
De Esposa Destroçada a Poder Bilionário
Capítulo 2
Ponto de Vista de Alice Dias:
Os olhos de Érico, desprovidos de calor, pousaram na minha mão estendida, depois se desviaram, me dispensando. A rejeição foi um golpe físico, um novo hematoma na minha alma já surrada. Tropecei, meu corpo ferido protestando, e quase caí. Foi Babi quem falou primeiro, sua voz carregada de uma preocupação doce e enjoativa.
"Oh, Alice, querida, você está com uma aparência horrível. Você está bem mesmo? A Princesa estava tão preocupada com você." Ela fez bico, sua mão perfeitamente manicurada acariciando a cabeça fofa da cachorra. Princesa, sentindo a deixa, soltou um latido minúsculo e agressivo, mostrando dentes em miniatura para mim.
Recuei, o latido cortando os restos frágeis da minha compostura. Então, tão rapidamente quanto começou, Princesa colocou o rabo entre as pernas e choramingou, enterrando a cabeça no peito de Babi, uma imagem de angústia inocente. Babi olhou para Érico, com os olhos arregalados e cheios de lágrimas.
"Oh, Érico, olha. A Alice chateou a Princesa. Ela é tão delicada."
O maxilar de Érico endureceu. Ele nem olhou para mim. Seu olhar estava fixo em Babi, em sua angústia fingida, na cachorra que ele parecia valorizar mais do que sua própria família.
"Alice", disse ele, sua voz um rosnado baixo. "O que eu te disse? Você sempre consegue chatear a Babi, ou a Princesa. Você não pode ser mais cuidadosa?"
Minha respiração falhou. "Cuidadosa?" Eu o encarei, minha visão embaçando. "Érico, olhe para mim. Eu acabei de sofrer um acidente de carro. Eu perdi nosso bebê. Estou sangrando." Gesticulei descontroladamente para a mancha nas minhas roupas, um apelo desesperado para que ele me visse.
Babi arfou dramaticamente, as mãos voando para a boca. "Ai, meu Deus! Alice, você está tentando chamar atenção? Você sabe como o estômago da Princesa é delicado. Ela já levou um susto tão grande."
Os olhos frios de Érico finalmente varreram meu corpo, demorando-se por uma fração de segundo no tecido ensanguentado. Então, sua boca se contorceu em desgosto. "Você está uma bagunça, Alice. Como sempre."
Ele caminhou em minha direção, não com preocupação, não com conforto, mas com uma raiva aterrorizante. Preparei-me, esperando uma palavra dura, um empurrão. Em vez disso, ele agarrou meu braço, seu aperto surpreendentemente forte, enviando um choque de dor pelo meu lado já dolorido.
"Você precisa pedir desculpas para a Babi", ordenou ele, a voz crua de fúria. "Agora. Por chatear a Princesa. E por fazer essa cena toda."
Minha mente girou. Pedir desculpas? Pelo quê? Por sangrar? Por perder um filho? Por existir? A amargura subiu na minha garganta, um gosto metálico. Eu podia sentir o ressentimento ardente borbulhando, misturado com uma sensação avassaladora de impotência. Lágrimas, quentes e furiosas, finalmente escorreram pelo meu rosto.
"Pedir desculpas?", engasguei, tentando soltar meu braço. "Érico, como você pode? Eu perdi nosso bebê. Nosso filho."
Babi soltou um soluço teatral. "Oh, Érico, ela é tão cruel! Ela sabe o quanto eu adoro a Princesa. E agora ela está tentando me fazer sentir mal pelo probleminha de estômago da Princesa!" Ela ergueu uma pequena caixa primorosamente embrulhada. "E olha o que ela fez com isso! Encontrei no chão lá embaixo. Meu novo colar de diamantes de edição limitada. Ela deve ter deixado cair na entrada, esperando quebrá-lo!"
Meu olhar caiu sobre a caixa. Era a mesma sobre a qual Érico falava há semanas, aquela que ele dizia ser cara demais, rara demais, para qualquer pessoa que não fosse "sua musa". Ele a tinha dado para Babi momentos antes de eu chegar. E agora, ela estava usando isso para me acusar.
"Não, eu não fiz isso", sussurrei, minha voz apenas um fio. "Eu encontrei. Eu guardei para proteger."
"Ah, Alice, não minta", fungou Babi, os olhos disparando para Érico. "Você está com ciúmes. Você sempre está."
"Alice", disse Érico, a voz perigosamente baixa. "Você vai pedir desculpas. Você vai parar de mentir. E você vai parar de causar problemas. Você entendeu?"
Balancei a cabeça, as lágrimas escorrendo pelo meu rosto. "Érico, por favor. Confie em mim. Não foi isso que aconteceu. Estou ferida. Preciso da sua ajuda." Olhei nos olhos dele, procurando um lampejo do homem que conheci um dia, o homem que me salvou, o homem a quem jurei minha vida.
Ele deu um passo mais perto, e meu coração inexplicavelmente disparou. Ele estava vindo até mim. Ele veria. Ele acreditaria em mim.
Mas então, sua mão disparou, não para confortar, mas para empurrar. Ele me empurrou com força, me fazendo cair para trás. O impacto enviou uma nova agonia lancinante pelo meu abdômen. Gritei, dobrando-me, minhas mãos agarrando meu lado ferido.
"Peça desculpas!", ele rugiu, o rosto contorcido em uma máscara de fúria. "Peça desculpas para a Babi agora mesmo, ou você vai se arrepender!"
Desabei no chão, ofegante, a dor um fogo branco e cegante. Através da névoa, ouvi a risadinha triunfante de Babi.
"Eu... eu não consigo", sussurrei, as palavras mal escapando dos meus lábios. Minha visão afunilou. A sala girou. Tudo o que eu conseguia sentir era a queimação no meu estômago, a dor vazia no meu útero e o peso esmagador da traição de Érico.
"Você vai, Alice", ele rosnou, curvando-se, o rosto uma máscara aterrorizante. "Você vai pedir desculpas por chatear a Princesa, e chatear a Babi, e fazer essa noite inteira ser sobre você."
Ele tinha esquecido. Ele tinha esquecido o bebê. Ele tinha esquecido de mim. Ele tinha esquecido tudo, exceto sua preciosa Babi e sua cachorra mimada.
A compreensão me atingiu com a força de um golpe físico. Isso não era um mal-entendido. Isso não era um dia ruim. Esse não era o homem que eu amava, perdido para o estresse ou a ambição. Esse era o Érico. E ele sempre tinha sido cruel assim, egoísta assim. Eu apenas tinha sido cega demais, desesperada demais para ver. Ele nunca me amou de verdade. Ele só amava o que eu podia fazer por ele.
Uma calma fria e aterrorizante se instalou sobre mim. As lágrimas pararam. A dor, embora ainda intensa, parecia distante. Um interruptor virou dentro de mim. Eu tinha dado tudo a ele. Minha vida, meus talentos, meu próprio eu. E ele tinha esmagado tudo, pedaço por pedaço, sob o calcanhar de sua indiferença.
"Sinto muito", raspei, as palavras com gosto de veneno. "Sinto muito, Babi. Por chatear a Princesa. E por tudo." Cada palavra era um pequeno pedaço da minha alma, quebrando e caindo no abismo.
Babi sorriu radiante, um sorriso vitorioso no rosto. Érico se endireitou, um olhar de satisfação sombria em suas feições. Ele não ofereceu a mão para me ajudar a levantar. Ele nem olhou para mim novamente. Ele apenas se virou para Babi, acariciando o cabelo dela, sussurrando garantias.
Fiquei deitada lá por um longo momento, o chão de mármore frio contra minha bochecha. O lustre cintilante acima parecia zombar de mim, seu brilho destacando a realidade nua e crua da minha humilhação. Minha percepção da realidade borrou nas bordas. Essa não podia ser minha vida. Esse não podia ser o homem a quem eu tinha dado tudo.
Um pensamento, um pensamento desesperado e aterrorizante, floresceu no deserto da minha mente. E se eu pudesse apenas... apagar tudo? Apagar ele? Apagar a dor? As memórias, o amor, a traição. Tudo isso.
Eu tinha ouvido sussurros sobre uma terapia neurológica radical. Um último recurso para aqueles assombrados por traumas indizíveis. Uma chance de limpar a lousa.
Eu precisava esquecer Érico. Cada memória.
Você pode gostar





