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Capa do romance Das Mãos do Cirurgião ao Fogo da Vingança

Das Mãos do Cirurgião ao Fogo da Vingança

A Dra. Helena Martins era uma neurocirurgiã de elite até seu marido, o advogado Davi, destruir sua vida. Para proteger a amante Kyara, que matou a mãe de Helena, ele mandou mutilar a mão da esposa, arruinando sua carreira. Após levar a cunhada ao suicídio e chantagear Helena, ele a humilhou publicamente. Porém, Davi subestimou a vítima; agora, apoiada por um bilionário, Helena usará sua mente brilhante para incendiar o mundo do homem que tanto amou.
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Capítulo 1

O mundo me conhecia como Dra. Helena Martins, a neurocirurgiã com mãos que valiam um seguro de milhões. Meu marido, Davi, era um advogado poderoso, e nossa vida era perfeita — até ele estilhaçar tudo.

Ele protegeu sua amante secreta, Kyara, depois que ela matou minha mãe em um atropelamento e fuga. Depois, para me silenciar, ele fez com que os cães de guarda da sua família dilacerassem minha mão, acabando com minha carreira para sempre.

Ele não parou por aí. Fabricou um vídeo que levou minha irmã inocente ao suicídio, e depois usou o destino dela para me chantagear, forçando-me a salvar a mãe de sua amante.

Ele tirou tudo de mim: minha mãe, minha mão, minha carreira e minha irmã. O homem a quem jurei amar era um monstro vestindo a pele do meu marido.

Ele achou que tinha me quebrado, me deixando ajoelhada em humilhação pública. Estava enganado. Ele apenas criou seu próprio monstro, um com uma mente brilhante e o apoio de um bilionário, pronto para queimar seu mundo até as cinzas.

Capítulo 1

Ponto de Vista de Helena Martins:

O mundo me conhecia como Dra. Helena Martins, a neurocirurgiã com mãos que valiam um seguro de milhões. Minha vida era perfeita, até se estilhaçar em um milhão de pedaços.

Prendi a respiração.

O fedor de cachorro — uma mistura de pelo molhado, sangue velho e algo metálico — impregnava o ar neste lugar esquecido por Deus. Minha mão esquerda, ou o que restou dela, latejava. A dor era uma batida surda e constante contra a agonia fantasma dos dedos que faltavam. Disseram que eu nunca mais operaria. Eles estavam certos.

Então eu o vi, encostado na cerca enferrujada, sua silhueta nítida contra a luz fraca que entrava pela única janela alta. Davi. Meu marido.

Ele me observava, seus olhos gélidos, desprovidos do calor que um dia me fez acreditar em contos de fadas. Os mesmos olhos que um dia me prometeram a eternidade. Ele não estava apenas observando; ele estava presidindo. Sobre a minha destruição.

Seus lábios se curvaram num fantasma de sorriso, uma torção cruel que me deu um calafrio na espinha. Era um sorriso que pertencia a um predador, não a um marido. Não ao homem que um dia sussurrou palavras doces em meu ouvido.

"Helena", sua voz cortou o silêncio, plana e sem emoção. "Ainda tão desafiadora."

Ele deu uma tragada lenta em um charuto, a brasa brilhando ameaçadoramente na penumbra. A fumaça se enrolou ao seu redor, obscurecendo-o por um momento, fazendo-o parecer ainda mais sinistro.

Tentei falar, mas apenas um suspiro rouco escapou da minha garganta. Meu corpo era um campo de batalha, cada músculo protestando, cada nervo gritando. Os cães que fizeram isso comigo, os ferozes cães de guarda de sua família, ainda andavam em seus canis, seus rosnados baixos um lembrete constante da minha impotência. Seus dentes rasgaram minha carne, arrancando não apenas minha mão, mas meu futuro.

Então ouvi de novo, o som fraco e distante que assombrava minhas horas de vigília, um som que revirava minhas entranhas com uma nova onda de náusea.

Um soluço agudo e desesperado. Fabiana. Minha irmã.

Ela estava no quarto ao lado, trancada, sofrendo por causa dele. Eu podia ouvir seus gritos abafados através da parede fina, cada um deles uma nova punhalada em meu coração já partido.

"Fabiana não está muito bem", disse Davi, soprando um anel de fumaça que se dissolveu no ar viciado. Ele me observou, medindo minha reação. "Ela está bastante perturbada com... o vídeo."

O vídeo. O vídeo fabricado, destruidor de reputações, que ele ameaçou divulgar. E depois divulgou.

Minha mente correu, buscando respostas, qualquer explicação para este pesadelo.

"Por quê, Davi?", engasguei, as palavras cruas e dolorosas. "Por que você está fazendo isso?"

Ele riu, um som seco e sem humor que ecoou na câmara de concreto. "Você sabe por quê, Helena."

Ele deu outra tragada em seu charuto. "Kyara Dantas matou sua mãe, Helena. Ela estava bêbada. Atropelou sua mãe e a deixou para morrer na beira da estrada."

Minha mãe. Minha mãe gentil e amorosa. A lembrança do telefonema, da notícia devastadora, ainda parecia uma ferida aberta.

"Eu tentei seguir os canais adequados", eu disse, minha voz mal um sussurro. "Eu tentei encontrar justiça."

Eu tentei. Insisti e implorei, contratei investigadores, mas todas as portas foram fechadas na minha cara. Todas as pistas esfriaram. Davi, o poderoso advogado corporativo, usou suas conexões, seu dinheiro, sua influência, para garantir que Kyara, sua amante secreta, saísse livre. Ele orquestrou um acobertamento tão elaborado, tão perfeito, que a polícia acabou culpando um andarilho inocente pelo atropelamento.

Lembro-me do dia em que recebi a carta do hospital. Minha demissão. Minha carreira, minha identidade, arrancada de mim. Eles citaram uma vaga "perda de prestígio profissional". Obra de Davi, eu sabia. Ele queria me despir de tudo, me tornar totalmente dependente.

Agora, apenas uma pessoa poderia salvar a mãe de Kyara, que havia sofrido um aneurisma súbito e grave. Uma cirurgia complexa, de risco de vida, que apenas um punhado de neurocirurgiões no mundo poderia realizar.

E eu era uma delas.

"Você é um monstro, Davi", cuspi, as palavras carregadas de puro veneno.

Ele apenas deu de ombros. "Talvez. Mas você vai realizar a cirurgia, Helena. Ou o vídeo de Fabiana, que já viralizou, será a menor das suas preocupações."

Ele acenou com a cabeça na direção dos soluços abafados vindos do quarto ao lado. Minha irmã, minha inocente irmã universitária, estava sendo ameaçada. Sua vida já estava destruída por sua maliciosa campanha de difamação online. E ele estava segurando o destino dela, sua própria existência, em suas mãos.

Fechei os olhos, uma única lágrima traçando um caminho pela sujeira em meu rosto. Minha mãe se foi. Minha carreira acabou. E agora, a vida da minha irmã estava por um fio.

Este era o homem com quem eu me casei. O homem que eu amei. O homem com quem jurei passar minha vida.

Não, este não era o homem com quem me casei. Este era um monstro vestindo sua pele.

"Você vai se arrepender disso", sussurrei, mais uma promessa do que uma ameaça. Mesmo para meus próprios ouvidos, minha voz soava oca, quebrada.

Mas ele apenas riu, um som que me gelou até os ossos. "Duvido."

Ele se virou para sair, seus passos ecoando no espaço cavernoso.

"Davi!", gritei, um som cru e primal arrancado das minhas entranhas. "Que tipo de homem faz isso com a própria esposa?"

Ele parou na porta, virando a cabeça ligeiramente. Seus olhos, naquele momento fugaz, continham um brilho de algo que eu não conseguia decifrar — pena? Arrependimento? Não. Era uma vitória fria e calculista.

"O tipo que consegue o que quer, Helena", disse ele, sua voz plana, definitiva. "Sempre."

E então ele se foi, a porta pesada batendo atrás dele, me mergulhando de volta na escuridão sufocante, me deixando sozinha com os fantasmas do meu passado e os gritos da minha irmã.

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