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Capa do romance De Esposa Invisível a Poderosa

De Esposa Invisível a Poderosa

Após cinco anos de submissão para salvar sua avó, uma mulher é descartada por Fabrício Costa quando América retorna. O golpe final vem de Estêvão, a criança que ela criou, que a rejeita cruelmente. Humilhada e ferida após uma queda ignorada pelo marido, ela assina o divórcio e reconstrói sua vida. Anos depois, poderosa e em um novo amor, ela vê o arrependimento deles florescer, mas deixa claro que as escolhas do passado são definitivas e não há mais volta.
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Capítulo 2

Joceline POV:

O carro de América, um SUV preto e brilhante que parecia ter saído de uma revista, estava estacionado bem no meu lugar na garagem. Não era por acidente; era uma declaração de posse. Apertei os lábios. Eu tinha tido um dia longo e doloroso, e a última coisa que eu queria era uma nova batalha territorial.

América desceu do carro, o cabelo esvoaçante como em seus comerciais de perfume baratos. Seus lábios vermelhos se curvaram em um sorriso presunçoso.

"Ora, ora, quem diria," ela disse, a voz cheia de deboche. "Não sabia que você ainda tinha um carro, Joceline. Achei que Fabrício tivesse te dado um para o caso de você precisar fugir."

Eu a encarei. Não havia resposta que valesse a pena dar.

"Este lugar é meu," eu disse, a voz monótona.

Ela riu, uma risada que parecia um sino quebrado. "Seu? Querida, Fabrício me deu a chave de casa. Isso significa que tudo aqui é MEU. Por que você não estaciona na rua? Não combina com o seu carro velho, de qualquer forma."

Senti um nó na garganta. Aquela mulher… ela sempre conseguia me irritar. Mas eu respirei fundo. Estava a poucos dias da liberdade.

Fabrício saiu do carro, Estêvão pendurado em sua mão. Ele me olhou de soslaio, uma expressão de repreensão em seu rosto.

"Joceline," ele disse, a voz baixa, mas firme. "América é minha convidada. Deixe-a em paz."

Meu coração se apertou. Mas não de dor, e sim de uma estranha sensação de cansaço. Por que eu ainda esperava algo diferente dele?

Estêvão, meu filho, o menino que eu criei, me olhou com desprezo.

"Mamãe Joceline, seu carro é tão feio," ele disse, a voz infantil, mas carregada de crueldade. "O da tia América é muito mais legal. Por que você não joga o seu fora?"

O impacto das palavras dele foi como um soco no estômago. Minhas pernas fraquejaram. Estêvão. Meu pequeno Estêvão. Por anos, eu o embalei quando ele chorava, cantei para ele dormir, ensinei-o a ler. Eu sacrifiquei minha carreira, meus sonhos, minha própria vida por ele. E agora, ele me olhava como se eu fosse um incômodo, um estorvo.

Ele me olhou como América o ensinou a olhar. Como uma invasora.

América, sentindo-se vitoriosa, sorriu para Fabrício. "Fabrício, eu não quero causar problemas. Posso ir para um hotel, se for o caso." Ela fez um beicinho, agindo como uma vítima. Pura falsidade.

Fabrício, é claro, caiu de quatro. "De jeito nenhum, meu amor! Você fica aqui. Estêvão ama ter você por perto."

Estêvão concordou, pulando. "Sim, tia América! Você é a melhor! A mamãe Joceline é chata, você é legal!"

Fabrício sorriu para América, ajeitando uma mecha de cabelo dela. "Eu pedi para prepararem o quarto de hóspedes para você, América. É o melhor que temos."

Ele nem se deu ao trabalho de olhar para mim. Eu estava parada ali, sangrando por dentro, e ele agia como se eu fosse uma peça de mobília invisível.

"Fabrício, você não pode simplesmente ignorar que ela está aqui!" América disse, fingindo consternação. "Ela é sua... esposa, afinal."

Uma risada amarga escapou dos meus lábios. "Esposa? Querida, você não precisa se preocupar com isso. Meu tempo aqui está quase no fim."

América me olhou, os olhos arregalados, surpresa genuína em seu rosto. Ela não esperava que eu fosse tão direta. Fabrício parecia chocado também. Ele franziu a testa, como se estivesse tentando decifrar um enigma.

"Joceline, do que você está falando?" ele perguntou.

Eu não respondi. Não havia necessidade. Ele descobriria em breve.

"Fabrício, não se preocupe," América disse, tomando-o pelo braço. "Vou ficar bem. Mas… ah, meu carro está cheio de malas. Você poderia pegar o resto para mim?"

Fabrício assentiu prontamente. "Claro, meu amor." Ele se virou para mim, jogando as chaves do carro de América na minha direção. "Joceline, por favor, ajude América com as malas dela."

A humilhação foi a gota d'água. Ele me transformou em um acessório de sua ex-namorada.

"Ela tem duas mãos," eu disse, a voz cortante como nunca antes. "Ela pode fazer isso sozinha."

Fabrício me olhou, incrédulo. Meus olhos estavam frios, sem emoção. Ele nunca me viu assim. A mulher que ele tanto desprezava estava, de repente, lá.

"Joceline!" ele disse, a voz carregada de raiva contida.

Eu dei de ombros. "Ou peça para um dos empregados. Não sou sua empregada pessoal."

A surpresa em seu rosto foi tão palpável que quase ri. Ele, o todo-poderoso Fabrício Costa, estava sem palavras.

América, percebendo a tensão, interveio, a voz doce como mel. "Fabrício, não se preocupe. Eu mesma pego. Não quero ser um fardo."

Fabrício se acalmou um pouco. Ele me deu um olhar de advertência antes de se virar para América. "Eu pego para você, meu anjo. Não se preocupe."

Ele e Estêvão a escoltaram para dentro da casa, deixando-me para trás no escuro da garagem.

Peguei as chaves que ele havia jogado e subi as malas de América. Eram muitas. Mais do que qualquer pessoa precisaria para uma simples visita. Era a demonstração máxima de que ela estava se instalando, de que eu era a intrusa. Meu coração batia devagar, pesado, mas vazio. Eu parecia um robô, cumprindo uma tarefa sem qualquer emoção.

Quando voltei, eles estavam na sala de estar. Estêvão, com os olhos brilhantes, estava mostrando a América uma pequena barra de ouro. Era um presente que eu tinha guardado para ele desde que ele era bebê, um investimento para o futuro dele. Eu o dei em seu último aniversário, quando ele fez seis anos.

"Mamãe Joceline me deu isso!" ele disse, entregando a barra de ouro a América. "Ela disse que era para o meu futuro. Mas você é muito mais legal, tia América. Você quer?"

América pegou o ouro, os olhos arregalados de surpresa. Ela fingiu modéstia. "Oh, Estêvão, isso é muito valioso. Eu não posso aceitar."

Meu rosto ficou pálido. A barra de ouro. Eu a havia comprado com as economias que Donatila me deu para o tratamento da minha avó, antes de ela falecer. Eu a havia mantido guardada, com a intenção de dá-la a Estêvão quando ele fosse mais velho, como um símbolo do meu amor e sacrifício por ele. E ele, sem hesitar, a estava oferecendo à mulher que me substituía.

Fabrício notou minha palidez. "Estêvão! O que você está fazendo? Isso é um presente de sua mãe!"

Estêvão fez um bico. "Não é nada demais, papai! A mamãe Joceline é chata! E a tia América disse que isso é para meu futuro, mas eu não preciso disso. Eu tenho você!" Ele abraçou América, que sorria vitoriosa por cima da cabeça do menino.

Fabrício estava prestes a repreendê-lo novamente, mas eu o interrompi, minha voz fria como gelo.

"Deixe-o, Fabrício," eu disse. "Não tem importância. Se ele não quer, é problema dele. A barra de ouro não vale nada se não for valorizada por quem a recebe."

Todos se viraram para mim, chocados com a minha indiferença. Eu não esperei pela reação deles. Apenas me virei e fui para o meu quarto.

Fechei a porta atrás de mim, encostando-me a ela, e fechei os olhos. A dor era quase física, mas agora era uma dor familiar, anestesiada. Faltavam apenas alguns dias. Alguns dias e eu estaria livre.

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