
De Salvador a Stalker Obsessivo
Capítulo 3
Fugi da festa, a vergonha queimando minhas bochechas mais quente do que as marcas vermelhas dos dedos que floresciam no meu pescoço. Eu só queria voltar para o meu apartamento, trancar a porta e esperar pelo meu voo para fora daquele inferno.
Mas nunca cheguei em casa.
Quando virei na minha rua tranquila, uma van preta parou com um rangido ao meu lado. A porta lateral deslizou, e dois homens grandes pularam para fora. Antes que eu pudesse gritar, uma mão tapou minha boca, e outro braço envolveu minha cintura, me levantando do chão.
Fui jogada na parte de trás da van. A porta bateu, me mergulhando na escuridão. Um golpe forte na nuca, e então, nada.
Acordei com o choque de água gelada atingindo meu rosto.
Engasguei, ofegante, meus olhos ardendo. O mundo era uma bagunça turva e escura. Eu estava em algum tipo de galpão abandonado, o ar cheirando a ferrugem e decadência. Minhas mãos estavam amarradas atrás das costas a uma cadeira de metal.
Uma risada baixa e sórdida ecoou no vasto espaço. "Olha só quem finalmente acordou."
Pisquei, tentando clarear minha visão. Dois homens estavam diante de mim, seus rostos obscurecidos pelas sombras.
"Quem são vocês? O que vocês querem?" perguntei, minha voz tremendo.
"Você irritou a pessoa errada, moça", disse o primeiro homem. Ele segurava um chicote longo e fino. Ele o passava por suas mãos sujas. "E agora, é hora da sua punição."
O medo, frio e agudo, perfurou meu torpor.
"Isso é sequestro! É ilegal!" Tentei soar forte, mas minha voz saiu como um guincho patético.
O segundo homem riu. Ele mergulhou a ponta do chicote em um balde do que parecia ser água salgada. "Estamos apenas seguindo ordens. Uma pequena lição para uma vadia ciumenta que tentou machucar a garota do nosso chefe."
Meu coração parou. "Seu chefe?"
O chicote assobiou pelo ar antes que eu pudesse processar suas palavras. Atingiu minhas costas com uma força incrível.
Um grito rasgou minha garganta. A dor foi imediata, uma linha ardente e branca de agonia. A água salgada em que eles mergulharam o chicote tornou tudo cem vezes pior, um fogo químico se espalhando sob minha pele.
Mordi o lábio para não gritar de novo, sentindo o gosto de sangue.
"Quem mandou vocês?" ofeguei, lágrimas escorrendo pelo meu rosto. "Foi... foi o Caio Alencar?"
O homem segurando o chicote sorriu, um flash de dentes amarelos na penumbra. "O chefe é um homem esperto. Ele sabia que você tentaria se fazer de vítima depois do seu teatrinho. Isso é por ter machucado a Srta. Leonard."
O mundo inclinou. Caio. Ele tinha ordenado isso. Porque ele achava que eu tinha machucado Kássia. O homem que tinha sido minha luz, meu salvador, tinha acabado de contratar homens para me torturar.
O chicote desceu de novo, e de novo, e de novo. Perdi a conta. Minhas costas eram uma massa retalhada de carne viva. Cada chicotada era uma nova onda de agonia, me puxando para baixo.
Eles gravaram. Um deles segurou um celular, o flash me cegando. "Grite mais alto", ele zombou. "O chefe quer ouvir."
Gritei até minha garganta ficar em carne viva, até não ter mais voz.
Em algum momento, a dor se tornou insuportável, e meu corpo desistiu. Caí para frente na cadeira, minha consciência se desvanecendo em uma dormência abençoada e escura.
Não sei quanto tempo fiquei desacordada. Quando voltei a mim, estava no chão de concreto frio, desamarrada. Os homens tinham ido embora. Eles simplesmente me deixaram lá, um monte quebrado na escuridão.
Eu estava queimando. Uma febre assolava meu corpo, a tentativa desesperada do meu organismo de lutar contra a infecção que certamente estava se instalando em minhas feridas.
Então eu ouvi. Um toque fraco e metálico.
Meu celular. Eles tinham deixado minha bolsa no chão a alguns metros de distância.
Uma onda desesperada de adrenalina percorreu meu corpo. Eu tinha que pegá-lo.
Comecei a rastejar. Cada movimento enviava relâmpagos de dor pela minha espinha. A pele rasgada das minhas costas raspava no concreto áspero, e um novo grito rasgou minha garganta em carne viva.
Mas continuei, meus olhos fixos na bolsa. Era minha única esperança.
Meus dedos, desajeitados e trêmulos, finalmente se fecharam na alça. Puxei-a para mim, remexendo dentro até sentir a superfície fria e lisa do meu celular.
A tela se iluminou com o rosto de Helena. Ela estava me ligando.
Com um soluço de alívio, deslizei para atender, minha mão deixando uma mancha de sangue na tela.
"Bia? Onde você esteve? Você está bem? Comprou sua passagem?" Sua voz era uma torrente de perguntas preocupadas.
Abri a boca para responder, para gritar por ajuda, mas apenas um som fraco e rouco saiu.
"Me... ajuda..."
E então a escuridão me engoliu por completo.
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