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Capa do romance De Salvador a Stalker Obsessivo

De Salvador a Stalker Obsessivo

A senha da mansão de Caio Alencar, meu suposto salvador, era meu aniversário. Porém, ao flagrá-lo em um momento íntimo sussurrando o nome da minha meia-irmã, Kássia, descobri a cruel verdade. Ele me usou por três anos apenas para se aproximar dela e do meu pai. Chamada de patética por quem eu amava, decidi dar um basta. Abandonei a humilhação e a cidade, determinada a recomeçar longe da obsessão sombria de Caio e das mentiras de minha família.
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Capítulo 2

Eu não fui embora imediatamente. Havia uma última coisa que eu precisava fazer.

A avó de Caio, a formidável matriarca do clã Alencar, estava comemorando seu octogésimo aniversário em dois dias. Era um evento que eu não podia perder. Não porque eu quisesse ver Caio, mas porque a Sra. Alencar era a única pessoa no mundo dele que já tinha sido gentil comigo. E, mais importante, porque minha mãe havia me deixado um bloco significativo de ações de sua empresa, que estavam sendo administradas por meu pai e só seriam transferidas para mim no meu vigésimo quinto aniversário — um evento que ainda estava a meses de distância. A festa de aniversário era a oportunidade perfeita, e talvez final, de apelar à Sra. Alencar por ajuda para garantir minha herança antes de eu desaparecer para sempre.

A Sra. Alencar tinha um carinho especial por mim, um fato que tanto Caio quanto Kássia detestavam. Ela me convidou pessoalmente, e recusar ir teria sido um insulto.

Na noite da festa, me vesti com cuidado. Não para impressionar Caio, mas para me armar.

A propriedade dos Alencar estava deslumbrante, cheia da elite da cidade. Encontrei a Sra. Alencar no jardim, parecendo majestosa.

"Bia, minha querida", disse ela, seus olhos se enrugando nos cantos. "Você está adorável."

Entreguei a ela meu presente, uma roda de oração de sândalo esculpida à mão que passei um mês procurando.

O rosto dela se iluminou. "Oh, isso é primoroso. Você sempre sabe exatamente do que eu gosto." Ela deu um tapinha na minha mão e então fez um gesto para Caio, que estava parado rigidamente por perto. "Caio, seja um bom anfitrião e pegue uma bebida para a Bia. Não a deixe aqui parada sozinha."

A mandíbula de Caio se contraiu. Ele olhou para mim como se eu fosse algo que ele tivesse raspado do sapato.

"Ela não é criança, vovó. Ela pode pegar a própria bebida."

"Caio!" A voz da Sra. Alencar foi afiada.

Mas ele foi salvo pelo celular. Ele olhou para a tela, sua expressão se suavizando por uma fração de segundo antes de se virar e ir embora sem outra palavra.

A Sra. Alencar suspirou. "Não sei o que deu nesse menino."

"Está tudo bem, Sra. Alencar", eu disse, forçando um sorriso. Eu apreciava sua gentileza, mas isso não podia mudar a realidade dos sentimentos de seu neto por mim.

Alguns minutos depois, um murmúrio percorreu a multidão. Caio estava de volta.

E Kássia estava em seu braço.

Ela estava vestida com um vestido branco cintilante, parecendo um anjo. Um anjo muito frágil e delicado.

O rosto da Sra. Alencar endureceu. "O que ela está fazendo aqui? Eu não a convidei."

Kássia agarrou o braço de Caio, seu rosto pálido. "Caio, eu... eu não estou me sentindo muito bem." Ela começou a tossir, uma tosse pequena e teatral.

Caio imediatamente entrou em modo de proteção, seu braço envolvendo a cintura dela. "O que há de errado?"

Os convidados sussurravam entre si, seus olhos dardejando entre mim, a noiva-boato-mas-desprezada, e Kássia, a bela mulher no braço de Caio. Era óbvio quem eles achavam que era a verdadeira dama da casa.

Eu apenas fiquei ali, um gosto amargo na boca, tentando me tornar invisível.

A noite inteira foi uma performance. Caio nunca saiu do lado de Kássia. Ele buscava suas bebidas, segurava sua mão e ria de suas piadas, uma visão tão rara que era como ver uma estátua ganhar vida. Eu os observei, um estranho distanciamento se instalando sobre mim. Eu via tudo tão claramente agora — toda vez que ele tinha sido frio comigo, era porque Kássia estava por perto. Toda vez que ele me mostrava um pingo de bondade, era porque ela não estava.

Meu amor tinha sido tão cego. Eu tinha sido tão estupidamente, arrogantemente certa de que era especial para ele.

De repente, Kássia ofegou, agarrando a garganta. "Eu não consigo... não consigo respirar."

Caio empalideceu de pânico. "O que é? O que está acontecendo?"

Ele a segurou enquanto ela balançava, seus olhos percorrendo o salão freneticamente.

Kássia olhou para mim, seus olhos arregalados e inocentes. "O... o presente que a Bia deu para sua avó. Sândalo. Eu sou... sou alérgica."

A acusação pairou no ar, espessa e venenosa.

A cabeça de Caio virou-se bruscamente em minha direção. Seus olhos não estavam mais frios; eles ardiam com uma fúria assassina.

Ele se moveu tão rápido que não tive tempo de reagir. Em duas longas passadas, ele estava na minha frente. Sua mão disparou e se fechou em volta da minha garganta.

"Você fez isso de propósito", ele rosnou, seus dedos cravando na minha pele, cortando meu ar.

O pânico explodiu no meu peito. Arranhei sua mão, mas seu aperto era como ferro. Pontos pretos dançavam na minha visão.

"Caio, não!" engasguei, minha voz um ruído inútil.

Kássia soltou um grito fraco ao fundo. "Ah, não... não fique bravo com ela, Caio. Tenho certeza de que ela não sabia."

Então, com um suspiro delicado, ela desabou contra ele, desmaiando graciosamente em seus braços.

Isso foi tudo o que precisou.

O foco de Caio voltou para ela. Ele me soltou tão abruptamente que cambaleei para trás, ofegante, minha garganta ardendo.

Ele ergueu Kássia como se ela não pesasse nada.

A Sra. Alencar correu para frente. "Caio, o que você está fazendo? Coloque-a no chão!"

Ele parou, seu corpo rígido de fúria. Ele não olhou para sua avó. Ele olhou para mim.

Sua voz era uma promessa baixa e aterrorizante.

"Isso não acabou, Bia. Você vai me pagar por isso."

Então ele se virou e saiu da festa, deixando-me ali, humilhada, aterrorizada e completamente sozinha em uma sala cheia de olhos curiosos.

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