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Capa do romance Corpo Trocado, Destino Alterado

Corpo Trocado, Destino Alterado

Dona Clara traz o leite morno, mas conheço o veneno em seu olhar. Na vida passada, esse copo me fez acordar no corpo de sua filha, Bruna, que roubou minha identidade e destruiu meu futuro. Humilhada e abandonada pelos pais, morri em desespero. Agora, despertei no exato dia da traição. Fingindo aceitar a bebida, planejo minha vingança contra a ganância delas. Descobrirei a origem desse ódio e farei com que o destino cruel que me deram se volte contra elas.
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Capítulo 2

Dona Clara entrou no meu quarto com um copo de leite morno na mão, o mesmo sorriso de sempre no rosto.

"Sofia, querida, beba isso. Vai te dar energia para a prova. Fiz com mel, do jeito que você gosta."

Eu olhei para o copo, depois para ela. A luz do abajur refletia em seus olhos, e por um segundo, vi um brilho que não era de bondade. Era outra coisa. Ganância.

Meu coração começou a bater mais rápido.

Não de medo. De raiva.

Porque eu já tinha vivido essa cena antes.

Eu me lembrava de tudo. Lembro de ter bebido o leite, de ter sentido um sono estranho e de ter agradecido a ela, a babá que cuidou de mim a vida inteira, a mulher que eu considerava uma segunda mãe.

Lembro do que aconteceu depois.

Essa não era uma premonição. Não era um sonho ruim.

Eu morri. E voltei.

Voltei para o dia que destruiu minha vida. O dia do vestibular mais importante do país, a prova para a qual estudei por anos, a prova que era meu passaporte para a faculdade de medicina.

Na primeira vez, eu bebi o leite. E quando acordei, não estava mais no meu corpo.

Eu estava presa no corpo de Bruna, a filha dela. Um corpo que eu mal conhecia, pesado, lento. E do outro lado do quarto, eu me vi. Meu próprio corpo, com os olhos de Bruna, me olhando com um sorriso vitorioso e cruel.

A troca de corpos. Uma magia absurda, que eu nunca acreditaria ser possível se não tivesse acontecido comigo. Dona Clara e Bruna planejaram tudo. Bruna, preguiçosa e invejosa, que nunca passou um dia estudando, queria a minha vaga. E a mãe dela, a minha babá de confiança, tornou isso possível.

Naquela outra vida, eu, presa no corpo de Bruna, fui forçada a assistir ao meu próprio desastre. Bruna, usando meu rosto e meu nome, foi para a prova. Mas ela não foi para passar.

Ela foi para me destruir.

Eu vi as notícias mais tarde. "Aluna exemplar surta durante vestibular, vandaliza sala e ataca fiscais." Meu nome estava em todos os jornais. Minha foto. Minha reputação, construída com tanto esforço, virou pó em poucas horas. Ela rasgou a prova, pichou a carteira, gritou insultos.

Fui desqualificada. Humilhada publicamente.

Minha família, meus pais, que sempre tiveram tanto orgulho de mim, não acreditaram em uma palavra do que eu tentei dizer, presa na voz de Bruna. Para eles, eu era Bruna, uma garota problemática, e a filha deles, a verdadeira Sofia, tinha tido um colapso nervoso inexplicável. Eles se voltaram contra a "Sofia" que viam, mas também contra mim, a "Bruna" que tentava desesperadamente contar a verdade. A vergonha os consumiu. Eles me abandonaram, a verdadeira Sofia, pensando que eu era a fonte da inveja que levou a filha deles à loucura.

A vida deles foi arruinada. E a minha, acabou. Desacreditada, sozinha, enlouquecendo dentro de um corpo que não era meu, eu não aguentei.

Mas agora, eu estava aqui. De volta. No meu quarto, no meu corpo. E na minha frente, Dona Clara me oferecia o mesmo copo de leite. O começo do fim.

Ou talvez, desta vez, o começo da minha vingança.

Eu não ia deixar acontecer de novo. Eu não ia ser a vítima. Desta vez, eu sabia o que elas queriam. Eu sabia como elas iam agir. E eu ia usar isso contra elas.

Uma pergunta, porém, ainda martelava na minha cabeça, algo que na outra vida eu nunca entendi. Por que Bruna não tentou simplesmente fazer a prova e roubar a minha vaga? Por que o plano dela foi tão destrutivo? Não era só sobre roubar meu futuro. Era sobre aniquilar minha reputação, sobre me fazer sofrer. Havia um ódio ali que ia além da simples inveja.

Eu precisava descobrir o porquê. Mas primeiro, eu precisava sobreviver a este dia. E garantir que o inferno que elas prepararam para mim encontrasse um novo dono.

"Obrigada, Dona Clara", eu disse, pegando o copo. Meu sorriso era o mais doce que eu conseguia fazer. "A senhora é um anjo."

Ela sorriu de volta, satisfeita. O mesmo sorriso que me assombrou até o meu último dia na outra vida.

Desta vez, quem ia sorrir por último seria eu.

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