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Capa do romance Das Cinzas ao Altar: Sua Vingança

Das Cinzas ao Altar: Sua Vingança

Após perder a mãe em um crime sem solução e ver seu pai morrer por negligência de Heitor, seu próprio marido, Helena vive um pesadelo. Heitor a silenciou com tortura e humilhações, destruindo sua carreira e profanando as cinzas de sua mãe para esconder a verdade. No entanto, o plano de quebrá-la falhou. Ao fugir de São Paulo, ela inicia uma transmissão global para expor os crimes dele. Helena perdeu tudo, mas agora sua única missão é revelar ao mundo toda a face do monstro.
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Capítulo 2

Ponto de Vista de Helena:

O ar em meu antigo apartamento estava viciado, pesado com memórias das quais eu ansiava me livrar. Cada item que eu tocava parecia imbuído de uma dor fantasma. Meu coração era um tambor oco, ecoando o vazio dentro de mim. Eu estava fazendo uma pequena mala, apenas o essencial, quando a porta da frente se abriu com um estrondo. Heitor. Seu rosto era uma máscara de fúria, seus olhos cuspindo fogo.

"O que você pensa que está fazendo, Helena?", ele rugiu, sua voz ecoando pelas paredes. Ele não foi convidado. Ele não era convidado em lugar nenhum perto de mim há dias.

"Indo embora", afirmei, minha voz plana, desprovida de emoção. Eu nem sequer vacilei. Eu estava além do medo. Eu estava além de tudo.

Ele deu um passo ameaçador para mais perto. "Indo embora? Depois do que você fez? Registrando aquele boletim de ocorrência ridículo? Tentando incriminar o Caio?" Suas palavras estavam carregadas de nojo.

Parei de fazer as malas, virando-me lentamente para encará-lo. Meu olhar era firme, inabalável. "Você sabe exatamente o que ele fez, Heitor. Ele matou minha mãe. Ele me sequestrou. Ele tentou me agredir."

Heitor zombou, passando a mão por seu cabelo perfeitamente penteado. "Não seja dramática. Um acidente menor. E quanto às suas alegações de... agressão, Anita me garante que não passou de sua tentativa desesperada de chamar atenção."

"Minha mãe está morta, Heitor", disse eu, cada palavra um caco de gelo. "Você sequer sabia disso? Você sequer se importou?"

Ele fez uma pausa, um lampejo de surpresa em seus olhos. Apenas um lampejo. "Sua mãe? Do que você está falando? Pensei que ela estivesse... doente."

Uma risada amarga escapou dos meus lábios. "Doente? Ela foi atropelada. Por Caio Tavares. Ele a atingiu, depois deu ré e a atropelou de novo. Duas vezes. Ele a assassinou, Heitor. E você sabia. Você sabia e o protegeu."

Seu rosto endureceu instantaneamente. "Absurdo. Caio nunca faria isso. Foi um acidente trágico."

"Um acidente que você ajudou a encobrir", contrapus, minha voz se elevando. "Um acidente que você usou sua influência para enterrar. Um acidente que deixou meu pai em uma cama de hospital, precisando de uma cirurgia que você se recusou a financiar! O dinheiro que você congelou! E por causa disso, ele também morreu, Heitor. Meu pai está morto!"

Uma veia pulsava em sua têmpora. "Não ouse tentar colocar a morte do seu pai na minha conta, Helena. Você sempre foi tão mesquinha. Se tivesse vendido algumas daquelas bugigangas bregas que você acumula, talvez ele ainda estivesse vivo."

Meu queixo caiu. A audácia pura, o descaso cruel pela vida humana, pela minha família. "Mesquinha? Você congelou todas as minhas contas! Você me cortou completamente! O que eu deveria vender? Meu próprio sangue?"

Ele zombou. "Talvez. Você sempre valorizou mais os bens materiais do que o afeto verdadeiro. Você é como qualquer outra mulher que se casou por dinheiro."

"Você acha que me casei com você por dinheiro?", sussurrei, minha voz grossa de incredulidade. "Eu te amei, Heitor! Eu tentei. Eu realmente tentei. E você... você me reduziu a isso." Meu olhar caiu sobre o relicário quebrado na cômoda. As vidas da minha mãe e do meu pai se foram. Meu amor por ele, uma memória distante e dolorosa. Não restava nada além de um desejo frio e ardente de retribuição. "Eu vou ver Caio Tavares na cadeia, Heitor. Vou vê-lo pagar pelo que fez à minha família. E você... você vai se arrepender de cada momento que ficou ao lado dele."

Seu rosto se contorceu em uma carranca feia. Nesse momento, a porta do apartamento se abriu novamente, e Anita entrou deslizando, seus olhos arregalados com falsa preocupação. "Oh, Heitor, querido, o que é toda essa gritaria? E Helena, por que você ainda está aqui?"

Ela se virou para mim, sua voz pingando uma doçura falsa. "Helena, ouvi sobre seu... infeliz incidente com o Caio. Sinto terrivelmente. Aqui, deixe-me oferecer algo por seus problemas." Ela pegou um talão de cheques, rabiscando rapidamente. "Pela sua... dor e sofrimento. Vamos apenas deixar tudo isso para trás, que tal?"

Ela estendeu o cheque, um brilho triunfante em seus olhos inocentes. Heitor, sua raiva momentaneamente desviada pela atuação de Anita, me observava, uma expressão presunçosa no rosto.

"Ela está te oferecendo um acordo, Helena", disse Heitor, sua voz carregada de desdém. "Aceite. É mais do que você merece."

Anita acrescentou: "E, por favor, não diga que eu nunca tentei ajudar. Sabe, estas últimas semanas foram tão difíceis para o Caio. Ele é tão sensível. E com toda a... reestruturação financeira da empresa", ela olhou de forma pontual para Heitor, "estivemos sob imensa pressão."

Heitor arrancou o cheque da mão de Anita, seus olhos queimando nos meus. "Esta é uma oferta generosa, Helena. Uma oferta muito generosa. Aceite e desapareça. Esqueça essa busca absurda por justiça. É infantil. É tolo. Está abaixo de você." Ele mencionou um valor astronômico, muito mais do que Anita havia escrito inicialmente. Ele pensou que o dinheiro poderia comprar meu silêncio. Ele pensou que o dinheiro poderia comprar minha humanidade.

Permaneci em silêncio, meu olhar inabalável.

"Não é suficiente, Helena? Quanto você quer? Diga seu preço." Ele estalou a língua, o aborrecimento gravado em seu rosto. "Cinco milhões? Dez? Você sempre foi gananciosa."

Lentamente, me abaixei, pegando o cheque. A expressão presunçosa de Heitor se aprofundou. "Bom. Finalmente, um pouco de bom senso."

Mas em vez de segurá-lo, eu o rasguei ao meio. E de novo. Até que se tornou uma chuva de papel sem valor caindo no chão. Olhei para Heitor, depois para Anita, meus olhos mais frios que as lápides que marcavam o local de descanso dos meus pais. Não disse uma palavra. Não precisei.

O rosto de Heitor ficou de um tom perigoso de vermelho. "Sua mulher tola! Você tem alguma ideia do que está fazendo?" Ele apontou um dedo para mim, sua voz tremendo de raiva. "Eu vou te arruinar, Helena! O negócio da sua família? Acabou. Sua carreira? Terminada. Cada último resquício da sua reputação? Aniquilado. Você não terá mais nada!"

"Eu já não tenho nada, Heitor", respondi, minha voz assustadoramente calma. "Você se certificou disso. Mas eu ainda tenho a minha verdade. E vou expor a sua."

Seu sorriso de escárnio voltou. "Sua verdade? Não me faça rir. Ninguém vai acreditar em você. Você é uma mentirosa desgraçada. Uma sedutora. Uma interesseira." Ele pegou o celular, seus dedos voando pela tela. "Quer jogar duro, Helena? Tudo bem. Vou garantir que esse boletim de ocorrência desapareça. E seus advogados? Eles se verão com a licença cassada por sequer contemplar sua insanidade." Ele levou o telefone ao ouvido, latindo ordens. "Livre-se disso. Diga a eles que ela é instável. Não confiável." Então ele desligou, um sorriso triunfante no rosto. "Agora, o que era aquilo sobre a sua verdade?"

Meu coração afundou, uma pedra fria e pesada. Ele estava certo. Ele tinha o poder. Ele tinha a influência. Ele já havia me silenciado uma vez.

Momentos depois, meu celular vibrou. Uma mensagem do delegado-chefe. "Caso encerrado. Provas insuficientes. Preocupações com instabilidade mental levantadas." Minhas mãos se fecharam, o pequeno aparelho parecendo um peso de chumbo. Então outra ligação. Meu ex-chefe. "Helena, sinto muito. Estamos cortando os laços. Seus... problemas recentes... estão afetando nossa audiência. Os patrocínios estão se retirando." A linha ficou muda.

Meu celular vibrou novamente, desta vez com uma mensagem da minha tia. "Helena, por favor, querida. Não lute contra ele. Ele é muito poderoso. Apenas pegue o dinheiro e vá embora. Para o seu próprio bem."

Um frio profundo se instalou sobre mim, mais frio que qualquer noite de inverno. Olhei do celular em minha mão para o rosto presunçoso e vitorioso de Heitor. Ele viu minha devastação, meu desespero. Ele pensou que havia vencido. Ele pensou que havia me quebrado completamente.

Um som estranho e gutural escapou da minha garganta. Uma risada. Uma gargalhada aguda e histérica que se transformou em soluços angustiados. Lágrimas escorriam pelo meu rosto, mas não eram lágrimas de fraqueza. Eram lágrimas de pura e inalterada fúria. Eu ri e chorei, meu corpo tremendo com a força disso.

Heitor me observava, um lampejo de algo indecifrável em seus olhos – inquietação? Pena? Ele deu um passo hesitante para frente. "Helena, talvez... talvez possamos discutir isso racionalmente. Posso te oferecer uma pensão generosa. Um novo apartamento. Você não precisa viver assim."

Lentamente, levantei a cabeça, meus olhos ardendo. Minha mão foi para minha bolsa, tirando um documento dobrado. Alisei-o com os dedos trêmulos, depois o estendi para ele. Era uma escritura de propriedade, ou assim parecia. Minha advogada a havia redigido perfeitamente. Eu havia escondido meticulosamente o cabeçalho "ACORDO DE DIVÓRCIO" sob um post-it estrategicamente colocado, que eu havia retirado momentos antes. As únicas palavras visíveis eram sobre transferências de propriedade.

"Assine isso, Heitor", disse eu, minha voz estranhamente calma. "E você pode ter tudo o que quiser." Virei para a página com a linha de assinatura, obscurecendo o resto do texto com minha mão.

Ele olhou para o papel, depois para mim, um sorriso condescendente no rosto. "Então, era uma casa de praia que você queria o tempo todo, não é? Tudo bem. Apenas assine e vá embora." Ele pegou a caneta, rabiscou sua assinatura sem um segundo olhar, depois a jogou de volta para mim. "Pronto. Agora você tem sua preciosa propriedade. Assim como eu sempre soube que você preferiria ganhos materiais a mim." Ele riu, um som frio e zombeteiro.

Agarrei o papel assinado ao meu peito, um pequeno sorriso triunfante brincando em meus lábios. "Você pode me dar todas as casas de praia do mundo, Heitor", disse eu, minha voz mal um sussurro, "mas não pode me devolver a vida dos meus pais. Não pode me devolver a minha paz. E não pode apagar o que você fez."

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