
Corações Desfeitos, Impérios Reconstruídos
Capítulo 2
Luana e Gustavo construíram um império da moda juntos, do zero.
Eles eram amigos de infância, namorados da adolescência, e agora, sócios em um negócio que valia milhões.
Dez anos de relacionamento. Dez anos em que Luana dedicou cada minuto da sua vida a ele e à empresa deles. Ela desenhava as coleções, ela gerenciava a produção, ela era a alma da marca, enquanto Gustavo era o rosto, o homem de negócios que fechava os grandes contratos.
Para ela, era uma parceria perfeita, uma vida inteira construída a dois. Ela o amava com uma dedicação que beirava a devoção. Tudo o que ela fazia, era por ele, por eles.
Naquela noite, a empresa comemorava seu décimo aniversário. O salão de festas do hotel mais caro da cidade estava lotado. Imprensa, investidores, celebridades, todos estavam ali para celebrar o sucesso da "L&G", a marca que levava as iniciais deles.
Luana estava radiante, usando um vestido que ela mesma desenhou para a ocasião. Ela sabia o que estava por vir. Gustavo havia dito que faria uma grande surpresa. Depois de dez anos, o pedido de casamento finalmente aconteceria. Seu coração batia forte de ansiedade e felicidade.
No meio da festa, a música parou. Gustavo subiu ao pequeno palco, microfone na mão. Todos os olhares se voltaram para ele.
Ele sorriu, aquele sorriso charmoso que Luana conhecia tão bem.
"Boa noite a todos. Obrigado por estarem aqui celebrando conosco."
Ele fez uma pausa, olhando diretamente para Luana.
"Hoje é um dia especial. Dez anos de empresa, dez anos de parceria. E eu quero chamar aqui a mulher que esteve ao meu lado em tudo isso. Luana, por favor, suba aqui."
Luana sentiu as pernas tremerem enquanto caminhava até ele. Os aplausos enchiam o salão. Era o momento que ela sonhou por toda a sua vida.
Gustavo se ajoelhou. O salão ficou em silêncio absoluto. Todos prenderam a respiração.
Ele abriu uma caixinha de veludo, revelando um anel de diamante que brilhava sob as luzes.
"Luana," ele começou, a voz ressoando pelo salão. "Nós passamos por muita coisa juntos."
Luana já tinha lágrimas nos olhos. Ela assentiu, incapaz de falar.
Então, o tom dele mudou. O sorriso desapareceu, substituído por uma expressão fria.
"E é por isso que é tão difícil dizer isso."
Ele se levantou, guardando o anel no bolso.
"Eu não posso me casar com você."
Um murmúrio chocado percorreu a multidão. O que estava acontecendo?
Luana ficou paralisada, o sorriso congelado em seu rosto.
"O quê?" ela sussurrou.
"Eu não sinto mais nada por você, Luana," ele disse, alto o suficiente para todos ouvirem. "Dez anos é muito tempo. As coisas mudam. As pessoas mudam. Meus gostos mudaram."
Ele olhou para um canto do salão, onde um grupo de modelos jovens e deslumbrantes o observava.
"Eu prefiro as mais novas agora."
A humilhação caiu sobre Luana como uma onda de água gelada. Na frente de todos os seus amigos, de seus funcionários, da imprensa. Ele a estava descartando publicamente.
As lágrimas que antes eram de felicidade agora queimavam em seus olhos, lágrimas de pura dor e vergonha. Ela se virou e saiu correndo do palco, empurrando as pessoas que tentavam falar com ela, fugindo dos flashes das câmeras que agora disparavam em sua direção.
Do palco, ela ouviu a risada de Gustavo.
Mais tarde, escondida em um canto do corredor de serviço, ela ouviu a voz dele novamente. Ele estava com seus amigos, perto da porta.
"Ela vai superar," Gustavo dizia, a voz cheia de arrogância. "É só um capricho de mulher. Aposto cem mil que ela volta rastejando em uma semana."
Um dos amigos riu.
"Você é cruel, cara."
"Eu sou honesto," Gustavo retrucou. "Ela precisa entender que o nosso tempo acabou."
Uma das amigas de Luana, Clara, a encontrou ali, encolhida no chão.
"Luana! O que foi aquilo? Deve ter sido um mal-entendido terrível. Vai falar com ele, esclarece as coisas."
Luana balançou a cabeça, as palavras de Gustavo ecoando em sua mente. "Prefiro as mais novas." "Capricho de mulher."
Não havia mal-entendido. Havia apenas a verdade, cruel e feia. A verdade de que o homem a quem ela dedicou sua vida a havia humilhado e descartado como se ela não fosse nada.
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