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Capa do romance Coração rendido ao mafioso

Coração rendido ao mafioso

Lilian Reed sonha em ser enfermeira, mas sua madrasta a vende para o temido mafioso Cassian Moore. Presa a um acordo sombrio no submundo do crime, a jovem tenta trabalhar para quitar sua dívida e recuperar a liberdade. No entanto, Cassian exige submissão total, despertando nela uma tensão sexual avassaladora e perigosa. Entre beijos brutais e segredos do passado, Lilian luta contra o domínio dele, sem saber se seu coração se renderá antes da fuga.
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Capítulo 2

Finalmente, eu estava a caminho de casa. 

Minhas mãos ainda tremiam ao lembrar do que havia acontecido no clube, mas eu as apertava juntas para tentar conter um pouco o medo que ainda sentia.

Olhei para o meu relógio, o último objeto que minha mãe havia deixado, o único que consegui recuperar antes que minha madrasta, Diane, o destruísse, e busquei conforto nele. 

Durante todo o caminho, fiquei pensando naquele homem louco e assustador.

Eu não me lembrava de tê-lo visto no clube antes. Um homem bonito como aquele seria impossível de ser esquecido. Porém, nem toda a sua beleza faria desaparecer o gosto ruim que ele me deixou.

"Aquele homem era completamente louco. Quem era ele?" pensei irritada ao lembrar da maneira como ele me comparou a um esquilo, como se me conhecesse.

Mas também, havia aquela promessa estranha que ainda me causava arrepios por todo o corpo. Aquele homem definitivamente era perigoso. Seu rosto sujo de sangue estava gravado na minha mente, como um lembrete medonho de como o mundo era assustador.

Por mais que aquele homem tivesse me assustado e mexido comigo, a probabilidade de encontrá-lo novamente era muito baixa. Bem diferente do pesadelo que me esperava.

A casa, que um dia eu chamei de lar, parecia um monumento sombrio a toda a desgraça que havia se instalado na minha vida.

Peckham, um bairro ao sul de Londres muito conhecido pela sua grande diversidade. Durante o dia, o bairro é cheio de vida, com mercados multiculturais, crianças correndo e brincando, e vendedores gritando das calçadas. Um grande contraste com a vida noturna daquele lugar.

O silêncio pesado, becos escuros, prédios antigos com suas fachadas desgastadas que parecem esconder segredos sinistros. À noite, o som de sirenes distantes e latidos de cachorros ecoam, enquanto postes de luz piscam, deixando trechos da rua na penumbra.

Minha casa ficava em uma das ruas laterais. Um estilo vitoriano que já teve seus dias de glória.

Suspirei olhando a casa. A pintura descascando, sinais de apodrecimento na madeira da varanda e janelas imundas. Qualquer um diria que aquela era uma das muitas construções abandonadas, mas era onde eu vivia com Diane, minha madrasta, e o filho dela, Liam.

Depois da morte do meu pai, Diane dividiu a casa para alugar, mas estava cada vez mais difícil encontrar inquilinos, o que nos deixava em uma situação cada vez pior.

Diane e Liam não trabalhavam, eu era a única provendo na casa e lidando com as contas. Nem mesmo os trabalhos domésticos básicos eles faziam, estavam mais preocupados em aparecer diante das pessoas como se fossem ricos, gastando o dinheiro que não tínhamos com roupas, maquiagens e acessórios caros.

Não fazia ideia de onde eles estavam tirando aquele dinheiro e, sinceramente, contanto que eles não me envolvessem, eu não ligava. Minha preocupação era me formar na faculdade de enfermagem e sair daquela casa, mas com o salário do Shadow of Sophia, seria impossível.

Eu tinha um plano, mas as pedras no meu caminho dificultavam cada dia mais que eu o concretizasse.

Assim que abri a porta, o alto rangido das dobradiças ecoou como um aviso sombrio. Diane apareceu em um vestido que não condizia com sua idade de 47 anos. Seus saltos estalavam na madeira do assoalho quando ela andava. Seus olhos azuis e frios me olharam dos pés à cabeça enquanto ela arrumava seu cabelo loiro, preso em um coque Chanel.

"Minha querida," ela disse com seu sorriso manipulador levemente de lado. "Como foi o trabalho? Recebeu boas gorjetas?"

Eu conhecia bem aquela conversa e aquele sorriso. Sempre que Diane queria algo ou mentia, seu sorriso falso entortava levemente para a esquerda, algo que eu rapidamente aprendi a notar.

Coloquei minha bolsa sobre a cadeira de estofado verde, uma das peças de decoração duvidosa que Diane adorava, e fui para a cozinha pegar um copo de água. O corte na minha mão, do incidente no clube, latejava enquanto eu segurava o copo. Eu podia ouvir o som daqueles terríveis saltos me seguindo como uma maldita sombra.

"O movimento hoje não foi bem, por isso não recebi muito, mas vai dar para juntar com o da semana passada e pagar uma das contas em atraso," falei, tentando manter a voz firme. Ela bufou atrás de mim.

"Isso é ridículo!" a voz de Diane subiu, furiosa. "Apenas me dê a droga do dinheiro e vê se trabalha mais. Não podemos viver assim."

Respirei fundo, sabendo exatamente para que aquela mulher queria o dinheiro. Ela o gastaria com roupas ou se divertindo com algum menino com menos da metade da sua idade, assim como fez com a herança que meu pai havia nos deixado.

Olhei sobre o ombro e ela estava acendendo um cigarro, sua expressão furiosa enquanto resmungava algo sobre ser boa demais para aquela vida.

Apenas passei por ela, ignorando suas reclamações. Eu só queria ir para o meu quarto e dormir um pouco, mas assim que me virei em direção à escada, dei de cara com Liam descendo.

Por mais que sua personalidade fosse idêntica à de sua mãe, a aparência dele era completamente diferente. Com cabelos castanhos claros e olhos castanhos, ele encantava as jovens inocentes e ricas para que lhe dessem presentes e até mesadas. E o que elas mais gostavam era uma cicatriz que ele tinha no canto da boca.

A história que Liam contava era que ele havia entrado em uma briga com um membro de gangue, mas a verdade era que ele havia caído da bicicleta quando tinha onze anos e aberto o lábio.

Tentei passar por ele, me espremendo entre seu corpo musculoso e alto e a parede, mas ele agarrou meu cotovelo, me impedindo de prosseguir.

"Por que a pressa, irmãzinha?"

Aquele sorriso até poderia conquistar quem não o conhecia, mas a mim causava apenas nojo e repulsa. Seu aperto aumentou, me machucando. Ele aproximou o rosto, seu olhar me causava tremores por conta das sombras que dançavam nele.

"Estou cansada, Liam. Amanhã preciso acordar cedo para o trabalho." Ele estalou a língua, me soltando de forma brusca, quase me fazendo cair da escada.

"Aquele lugar paga uma miséria. Como espera que vivamos com as esmolas que você ganha?" Seu sorriso aumentou. Ele se inclinou, aproximando o rosto do meu. "Você tem muito potencial para ganhar muito dinheiro, irmãzinha. Posso te apresenta para alguns amigos."

A risada de Diana ecoou pela casa. Trazendo um arrepio de medo por todo o meu corpo. Minhas pernas tremeram enquanto Liam apertava mais sua mão, me puxando para ele. O cheiro de cigarro me atingiu, a fumaça densa nos rodeava. Mãos translúcidas com longos dedos que tentavam alcançar minha garganta.

"Não diga tolices, Liam. Nossa Liliam não pode se sujar."

Puxei meu braço com força, escapando de Liam. Apertei o relógio no meu pulso, tentando acalmar a minha mente enquanto subia rapidamente as escadas.

Enquanto eu subia as escadas, o rangido do assoalho ecoando como um lamento, ouvi-os discutir. Diane queria parte do dinheiro que Liam havia ganho de uma de suas namoradas, mas ele se recusava a dar e dizia estar atrasado para um encontro.

Com a mão na maçaneta do meu quarto, o cheiro de cigarro de Diane invadindo o corredor, ouvi-a gritar no andar de baixo. "É tudo culpa do infeliz do James. Se não tivesse deixado aquela miséria, estaríamos vivendo como a realeza." O tom de desdém, o completo desrespeito que Diane tinha pela memória do meu pai, fazia o meu sangue ferver.

Toquei o relógio no meu pulso, sentindo a dor da perda, e me virei, disposta a jogar tudo para o alto e confrontá-la, mas minhas pernas congelaram quando ela continuou falando. "Pelo menos aquela putinha vai ser útil para alguma coisa. Aquele cara pagou um bom preço por ela, e nós vamos poder aproveitar mais a vida, como merecemos."

Meu sangue pareceu congelar em minhas veias.

Cobri minha boca com a mão e dei alguns passos para trás, batendo com as costas na parede do corredor. Escorreguei, sentando no chão de carpete sujo, tomado pela poeira. Uma lágrima rolou pelo meu rosto, o pânico crescendo no meu peito.

Eu tinha um péssimo pressentimento.

Algo estava prestes a acontecer comigo e eu não poderia imaginar o quanto minha vida ainda podia mudar.

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