
Coração Traído: Vingança Brilha
Capítulo 2
O barulho do salão de exposições era ensurdecedor, uma mistura de conversas animadas, taças de champanhe tilintando e o flash incessante das câmeras.
Esta noite deveria ser o auge da minha carreira.
Meu colar, "Coração do Oceano", a peça central da nova coleção da joalheria Vivero, estava em exibição.
Eu, Ana Mendes, a designer por trás da criação, sentia o peito inflado de orgulho.
De repente, as luzes do palco se apagaram.
Um silêncio tenso tomou conta do ambiente.
Então, um único holofote se acendeu, não sobre a peça em exibição, mas sobre o diretor da Vivero, o Sr. Almeida, que segurava um microfone com a mão trêmula.
"Senhoras e senhores," a voz dele tremeu, "temos um anúncio terrível a fazer."
"A peça principal, o colar 'Coração do Oceano', foi roubado."
Um murmúrio chocado percorreu a multidão.
Eu congelei. Meu coração parou.
Roubado? Como?
Antes que eu pudesse processar, o Sr. Almeida continuou, e seu olhar se fixou em mim.
"E as evidências preliminares, infelizmente, apontam para a nossa própria designer... Ana Mendes."
O holofote girou e me encontrou no meio da multidão.
Cegada pela luz, ouvi suspiros e gritos de surpresa. As câmeras viraram na minha direção, os flashes disparando como metralhadoras.
"O quê?" foi a única palavra que consegui sussurrar.
Minhas pernas fraquejaram. O mundo começou a girar.
No meio do caos, uma figura alta e forte abriu caminho pela multidão.
Era Pedro, meu noivo.
Ele me envolveu em seus braços, me protegendo dos flashes e dos microfones que eram empurrados na minha cara.
"Calma, meu amor. Eu estou aqui," ele sussurrou em meu ouvido. "Isso é um mal-entendido. Vamos resolver isso."
Sua voz era um bálsamo na minha alma ferida.
Eu me agarrei a ele, meu corpo tremendo incontrolavelmente. A humilhação pública era uma dor física, queimando meu rosto e apertando meu peito até eu não conseguir respirar.
Pedro, com uma expressão de fúria justa, encarou a plateia e os seguranças que se aproximavam.
"Ninguém toca na minha noiva! Vocês estão loucos? Ana é a pessoa mais honesta que eu conheço. Ela dedicou a vida a esta empresa!"
Ele me guiou para fora do salão, para uma sala privada nos fundos. A porta se fechou, abafando o tumulto.
Eu desabei em uma cadeira, soluçando.
"Pedro, eu não fiz isso. Eu juro, eu não fiz..."
"Eu sei, meu amor. Eu sei," ele disse, ajoelhando-se na minha frente e enxugando minhas lágrimas. "Alguém armou para você. Mas não se preocupe, eu vou descobrir quem foi. Eu vou te proteger."
Meu coração se acalmou um pouco com sua segurança. Ele era meu porto seguro, meu noivo, o homem que me amava.
De repente, a porta se abriu e Sofia, minha melhor amiga, entrou correndo.
Seu rosto estava pálido e seus olhos cheios de lágrimas.
"Ana! Meu Deus, eu não acredito nisso! Que absurdo!"
Ela me abraçou forte. "Eu estou do seu lado. Nós vamos provar sua inocência."
Ver meus dois pilares ali, Pedro e Sofia, me deu uma faísca de esperança.
"Eu preciso de um pouco de ar," eu disse, minha voz rouca. "Preciso ficar sozinha por um minuto."
"Claro, querida," disse Pedro. "Fique aqui. Sofia e eu vamos falar com a segurança e tentar entender o que aconteceu. Não saia desta sala."
Eles saíram, fechando a porta atrás de si.
Fiquei ali, tentando juntar os pedaços da minha realidade estilhaçada.
Minha mente corria, tentando encontrar uma explicação. Quem poderia me odiar tanto a ponto de fazer isso?
A sala tinha uma porta de serviço entreaberta que dava para um pequeno corredor dos fundos.
Eu me levantei, cambaleando, pensando em sair por ali para escapar de tudo.
Quando me aproximei, ouvi vozes do outro lado.
Eram Pedro e Sofia.
Eu parei, prestes a chamá-los, mas algo no tom deles me fez hesitar.
"Você acha que ela acreditou?" a voz de Sofia era baixa, quase um sussurro conspiratório, sem nenhum traço do pânico de antes.
Meu sangue gelou.
A voz de Pedro respondeu, calma e fria.
"Claro que acreditou. Ela é ingênua. Sempre come na minha mão."
Um riso baixo escapou dos lábios de Sofia.
"Foi perfeito. A cara dela quando o holofote a atingiu... impagável. Ela parecia um animal assustado."
Meu corpo inteiro se transformou em uma estátua de gelo. Eu não conseguia me mover. Não conseguia respirar.
"O plano funcionou melhor do que o esperado," Pedro continuou. "Amanhã, a notícia estará em todos os lugares. 'Designer de Joias Rouba a Própria Criação'. A carreira dela está acabada. A reputação dela, destruída."
Eu levei a mão à boca para abafar um grito.
Isto não podia ser real.
Era um pesadelo.
Sofia suspirou, um som satisfeito.
"E agora? Qual o próximo passo?"
"O próximo passo," disse Pedro, e eu podia quase ver o sorriso cruel em seu rosto, "é consolidar o poder. Com Ana fora do caminho, você assume a posição de designer chefe, como sempre quis. E eu..."
Ele fez uma pausa.
"Eu vou ser o noivo devastado, mas leal. Vou anunciar publicamente que, apesar da desgraça, eu não vou abandoná-la. Vou me casar com ela para 'ajudá-la a se reerguer'."
O horror me sufocou.
"Casar com ela?" a voz de Sofia tinha uma ponta de ciúme.
"É o movimento mais inteligente," explicou Pedro, com a paciência de um mestre de xadrez. "Isso vai me fazer parecer um santo aos olhos do público e dos investidores. E vai manter Ana sob meu controle total. Ela vai ficar tão grata, tão dependente, que nunca vai suspeitar de nada. Uma vez que eu tiver o controle total da empresa, me livro dela."
A sala começou a girar violentamente.
A promessa de casamento, a esperança que ele me deu minutos atrás, era apenas mais uma peça no tabuleiro doentio deles.
Era a corrente final para me prender em uma gaiola de mentiras.
Sofia riu novamente, um som que me causou náuseas.
"Você é um gênio, Pedro. Um gênio do mal."
"Eu sei," ele respondeu. "Agora vamos voltar lá antes que ela desconfie. Lembre-se, chore um pouco mais. Mostre-se arrasada pela sua 'melhor amiga'."
Ouvi os passos deles se afastando.
Eu recuei da porta, tropeçando para trás até minhas costas baterem na parede oposta.
Deslizei para o chão, meu corpo tremendo, mas não mais de medo ou humilhação.
Era um frio diferente.
Um frio que nascia da traição mais profunda e absoluta que um ser humano pode experimentar.
Meu noivo.
Minha melhor amiga.
Eles não apenas me destruíram.
Eles dançaram sobre as minhas ruínas e planejaram construir seu império sobre os meus ossos.
A esperança que eu senti momentos antes se desintegrou, se transformou em pó, e em seu lugar, um vazio gelado e cortante se instalou no meu peito.
Eu estava sozinha.
Completamente e terrivelmente sozinha.
E o homem que prometeu me salvar era, na verdade, o monstro que havia me jogado aos lobos.
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