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Capa do romance De Vítima a Vingadora

De Vítima a Vingadora

Grávida, Sofia é traída por Pedro, seu noivo e jogador famoso. Ele a obriga a trabalhar em uma boate sob o pretexto de dívidas, mas ela descobre que o dinheiro sustentará o filho dele com sua meia-irmã, Juliana. Após ser levada à força para uma clínica clandestina para abortar, o amor de dez anos se transforma em ódio profundo. Sofia sobrevive ao pesadelo e decide abandonar seu papel de vítima, renascendo com um único e implacável objetivo: vingança.
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Capítulo 2

"Você vai dançar na boate, Sofia."

A voz de Pedro era calma, mas cada palavra era como uma pedra atirada contra mim, não havia espaço para negociação, era uma ordem.

Estávamos no nosso apartamento, o lugar que eu decorei com tanto amor nos últimos anos, esperando que um dia se tornasse nosso lar de casados.

Ele estava sentado no sofá de couro caro, ainda vestindo o uniforme do time, o suor brilhando em sua testa.

Ele era Pedro, o famoso jogador de futebol, o homem que eu amava há dez anos, meu noivo.

Eu fiquei parada, segurando uma bandeja com um copo de água e seus analgésicos.

"O que você disse?"

Eu devo ter ouvido errado, era a única explicação.

Pedro levantou o olhar para mim, e pela primeira vez, não vi o carinho que eu conhecia, seus olhos estavam frios, impacientes.

"Eu disse que você vai trabalhar como dançarina na boate Blue Velvet, eu já falei com o gerente, você começa amanhã."

A bandeja tremeu em minhas mãos, o copo de água balançou, quase derramando.

"Pedro, isso é algum tipo de piada? Eu estou grávida, você sabe disso, como eu poderia trabalhar em uma boate?"

Ele riu, um som seco, sem humor.

"Exatamente por isso, Sofia, essa sua barriga ainda não aparece, ninguém vai notar, é o momento perfeito, precisamos do dinheiro."

"Dinheiro? Mas e o seu salário? Você é um dos jogadores mais bem pagos do país."

Eu me aproximei, colocando a bandeja na mesa de centro, minha voz era um sussurro trêmulo.

Ele se levantou, andando de um lado para o outro na sala, sua agitação enchendo o espaço.

"Dívidas de jogo, Sofia, perdi muito, mais do que você pode imaginar, se não pagarmos, eles vêm atrás de mim, de nós."

Seu rosto se contorceu em uma expressão de desespero, ele segurou meus ombros, me sacudindo levemente.

"Você me ama, não é? Você faria qualquer coisa por mim, não faria? É só por um tempo, até eu conseguir o dinheiro de volta, eu prometo."

Aquelas palavras, "você me ama", eram a minha fraqueza, por dez anos, eu amei Pedro com tudo o que eu tinha, desde a adolescência, quando ele não era ninguém, eu estive ao seu lado, eu acreditei nele, acreditei em suas promessas de casamento, em nosso futuro.

Eu olhei em seus olhos, procurando o homem que eu amava, e por um momento, eu o vi, o desespero parecia real.

Mas então, meu celular tocou, era minha meia-irmã, Juliana.

Antes que eu pudesse atender, Pedro pegou o celular da minha mão.

"Não atenda, não agora."

Ele recusou a chamada e a voz de Juliana soou da caixa postal que ativou automaticamente: "Pedro, querido, como foi? A idiota da Sofia concordou? Mal posso esperar para ver a cara dela quando descobrir que o dinheiro que ela ganhar vai ser para sustentar nosso filho, e não para pagar dívida nenhuma."

O celular caiu da mão de Pedro, batendo no chão com um baque surdo.

O mundo ao meu redor parou, o som da voz de Juliana ecoava na minha cabeça, cada palavra se repetindo, se cravando na minha mente, cruel e clara.

Pedro e Juliana.

Nosso filho.

O dinheiro.

Tudo era uma mentira, uma armação cruel e elaborada.

Meu olhar se moveu lentamente do celular no chão para o rosto de Pedro, o choque e o pânico estavam estampados em seus traços, a máscara de desespero tinha caído, revelando o manipulador por baixo.

"Sofia… eu posso explicar."

Ele tentou se aproximar, mas eu recuei como se ele fosse veneno.

"Explicar o quê?" minha voz saiu rouca, quebrada. "Explicar que vocês dois me enganaram? Que você e a minha própria irmã… vocês têm um filho?"

A dor era física, uma pressão esmagadora no meu peito, o ar se recusava a entrar nos meus pulmões.

Eu amei esse homem por uma década, eu carregava o filho dele no meu ventre, um filho que eu pensava ser fruto do nosso amor.

Mas era tudo uma farsa.

De repente, uma dor aguda e lancinante atravessou meu abdômen, me fazendo dobrar de dor.

Eu gemi, agarrando minha barriga.

"O bebê…"

Pedro olhou para mim, seu pânico se transformando em algo frio, calculista.

"Juliana está chegando, ela vai te levar ao médico."

"Que médico?" , eu consegui perguntar entre as contrações de dor.

"Um médico que vai resolver esse problema" , ele disse, e seu tom não deixava dúvidas sobre o que ele queria dizer.

Resolver o problema.

Ele estava falando do nosso filho, ele queria que eu o abortasse.

A porta se abriu e Juliana entrou, ela usava um vestido caro e um sorriso triunfante, seu olhar passou por mim, caída no chão, com uma satisfação cruel.

"Parece que a festa acabou mais cedo" , ela disse, sua voz doce e venenosa. "Vamos, Sofia, temos um compromisso, não queremos que você continue carregando esse… empecilho."

Ela e Pedro me levantaram, um de cada lado, eu estava fraca demais para lutar.

A dor no meu ventre era intensa, mas a dor no meu coração era insuportável, eles estavam me arrastando para fora do apartamento, para longe da vida que eu pensei que teria.

Enquanto eles me forçavam a entrar no carro, eu ouvi Juliana sussurrando para Pedro.

"Não se preocupe, querido, depois que nos livrarmos disso, ela vai ser uma boa fonte de renda, a culpa e a dor vão deixá-la dócil, ela vai fazer qualquer coisa que mandarmos."

Naquele momento, em meio à dor e ao desespero, algo dentro de mim se quebrou.

O amor que eu sentia por Pedro se transformou em pó, e em seu lugar, uma semente de ódio começou a brotar.

Eles me levaram para uma clínica clandestina, um lugar sujo nos fundos de um prédio abandonado.

A dor era excruciante, física e emocional.

Eles me forçaram a deitar em uma maca fria e enferrujada.

Um homem com um jaleco manchado se aproximou de mim com uma seringa.

Eu lutei, gritei, implorei, mas minhas forças se esvaíram.

A última coisa que vi antes de a escuridão me engolir foi o rosto de Juliana, sorrindo para mim, um sorriso que prometia mais dor e sofrimento.

Eles não estavam apenas tirando meu filho, eles estavam tentando destruir minha alma.

Mas eles subestimaram minha força, subestimaram a resiliência de uma mãe.

Naquele inferno, eu fiz uma jura, eu sobreviveria, e eu me vingaria.

A felicidade deles, construída sobre a minha ruína, não duraria para sempre.

Eu me certificaria disso.

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