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Capa do romance De Esposa Invisível a Poderosa

De Esposa Invisível a Poderosa

Após cinco anos de submissão para salvar sua avó, uma mulher é descartada por Fabrício Costa quando América retorna. O golpe final vem de Estêvão, a criança que ela criou, que a rejeita cruelmente. Humilhada e ferida após uma queda ignorada pelo marido, ela assina o divórcio e reconstrói sua vida. Anos depois, poderosa e em um novo amor, ela vê o arrependimento deles florescer, mas deixa claro que as escolhas do passado são definitivas e não há mais volta.
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Capítulo 3

Joceline POV:

Acordei na manhã seguinte em minha cama fria e solitária. Há anos que Fabrício e eu dormíamos em quartos separados. Era uma regra não dita, estabelecida implicitamente desde o início do nosso casamento de contrato. Nunca houve intimidade real entre nós, apenas o dever e a solidão.

Depois de um café amargo, com a casa ainda em silêncio assustador, dirigi para o escritório da minha melhor amiga, Clara, uma advogada brilhante e a única pessoa que sabia de toda a verdade sobre meu contrato.

Ela me ouviu, como sempre, com uma expressão séria em seu rosto, enquanto eu desabafava sobre os acontecimentos da noite anterior.

"Eu não consigo acreditar na audácia daquela mulher," Clara disse, balançando a cabeça. "E Fabrício é um idiota. E Estêvão… Joceline, ele é apenas uma criança, mas como ele pôde ser tão cruel?"

Eu dei de ombros. "América o manipulou. E Fabrício permitiu. Não importa mais."

Clara me olhou, os olhos cheios de preocupação. "Você está bem, amiga? Mesmo? Porque você está parecendo... vazia."

"Estou cansada, Clara. Mas bem. Em breve, tudo isso será uma lembrança distante."

Ela assentiu. "Bem, tenho os papéis de divórcio prontos para você, caso precise."

Eu dei um sorriso amargo. "Divórcio? Para quê? Nós nunca nos casamos legalmente, Clara. Nunca fomos ao cartório."

Clara arregalou os olhos. "O quê? Mas o contrato..."

"O contrato era apenas isso. Um contrato. Para a sociedade, para a família dele. Mas Fabrício nunca quis levar a sério. Ele sempre adiava o registro oficial. Eu, ingênua, acreditei que um dia ele realmente me amaria." Eu ri, uma risada sem humor. "Que tola eu fui."

Clara balançou a cabeça, chocada. "Eu sinto muito, Joceline. Eu realmente sinto."

"Não sinta. Mas preciso de mais um documento." Minha voz falhou um pouco. "Preciso de um documento de renúncia de direitos parentais."

Clara me olhou, os olhos arregalados. Ela sabia o quanto eu amava Estêvão. Ela me viu lutar por ele, dedicando cada fibra do meu ser àquele menino.

"Joceline, não. Você não pode estar falando sério," ela disse, a voz embargada.

Senti uma pontada de dor, mas a suprimi. "É a única maneira, Clara. Eu não posso levá-lo. E ele... ele já me esqueceu. Ele escolheu América."

Clara ainda tentou argumentar, mas meu olhar firme a calou. Ela suspirou, pegou o formulário e o preencheu rapidamente. Minhas mãos tremiam um pouco ao assinar. Renunciei a Estêvão. O filho que eu carreguei no meu ventre, que amei como se fosse meu.

Clara me entregou a pasta com os documentos. "Você tem certeza disso, amiga? Que não vai se arrepender?"

"Tenho sim, Clara," eu disse, a voz vazia. "Estou apenas... me libertando. Eles me libertaram primeiro."

Saí do escritório dela, a pasta apertada contra o meu peito. Eu não olhei para trás.

Clara me gritou da porta. "Seja feliz, Joceline! Ame a si mesma!"

Eu parei por um instante, me virei e sorri. Um sorriso pequeno, mas sincero. "Vou tentar, Clara. Vou tentar."

Voltei para casa no final da manhã. A sala de estar estava vazia. Ninguém estava lá. Fui à cozinha. O café da manhã que eu preparei para eles – torradas, frutas, ovos mexidos – estava intocado e frio na mesa. Eles nem sequer comeram.

Respirei fundo. Reaquecei meu próprio café. Depois, subi as escadas. Para o quarto de Fabrício. Eu sempre batia na porta, uma regra que ele impôs para "manter a privacidade".

Bati. Nenhuma resposta. Bati de novo.

Desta vez, a porta se abriu. E lá estava América, espreguiçando-se preguiçosamente em uma camisola de Fabrício, com os cabelos bagunçados e um sorriso satisfeito no rosto. Ela me viu, mas não se intimidou. Apenas manteve o sorriso.

"Ah, Joceline," ela disse, bocejando. "Bom dia. Eu estava apenas... ajudando Fabrício a se sentir melhor. Ele estava tão estressado com tudo isso." Ela fez um gesto vago, como se estivesse se referindo à minha presença.

Meu rosto ficou branco. Senti meu estômago revirar.

América estava prestes a continuar com sua provocação quando Fabrício apareceu atrás dela, vestindo apenas um roupão de seda.

"Quem está aí?" ele perguntou, a voz sonolenta. Ele pensou que era Estêvão.

Ele me viu. E então eu vi. Uma marca vermelha no seu pescoço. Um "chupão".

Uma risada irônica escapou dos meus lábios. Fabrício, que sempre foi tão frio e distante comigo, agora demonstrava sua paixão por América. Aquele Fabrício, que eu pensei que jamais existiria, estava bem ali, na minha frente. Meu Fabrício distante e frio era apenas para mim.

Ele empalideceu, tentando cobrir a marca com a mão. "Joceline! O que você está fazendo aqui?" ele gaguejou. "Eu... América... ela não estava se sentindo bem. Eu estava apenas... cuidando dela."

Eu dei outra risada seca, indicando que a mentira não o convencia. "Ah, sim. Claro. Eu entendo perfeitamente."

Eu não disse mais nada. Apenas me virei e desci as escadas, a cabeça erguida, o coração vazio. Não havia mais dor, apenas uma estranha sensação de alívio. Afinal, o contrato estava prestes a terminar. As ações dele não me afetavam mais. Eu só precisava aguentar mais alguns dias.

Cinco minutos depois, Fabrício, Estêvão e América desceram para o café da manhã. Estêvão fez uma careta para os ovos mexidos.

"Eca! Mamãe Joceline, eu não quero isso," ele disse, empurrando o prato. "Eu quero aquele bolinho de chuva que você faz. Com calda de chocolate."

Fabrício suspirou. "Estêvão, coma o que tem na mesa. Sua mãe se esforçou para fazer."

"Mas eu quero bolinho de chuva AGORA!" Estêvão bateu o pé.

Fabrício, que normalmente seria rigoroso, estava prestes a repreendê-lo quando América sorriu.

"Bolinho de chuva?" ela disse, a voz sugestiva. "Que delícia! Eu adoraria experimentar. Joceline, você poderia fazer para nós?"

Fabrício, com o rosto suavizado, se virou para mim. "Joceline, por favor, faça o bolinho de chuva para Estêvão e América."

Eu levantei os olhos do meu prato, onde eu comia em silêncio. "Quem quiser, pode fazer. Eu não vou."

Todos na mesa me olharam, chocados. Nunca, em cinco anos, eu havia recusado um pedido de Fabrício, especialmente quando se tratava de Estêvão.

"Fabrício, se não quiserem comer, podem jogar fora," eu disse, a voz sem emoção. "Não sou mais a empregada de vocês."

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