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Capa do romance De Esposa Destroçada a Poder Bilionário

De Esposa Destroçada a Poder Bilionário

Após sofrer um aborto e ser desprezada por Érico, que priorizou o cão de sua amante, Alice vive um pesadelo. Humilhada e vítima de uma tentativa de envenenamento pelo próprio marido, ela decide apagar suas memórias em uma clínica. Contudo, o processo falha e revela sua verdadeira identidade: ela não é uma órfã, mas a herdeira bilionária Alice Albuquerque. Agora, ciente de seu poder e fortuna, ela ressurge determinada a nunca mais se desculpar por existir.
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Capítulo 1

Deitada na cama do hospital, agarrei meu ventre vazio, as palavras do médico sobre o meu aborto ainda ecoando na minha mente como um pesadelo sem fim.

Liguei para o meu marido, desesperada por qualquer migalha de conforto, mas a voz dele soou irritada, quase agressiva.

"Alice, agora não", Érico retrucou, impaciente. "A cachorra da Babi está vomitando. A Babi está histérica. Pegue um táxi e pare de ser tão dramática."

Ele desligou na cara da esposa que acabara de perder o filho deles para consolar o Lulu da Pomerânia da amante.

Quando arrastei meu corpo quebrado para casa, ele não me abraçou. Ele me forçou a pedir desculpas para a cachorra.

Então veio o golpe final: assisti pela TV enquanto ele presenteava sua amante com todo o meu portfólio de fotografia, alegando ser trabalho dela, enquanto me entregava um frasco de perfume ao qual ele sabia que eu era mortalmente alérgica.

Destruída, fui a uma clínica radical para ter minhas memórias dele apagadas para sempre.

Mas o procedimento não me deixou em branco. Ele destrancou uma porta que eu nem sabia que existia.

Eu não era a órfã Alice Dias.

Eu era Alice Albuquerque, a herdeira bilionária desaparecida.

E eu cansei de pedir desculpas.

Capítulo 1

Ponto de Vista de Alice Dias:

O mundo entrou em foco, um caleidoscópio borrado de branco. Paredes brancas, lençóis brancos, o uniforme branco e engomado da enfermeira curvada sobre mim. Mas o branco mais gritante era o espaço vazio onde a esperança costumava habitar. As palavras do médico ecoaram, frias e clínicas, revirando minhas entranhas.

"Fizemos tudo o que podíamos, Sra. Dias."

Minha respiração falhou. "Meu bebê?" Não foi uma pergunta, mas uma súplica sufocada.

A enfermeira, uma mulher de olhos cansados e gentileza treinada, evitou meu olhar. Ela ajustou o soro, o tubo de plástico gelado contra meu braço. Um médico, jovem e insensível, deu um passo à frente. Sua voz era plana, desprovida de qualquer calor humano.

"A perda de sangue foi significativa, o trauma no abdômen muito severo. Ele era muito pequeno para sobreviver ao impacto. E dada a exposição prolongada à tempestade... nós o perdemos."

Perdemos. A palavra foi um golpe brutal, estilhaçando a casca frágil da minha realidade. Minha mão voou instintivamente para o meu estômago, agora uma paisagem plana e desolada. A pequena protuberância cheia de esperança, os chutes sutis que eu tinha acabado de começar a sentir... se foram. Simples assim. Uma lágrima escorreu pela minha têmpora, quente contra minha pele gelada.

"E seus ferimentos", continuou o médico, alheio à minha agonia. "A hemorragia interna está sob controle, mas as cicatrizes serão extensas. Você tem sorte de estar viva, Sra. Dias."

Sorte. A palavra tinha gosto de cinzas na minha boca. Virei o pescoço, vislumbrando meu reflexo na janela escura do hospital. Um rosto pálido e abatido me encarava de volta, olhos fundos, emoldurados por cabelos embaraçados. Uma mancha carmesim profunda aparecia sob a borda da minha camisola, um lembrete cruel do que eu havia perdido. Meu corpo inteiro doía, uma dor profunda e contundente que ia além do físico. Era uma dor oca, um vazio que ecoava o que havia dentro de mim.

O desespero, espesso e sufocante, envolveu-me. Eu estava sozinha aqui, total e tragicamente sozinha. O quarto estéril amplificava o silêncio, zombando dos gritos presos na minha garganta.

Então, meu celular vibrou na mesa de cabeceira, uma intrusão irritante. Eu me encolhi, minha mão tremendo enquanto a estendia para pegá-lo. A tela brilhou, exibindo o nome de Érico. A esperança cintilou, dolorosa. Ele estaria aqui. Ele me confortaria. Ele entenderia.

Apertei o botão de atender, minha voz um sussurro em carne viva. "Érico?"

A voz dele, geralmente tão suave e melódica, estava tensa de irritação. "Alice? Onde você está? O que está acontecendo? A Princesa, a cachorra da Babi, está com dor de barriga e a Babi está completamente histérica. Ela precisa de mim."

Meu coração, já fraturado, se partiu ainda mais. "Érico", tentei novamente, minha voz quase inaudível. "Eu sofri um acidente. A tempestade... eu perdi o bebê."

Um momento de silêncio. Não de choque, nem de luto, mas de aborrecimento. "O bebê? Alice, agora realmente não é hora para isso. A Princesa está vomitando e a Babi está chorando. Você sabe como ela é sensível." A voz dele ficou mais fria. "Olha, você só precisa ir para casa. A Babi diz que a Princesa precisa de silêncio. E ela quer que você peça desculpas por ter deixado a cachorra nervosa. Apenas... resolva isso."

Meu sangue gelou. Pedir desculpas? Por deixar uma cachorra nervosa? Enquanto eu estava deitada em uma cama de hospital, tendo acabado de perder nosso filho? O mundo inclinou.

"Érico, por favor", implorei, um lamento desesperado e infantil preso na garganta. "Estou no hospital. Estou ferida."

"Eu já te disse, Alice, a Babi precisa de mim agora. E, francamente, você é sempre tão dramática." O tom dele endureceu ainda mais. "Apenas vá para casa. E limpe qualquer bagunça que você tenha feito no caminho."

E então, um clique. Ele desligou. Simples assim. O telefone escorregou dos meus dedos dormentes, batendo suavemente contra a grade da cama. O sinal de linha ecoou no silêncio estéril. O choramingo de Babi, um som fraco e distante ao fundo da ligação dele, pareceu um golpe deliberado.

Meus olhos ardiam, mas não saíam mais lágrimas. Eu não sentia nada além de um vasto e aterrorizante vazio. Uma mão invisível apertava meu peito, espremendo os últimos vestígios de ar dos meus pulmões.

"Sra. Dias?", perguntou a enfermeira, com a voz tingida de preocupação. "Você está bem? Você parece muito pálida."

Eu a ignorei. Meu marido, o homem que eu amava, tinha acabado de desligar na minha cara. Ele escolheu uma cachorra em vez de seu filho morto, escolheu uma influenciadora manipuladora em vez de sua esposa ferida.

"Eu preciso ir", raspei, forçando-me a levantar, apesar da dor lancinante no meu abdômen.

A enfermeira correu para frente. "Sra. Dias, você não pode. Você acabou de passar por uma grande cirurgia. Precisa descansar."

"Eu preciso ir", repeti, minha voz mais forte agora, carregada de uma nova e gelada determinação. "Ele precisa que eu peça desculpas."

"Pedir desculpas?" A enfermeira parecia perplexa.

Balancei as pernas para fora da cama, o movimento enviando uma nova onda de agonia pelo meu corpo. Cerrei os dentes, ignorando a tontura, ignorando os protestos frenéticos da equipe médica. As palavras deles se transformaram em um zumbido indistinto. Meu corpo gritava, mas minha mente estava assustadoramente quieta.

Vesti as roupas que tinham deixado para mim — uma blusa larga e calça de moletom, rígidas de sangue seco. Cada movimento era uma batalha, mas lutei contra isso. Eu tinha que ir para casa. Eu tinha que pedir desculpas.

As portas do hospital se abriram, revelando o frio amargo da tempestade que ainda castigava a cidade. A chuva gelada açoitava meu rosto. O vento uivava, um choro lúgubre que combinava com o que estava preso dentro de mim. Meu corpo latejava, cada nervo gritando em protesto.

Manquei até o meio-fio, tremendo violentamente. Táxis eram escassos naquele tempo. Meu celular estava sem bateria. Eu não tinha dinheiro, nem casaco, apenas as roupas finas e o peso esmagador da indiferença de Érico. O pânico surgiu. Eu tinha que voltar. Ele estava esperando. Babi estava esperando. A Princesa estava esperando.

Um ônibus público passou roncando, expelindo fumaça. Fiz sinal, minha voz fraca, mas o motorista parou. Subi com dificuldade, segurando meu lado, a dor como uma faixa de fogo através do meu abdômen. O calor dentro do ônibus foi uma pequena misericórdia, mas não conseguiu descongelar o gelo que se espalhava pelas minhas veias.

A viagem foi interminável, cada solavanco do ônibus enviando novos choques de agonia. Fechei os olhos, tentando bloquear a dor, tentando bloquear a imagem do rosto de Érico, frio e indiferente.

Finalmente, cheguei ao nosso prédio. A fachada imponente, geralmente tão acolhedora, agora parecia pairar sobre mim, um juiz silencioso. Empurrei as portas pesadas, minhas pernas tremendo. O saguão estava quente, mas eu não sentia nada além de um frio profundo e penetrante.

Subi pelo elevador, o silêncio ensurdecedor. Cada andar que subia parecia mais um passo em direção a um abismo. Minha mão tremia enquanto digitava o código da nossa cobertura. A porta se abriu.

Érico estava lá, de pé na sala de estar, de costas para mim. Babi estava jogada no sofá, um lenço de seda impecável enrolado no pescoço, enxugando os olhos com um lenço de renda delicado. Princesa, uma Lulu da Pomerânia branca e fofa, estava sentada regiamente em seu colo, parecendo perfeitamente bem. A cena era perfeitamente encenada, um quadro de angústia fabricada.

"Érico", sussurrei, minha voz falha e crua. Estendi a mão, querendo tocá-lo, sentir alguma conexão, algum calor.

Ele se virou, os olhos se estreitando. "Você finalmente chegou." Não havia alívio em sua voz, apenas uma impaciência gelada.

Ele não se moveu em minha direção. Não perguntou se eu estava bem. Nem sequer notou a mancha de sangue nas minhas roupas ou a palidez do meu rosto. Ele apenas olhou, seu olhar frio, desprovido de qualquer reconhecimento da mulher que acabara de perder seu filho.

Minha mão caiu, inerte e inútil.

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