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Capa do romance Deixe-Me Te Amar

Deixe-Me Te Amar

Lara cursa odontologia e busca o amor verdadeiro entre encontros casuais. Sua vida muda ao conhecer Matheson, um pai solteiro dedicado que lida com a ex-mulher e um caso intenso com Simone. A conexão entre eles é instantânea, desafiando as certezas do rapaz e despertando medos na jovem, que já sofreu por amor. Em meio a provocações e uma forte atração, ambos precisam decidir se derrubam seus muros emocionais para viver essa paixão avassaladora e profunda.
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Capítulo 1

Eu adoro aproveitar a vida! Afinal, quem tem tempo para lamentações existenciais?

A vida é curta demais para ser levada a sério. Dançar, rir e ignorar as tragédias que surgem como aquelas nuvens escuras que você sabe que vão passar é o que há.

Elas existem, claro, mas quem disse que merecem um espaço VIP na nossa cabeça.

Enquanto o mundo desmorona ao nosso redor com novos motivos para arrancar os cabelos a cada amanhecer, eu escolhi viver do meu jeito.

Se vou acordar amanhã?

Quem sabe!

E se hoje for meu último dia neste planetinha caótico, pelo menos vou embora com boas histórias para contar para os anjinhos, ou para quem quer que esteja lá em cima.

Mas tem uma coisa que me tira do sério: minha família. Eles têm um talento incrível para sabotar minha paz minha mãe, então, parece ter doutorado nisso. É aquela mistura de amor e frustração que só quem tem uma família intensa entende. Então, por amor próprio, eu valorizo cada segundo que posso chamar de “meu”. E hoje, queridos, é um desses dias!

Vou a uma boate nova com minha amiga Hadiya, disposta a dançar até a sola dos sapatos desistir. A ideia é rir, flertar e, claro, beber. Afinal, cada gole é quase uma bênção nesse mundo louco. E Hadiya merece essa diversão tanto quanto eu, aliás, ela merece mais.

Essa mulher é de uma generosidade e força que até inspiram, mas confesso que, como boa amiga, meu maior desejo é vê-la feliz.

Hadiya e eu temos uma história de cumplicidade que já me rendeu alguns “pequenos arrependimentos”. Como aquela vez em que, aos dezoito, decidi dar conselhos sobre... bem, vida amorosa. Eu, toda prática, aconselhei Hadiya a se “livrar logo desse negócio de virgindade”. E não é que ela me levou a sério?

Foi com o cara que a amava na época, e eu fiquei meio pasma.

“O que foi que eu fiz?”, pensei depois. Era um conselho meio precipitado. Devia ter dito para ela esperar o amor verdadeiro, mas quem sou eu para recitar um clichê desses?

Agora, vejo que ela ainda guarda um amor pelo primeiro. Kevin foi seu amigo de infância, e o coração dela ainda bate por ele. Fico com aquela vontade de balançá-la e dizer: “Hadiya, o mundo tá cheio de Kevin’s e além!” Mas ela é uma romântica incurável, enquanto eu sou mais prática.

Ela ainda me olha torto quando troco de namorado. Só que, honestamente, se eles não mexem comigo, qual o crime em partir para o próximo? A fila anda, e o que seria da vida sem uma boa dose de aventuras e um pouco de drama?

A verdade é que a vida é mesmo um grande jogo de paciência mas e eu? Ah, eu ainda estou esperando por aquele alguém que, ao menos uma vez, faça meu coração bater mais rápido do que o ponteiro do relógio.

Sei que ele está por aí... em algum lugar, provavelmente perdido ou atrasado. Esse cara tem que ter o poder de mexer comigo, fazer o amor parecer menos um contrato e mais uma aventura.

Só tem um problema: eu pareço atrair um tipo de azar crônico no setor de “parceiros amorosos”.

Nunca vi nada assim!

A cada três meses, lá estou eu, jogando tudo para o alto e começando de novo.

Príncipe em um cavalo branco?

Pode ficar com o cavalo e o traje, querido. Só quero alguém que faça minha alma dançar e meu corpo, bem... tremer. Alguém que me faça sentir que a vida é um baile sem fim, onde cada passo tem um sabor novo.

E cá estou eu, me aprontando para sair. As expectativas me invadem. Quem sabe hoje, na pista, aparece alguém que mereça minha atenção e meus três meses de prazo!

Aliás, se tem uma coisa que aprendi é que prazos de validade, em relacionamento, são reais.

Minhas aventuras amorosas duram, em média, três meses.

Não quero alguém ideal, perfeito ou montado em um cavalo de filme. Quero um cara que desperte sensações intensas e revolucione meu mundo, alguém que faça o chão tremer de um jeito que eu queira uma reprise.

Já estou quase sentindo aquele tremor nas pernas, o coração disparando... e aí, sim, vou pensar: "Esse é o homem que vale meu fôlego!"

Mas, sinceramente, encontrar alguém com esses requisitos tem sido uma missão digna de herói.

O desejo por um amor verdadeiro parece sempre alguns metros à frente, brincando de pega-pega. E cada vez que um relacionamento desmorona, sinto que o cupido tá de piada comigo. Estou meio cansada de me abrir, de me envolver, porque o processo ficou, digamos, complicado demais.

E se, por alguma sorte, esse “príncipe” meio improvável cruzar meu caminho, confesso que tenho um receio: será que vou espantá-lo?

Afinal, sou um pouco exótica. Falo o que penso, se algo não me agrada, eu expresso. Sou autêntica até a última célula, e a maioria chama isso de qualidade. Mas, para o público masculino, esse pacote de sinceridade e intensidade parece ser, muitas vezes, uma receita para a fuga.

É um problema? Talvez. Mas, sinceramente, vou continuar sendo eu.

Afinal, alguém aí precisa dar um toque de honestidade nesse jogo chamado amor.

Enquanto não encontro aquela pessoa especial, sigo me envolvendo com os “não tão certos” da vida.

Vou me entregando, mas lá no fundo, desconfio que essa escolha pelos “equivocados” é só uma forma de evitar o medo de me machucar.

A verdade?

Acho que nunca amei de verdade. Já tive alguns relacionamentos casuais, mas o tal do amor profundo e arrebatador... esse ainda não deu as caras.

Não quero um casamento por impulso; isso não é pra mim. Ver tantas pessoas ao meu redor, que do namoro ao altar pareciam viver um conto de fadas, e logo após o “sim” descobriram um universo de incompatibilidades, me faz pensar duas vezes.

Quero um casamento verdadeiro, desses de uma vida inteira, com amor suficiente para atravessar qualquer coisa saúde e doença, alegria e tristeza.

Esse ideal de amor duradouro veio dos meus pais, juntos há mais de trinta anos. Minha mãe, que não é exatamente uma pessoa “simples de lidar”, nunca foi um obstáculo para meu pai. Ele a entende, a tolera, e segue firme. Acho que isso é prova de um amor que não cansa. E é esse tipo de relação que eu desejo: alguém que esteja lá nos dias bons e, principalmente, nos difíceis, com quem eu possa contar até o fim.

Enquanto isso, continuo dançando pela vida, com a esperança de que um dia alguém apareça para me fazer sentir que o amor vale cada expectativa, cada suspiro. A cada novo dia, há uma chance de encontrar essa conexão profunda que tanto anseio. Mesmo com as incertezas, sigo acreditando que o melhor ainda está por vir.

Ah, mas se por um lado tenho essa paciência e otimismo, por outro, há a “maravilhosa” presença da minha mãe, que é uma espécie de teste constante de autocontrole.

Quando decidi não seguir a carreira que ela sonhou pra mim, foi como se o mundo desabasse para ela.

Para mim? Apenas o começo da minha verdadeira vida.

Manter a calma com minha mãe é quase um esporte olímpico.

Meu Deus, nunca vi alguém tão controladora!

E hoje, que estava sendo um dia lindo, ela resolveu estragar meu humor me questionando sobre por que eu ainda não arranjei um homem extremamente rico, como se minha existência dependesse do saldo bancário de um futuro marido!

Para ela, o valor de uma pessoa parece resumir-se ao tamanho da conta no banco.

Às vezes me pergunto se ela está genuinamente preocupada ou se isso é só uma pegadinha para me enlouquecer.

Mas, por mais que minha mãe tente me empurrar para essa “realidade” dela, a verdade é que eu vou seguir meu caminho.

O que eu quero é um amor que faça meu coração bater mais forte e me traga a paz que nenhuma conta bancária jamais conseguiria comprar.

— Lara, minha querida — começa minha mãe, como um gravador eternamente em “replay” —, eu digo isso para o seu bem. Você vai envelhecer, e então, quem vai querer se casar com você? Olha sua irmã, namorado com um bom homem, financeiramente estável... Você deveria seguir o exemplo dela! Esses relacionamentos de três meses? Isso não leva a nada, minha filha! Precisa arranjar um casamento duradouro com um homem rico, alguém que lhe dê uma vida confortável. E se vocês se divorciarem, pelo menos terá recursos para viver bem... Não quer acabar como sua prima, não é? Coitada, casou-se por amor, e quando se separou, ficou sem teto, porque aquele homem desprezível a deixou sem nada!

Não posso evitar de amá-la, mesmo com sua visão... bem, peculiar. Dona Lauren definitivamente comete um erro monumental.

Alguém precisa avisá-la que dinheiro não é passaporte para a felicidade!

Casar por conforto financeiro, sem amor, não faz parte dos meus planos. Prefiro um relacionamento real, com alguém que tenha posses modestas, mas traga uma felicidade genuína!

Suspiro, já cansada do mesmo sermão.

— Mãe — digo, paciente, mas exausta —, você repete essas palavras todos os dias, e eu sempre vou responder o mesmo. Eu não quero ser uma “Keila”. Quero trilhar meu próprio caminho, e sinceramente, casar com um homem rico só para ter uma vida confortável está bem longe dos meus planos. Eu quero alguém que eu ame, e que me ame de volta. Alguém que me faça rir e me faça sentir algo novo. Até lá, deixa eu aproveitar meus namoros rápidos! Isso ainda é melhor do que me prender a alguém que só me serve de enfeite.

Minha mãe, horrorizada, arregala os olhos, mas não consigo evitar a provocação:

— Aliás, não vejo problema em estar com alguém diferente a cada dia, se é isso que quero! Afinal, sou solteira! Me deixa aproveitar a vida, mãe, e relaxa!

Ela suspira, balança a cabeça, e eu sei que a próxima tentativa de me “converter” ao clube das damas casadas e ricas não vai demorar.

Sinto minhas palavras ecoarem na sala como quem joga confete ao vento, mas sei que elas não vão encontrar abrigo no coração prático da minha mãe. Para ela, o amor verdadeiro é como uma história de contos de fada que lemos para nos distrair da vida real. Mas eu não consigo vê-la desse jeito. A vida não é só sobre segurança financeira; é sobre sentir e viver. Eu quero um amor que me faça vibrar, e não vou permitir que ninguém me molde a um padrão que não escolhi.

Deixo meu discurso no ar, mas conheço bem o roteiro. Ela apenas ajeita o cabelo, lança um olhar reprovador e, com um suspiro dramático, retoma a ladainha:

— Lara, eu só quero o seu melhor, minha filha — insiste, com aquele tom de mãe preocupada que não perdoa —, você precisa de um homem que garanta seu futuro. Enquanto é jovem, aproveite para pensar nisso. A idade chega e as oportunidades diminuem. Já pensou, minha filha? Encontrar um homem que a ame e que seja rico? Isso seria verdadeiramente perfeito!

Reviro os olhos e, para encerrar o assunto, coloco meu casaco, tentando não sorrir.

— Mamãe, eu estou indo para o trabalho e, quem sabe, nem volte para casa hoje… Vou para a casa do meu namorado. Olha só, esse relacionamento já está beirando os três meses. Viu? Até que está durando!

Ela suspira de novo, talvez já se perguntando se dessa vez, o “meu bem” vai entender a importância de uma conta bancária saudável.

Eu só penso em escapar antes de mais uma palestra sobre a nobreza do matrimônio financeiro.

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