela.

— Eu quero trepar com ela — rebato, meio desentendido sobre aonde ele quer chegar.

— Sim, mas ela não pode saber. Vamos arrumar uma namorada falsa para você.

— Uma namorada? Cacete! Ficou louco, Davi? Quero me aproximar de Malu, não assustar a

garota.

— Fique tranquilo. Desafio, essa é a palavra. Isso deixará Malu intrigada e frustrada. A cabeça

das mulheres funciona quase igual à nossa. Ela vai, automaticamente, querer vencer o desafio de

tomar você de uma suposta namorada, para depois te dar um pé na bunda. Vou encontrar uma pessoa.

Pode ser até uma acompanhante de aluguel.

Estou horrorizado.

— Vou namorar uma garota de programa? E como sabe que Malu vai me dar um pé na bunda?

— pergunto, mesmo sabendo que não terei resposta.

— Que plano mais tranquilizador — Max ironiza em um sussurro reflexivo.

Davi pensa e escreve no caderninho de capa preta: 1-Encontrar uma namorada falsa para Enzo.

Ele levanta os olhos para mim, já com outra questão pronta.

— Agora, devemos investigar e descobrir quem são as melhores amigas dela. Melhores amigas

sabem de tudo, conhecem tudo da pessoa. E precisamos de alguém assim do nosso lado, tipo uma

informante.

Ele fala e escreve ao mesmo tempo: 2-Encontrar a melhor amiga de Malu e se aproximar dela.

— Se são melhores amigas, acha mesmo que elas vão dar bola para mim? Maria Luíza já deve

ter feito o inferno falando de mim para elas — retruco, tentando acompanhar o plano do meu irmão.

— Não é você, seu tolo, é o Max.

— Eu? — Max se sobressalta do outro lado, com os olhos arregalados. Davi se vira para ele e se

prepara para começar a explicar: — Sim, porque já sou comprometido. Você vai atrás de uma amiga

de Malu e se envolve com ela; se possível faça sexo com ela, e descubra o máximo que conseguir.

Mulheres têm uma fraqueza: elas confiam em homens muito carinhosos e apaixonantes. Seja

bonzinho com ela, faça um sexo bem legal, e ela vai te entregar tudo de bandeja.

— E se for uma baranga? — Max olha para Davi e depois para mim, o tom de medo expresso na

voz. Ele faz qualquer coisa, menos pegar baranga. Que exemplo de homem.

— Finja que é um padre para não comê-la. Sei lá, pense em algo.

Impaciente, Davi escreve: 3-Max conquista a confiança da amiga de Malu.

— Não entendo por que precisamos de uma amiga dela — Max murmura, meio zangado por ter

sido colocado no bolo.

— Para ser nossa aliada, porra! Já falei. Vai chegar um momento em que precisaremos que ela

interceda. Então, você tem de fazer seu dever de casa direitinho e vai conquistar mesmo a safada.

Entendeu, Maximiliano?

— Tá, entendi. E não me chame assim, é constrangedor.

— Fique tranquilo, rapaz — Davi o acalma. — Tenho quase certeza de que a melhor amiga de

Maria Luíza é Júlia Bittencourt. — Ele olha para mim. — Você se lembra-se dela, Enzo? Sempre ia à

casa do Jonas.

— Sim, me lembro, mas nunca mais a vi. Também tem a Danielle. Acho que Max vai acabar

comendo uma dessas.

— Se for quem eu estou pensando… — Max reflete, meio animado.

— E então, qual é o próximo passo? — Olho do caderninho para Davi. Ele pensa um pouco,

acaricia a maldita barba, depois o nariz, e fala em tom categórico: — O mais difícil. Afastar Jorge da

Malu, pelo menos por um ou dois dias.

— E como faremos isso? Sequestro? — Max ironiza.

— Não. — Davi resmunga e pensa. Fica uns três minutos pensando e depois sorri. Por isso gosto

do meu irmão; ele é prático e inteligente.

— Lembra daquele sítio onde o papai gostava de passar os finais de semanas? — Com olhos

arregalados e uma expressão de eureca, ele me cutuca.

— Claro.

— Fica em Angra, certo?

— Sim. E daí?

Ele abaixa a cabeça e escreve: 4-Afastar Malu do idiota.

— Enzo, vamos armar uma reunião de emergência. Um lugar aonde dá pra ir de carro, como

Guaratinguetá. Na prática, iremos todos de carro. Eu e Max, você sozinho e Malu com Jorge. Ele não

precisa ir, mas vai querer — Davi fala como um vidente, prevendo todos os fatos.

— E do que isso adianta?

— Espere, escute primeiro. Vou descobrir algo para sabotar a ida de Jorge. E, então, você vai

convencer Malu a ir no carro com você.

— E onde será essa tal reunião? — Max questiona. — Temos mesmo reunião marcada lá?

— Aí está o ponto-chave. Temos negócios com uma empresa em Guaratinguetá, lembra? Mas

não haverá reunião, lógico. Eu e Max nem iremos a lugar algum, nem mesmo sairemos do Rio. —

Davi vira-se para mim e aponta a caneta. — Você irá pelo caminho do sítio em Angra, e o carro vai

quebrar no caminho. E, como se não conhecesse o lugar, você levará Malu para o sítio, dizendo que

deve ser de alguém que está viajando. Assim, terá dois dias para conseguir algo com ela. É o

suficiente?

— Perfeito. Mas e todos esses detalhes?

— A gente vai pensar em tudo: desde fazer o carro quebrar até acabar com o sinal de celular.

Vocês ficarão isolados.

— Só uma pergunta — Max levanta o dedo como se estivesse em uma aula. — Vamos bolar todo

esse plano maluco só para Enzo comer a filha de Jonas?

— Vamos aos pontos. — Davi levanta a mão, pedindo calma. — Primeiro: com alguém na

empresa mantendo Malu bem-comida, ela não será uma pedra no nosso sapato. Lembra que esse é o

medo que comentamos hoje mais cedo? Mulher sempre tenta, de alguma forma, querer ser melhor do

que os homens. Sem falar que ela foi humilhada por esse imbecil — ele gesticula apontando para

mim. — Uma mulher ressentida, disposta a se vingar, é pior do que setenta capetas.

— E todo mundo tem medo de capeta — endosso o comentário dele.

— Portanto, Enzo sendo amante dela, ela vai ficar calminha, e não vai querer ir de encontro ao

amante e aos amigos dele. — Davi olha para a gente para ver se estamos acompanhando.

— Isso é um comentário machista. Se alguma mulher te ouvisse, nós perderíamos as bolas —

Max resmunga, fazendo-se de chocado.

Davi dá de ombros e levanta um segundo dedo.

— Segundo: temos de ajudá-lo, ou ele vai acabar trocando os pés pelas mãos, e ferrar com tudo.

E terceiro: vai ser divertido saber que Jorge será um corno.

Max dá risada e toca o punho de Davi com o seu.

Sabia que eu devia chamá-los aqui em casa. Desde pequeno, Davi tem os melhores planos.

Malu nem vai perceber que foi atingida. Quando se der conta, já estará na cama comigo. E eu a

farei suplicar, implorar, como seis anos atrás.

— Ah, Enzo. Amanhã, e até o dia do plano, não coloque tudo a perder. Trate-a como se fosse sua

irmã. Não faça piadinhas, não dê em cima dela. Seja muito profissional e frio, se possível. Se ela

estiver jogando, vai ficar furiosa por você não estar nem ligando para ela. É pedir muito que se

controle?

— Depende. Por quanto tempo vou ter de me controlar?

— Duas semanas — ele decreta.

— Perfeito.

— Então, recapitulando. — Davi aponta a lata de cerveja para mim. — O que vai fazer amanhã?

— Ignorá-la.

— E depois?

— Esfregar uma namorada na cara dela.

— Bom garoto. E você? — Ele se vira para Max.

— Vou rezar para que a amiga de Malu seja gostosa.

Eu e Davi rimos. Max nos olha com desdém.

Nesse instante, a comida que pedi chega. Vamos todos até a cozinha comer e fazer mais

anotações sobre o plano.

Meu dia de vitória começa a se aproximar.

***

Há mil coisas que nós, homens, não devemos deixar uma mulher perceber para conviver

harmoniosamente com ela. Por exemplo, fraqueza. Nunca revele a uma oponente o seu ponto fraco,

pois mais cedo ou mais tarde ela poderá usá-lo em benefício próprio. A menos que a mulher em

questão seja sua esposa e mãe de seus filhos, é melhor manter-se na defesa. Além disso, evite

qualquer carinho excessivo, que demonstre sinal de paixão. Muitas mulheres costumam pisar em

homens que as colocam no altar. Várias preferem os cafajestes que mentem, mas que fodem gostoso.

Perdoem-me pelo que vou falar, mas é a realidade. Na maioria das vezes, homens são trastes,

mas, quando uma mulher cisma de foder geral com a vida de uma pobre vítima masculina, sai de

baixo. Como Davi falou, elas são piores do que setenta capetas juntos. Lílian, por exemplo, só não

ferrou com a minha vida por causa de Davi, que entrou no meio da briga e acabou com a raça dela.

Portanto, o melhor é atirar primeiro, ou seja, agir antes que a mulher o faça.

Esse plano de Davi é tudo o que uma mulher mais abomina. Não há fundamento lógico para o

que estou fazendo, enganar uma mulher e arrastá-la para o meio do nada, longe do namorado, só por

causa de um capricho meu. Uma obsessão, para ser mais exato.

Mas qual o porquê desse plano?

É o que falei há pouco: mil coisas que não devemos deixar uma mulher perceber. E os meus

pontos fracos, com os quais Malu nunca deve sonhar, são: minha loucura obsessiva por agarrá-la,

pois ela irá se fazer de mais difícil do que uma madre superiora, vai pisar com aquele puta

maravilhoso salto alto na minha cara; meu ódio por Jorge, o que ela pode querer usar contra mim, e

vê-la esfregando o babaca na minha cara não será legal; e meu fraco por ruivas, que Malu não deve

nunca suspeitar, jamais. Essas e várias outras coisas.

Já fui casado, convivi com uma mulher. Sei como elas agem, como se comportam, onde se

escondem e o que guardam nas cabecinhas maquiavélicas para ser usado como um arsenal de guerra

em casos extremos.

Malu voltou disposta a me aniquilar. Soube disso no momento em que ela apresentou Jorge

como namorado e olhou exclusivamente para mim, querendo ver minha reação. Só observei,

achando ridículo o fato de ela ter de suportar Jorge só para me atingir. O que Malu não sabe é que eu,

dificilmente, sou derrubado, sobretudo por uma ruiva linda que sente tanto tesão pelo papai aqui.

Que comecem os jogos.

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