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Capa do romance Coração Quebrado, Alma Vingada

Coração Quebrado, Alma Vingada

Drogada pelo próprio namorado, Maria descobre o plano cruel de João e sua irmã, Ana. Sob o pretexto de um acidente, eles roubam seu rim e provocam a perda de seu bebê, mascarando tudo como um aborto espontâneo. Após ouvir a verdade cruel nos corredores do hospital e ver a falsa compaixão de João, a dor da traição se transforma em sede de justiça. Determinada a destruir quem a arruinou, ela busca uma aliança inesperada com Pedro, o maior rival de João, propondo casamento.
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Capítulo 2

A cabeça de Maria girava.

A luz no quarto parecia excessivamente forte, e a voz de João soava distante, como se viesse de debaixo d'água.

"Maria, você parece pálida. Beba um pouco de água, vai te fazer bem."

João, seu namorado, o promissor atleta universitário por quem ela era completamente apaixonada, estendeu-lhe um copo de água. Seu sorriso era caloroso, como sempre, mas algo nos seus olhos parecia estranho, uma pressa que ela não conseguia identificar.

Ela pegou o copo, a mão tremendo um pouco. "Eu só estou cansada, João. Os exames na faculdade de medicina estão me matando."

"Eu sei, meu amor. É por isso que você precisa se cuidar." Ele insistiu, empurrando o copo suavemente contra seus lábios. "Beba tudo."

Confiando nele, como sempre fazia, Maria bebeu a água. O gosto era normal, mas assim que o copo ficou vazio, uma onda de tontura a atingiu com força. O quarto começou a girar violentamente. Ela tentou se segurar em João, mas seus braços pareciam pesados, inúteis. Sua consciência se desfez em fragmentos, e a última coisa que sentiu foi João a segurando e a deitando na cama.

A escuridão não durou muito. Ela flutuava em um estado de torpor, incapaz de se mover ou abrir os olhos, mas consciente o suficiente para ouvir.

Vozes filtravam-se pela névoa em sua mente. A voz de João, e outra, a voz de sua irmã, Ana.

"Ela já apagou?" A voz de Ana era um sussurro agudo e impaciente.

"Sim. O remédio que o médico arranjou é forte. Ela não vai acordar tão cedo."

Um silêncio tenso. Então, Ana falou novamente, a voz carregada de um desprezo mal disfarçado. "E o bebê? O que vamos fazer com o bebê dela?"

O coração de Maria parou. Bebê? O bebê deles. O segredo feliz que ela planejava contar a João naquela noite.

A resposta de João foi um golpe brutal. "O médico vai cuidar disso durante a cirurgia. Ele dirá que foi um aborto espontâneo causado pelo estresse. Ninguém vai suspeitar."

Aborto. Cirurgia. A compreensão atingiu Maria com a força de uma agressão física. O acidente de Ana. A necessidade de um transplante de rim. Tudo se encaixou em um quebra-cabeça monstruoso.

"Ótimo." A voz de Ana estava satisfeita. "Finalmente, vou ter esse rim e me livrar desse problema. E você vai se livrar desse fardo que ela carrega na barriga. Depois disso, você pode terminar com ela. Ela não terá mais nada para te prender."

Um soluço silencioso rasgou a garganta de Maria, mas nenhum som saiu. A dor em seu coração era tão avassaladora que superava a paralisia de seu corpo. Ela o amava tanto. Ela teria dado a vida por ele, teria dado seu rim de bom grado se ele tivesse pedido. Mas ele não pediu. Ele a enganou, a drogou e estava roubando não apenas seu órgão, mas também seu filho.

Quando Maria acordou, a primeira coisa que sentiu foi uma dor aguda no lado direito do abdômen. O cheiro de antisséptico enchia suas narinas. Ela estava em um quarto de hospital, a luz do sol da manhã filtrando-se pela janela.

João estava sentado ao lado da cama, segurando sua mão. Seu rosto estava cheio de uma preocupação convincente.

"Maria, você acordou. Graças a Deus." Ele disse, a voz suave. "Você me deu um susto."

Ela o encarou, o rosto uma máscara de frieza. A dor em seu corpo não era nada comparada à traição que a consumia.

"O que aconteceu?" Ela perguntou, a voz rouca.

Ele apertou sua mão. "Você desmaiou, meu amor. O médico disse que foi por exaustão. E... eu sinto muito, Maria. O estresse foi demais. Você... você perdeu o bebê."

Ele disse as palavras com uma tristeza perfeitamente ensaiada. A performance era tão boa que quase seria crível, se ela não tivesse ouvido a verdade com seus próprios ouvidos.

A ironia era tão amarga que ela sentiu vontade de rir. Ele estava mentindo, olhando-a nos olhos, fingindo lamentar a perda do filho que ele mesmo mandou matar.

O celular de João tocou, quebrando a farsa. Ele olhou para a tela e seu rosto se iluminou. "É sobre a Ana. A cirurgia dela foi um sucesso! O rim novo está funcionando perfeitamente."

Ele se levantou, a preocupação fingida por Maria evaporando instantaneamente. "Eu preciso ir vê-la. Fique aqui e descanse, eu volto mais tarde."

Ele se inclinou para beijá-la, mas Maria virou o rosto.

João hesitou por um momento, confuso, mas a urgência de ver a irmã superou qualquer outra coisa. Ele saiu do quarto apressado, sem olhar para trás.

Assim que a porta se fechou, Maria ouviu as vozes de duas enfermeiras no corredor.

"A irmã do João é uma sortuda, não é? Encontrar um doador compatível tão rápido."

"Sorte? Eu ouvi dizer que foi a namorada dele, a moça que está neste quarto, que doou o rim. Pobrezinha. Doar um rim e ainda sofrer um aborto espontâneo no mesmo dia. Que tragédia."

A confirmação final. A última gota de esperança, se é que existia alguma, secou. Desespero e uma fúria gelada tomaram conta dela. Ela não ia chorar. Não ia se quebrar. Não por ele.

Com um esforço imenso, ignorando a dor lancinante, Maria esticou o braço e pegou seu celular na mesa de cabeceira. Seus dedos tremiam enquanto ela rolava pela lista de contatos, passando pelo nome "João" com um calafrio de repulsa.

Ela parou em um nome que não discava há muito tempo. Pedro. O rival de João nos negócios, um homem que sempre a olhou com uma intensidade que a deixava desconfortável.

Ela apertou o botão de chamar.

Ele atendeu no primeiro toque, a voz profunda e calma. "Maria?"

Lágrimas finalmente brotaram nos olhos dela, mas sua voz era firme, cortante. "Pedro."

"O que aconteceu? Você está bem?" Havia uma urgência genuína em sua voz.

Maria respirou fundo, reunindo toda a força que lhe restava. Ela fez a proposta mais louca e desesperada de sua vida. "Case-se comigo, Pedro."

Houve um silêncio do outro lado da linha. Um silêncio que durou uma eternidade. Maria prendeu a respiração, o coração batendo descontroladamente.

Então, ele falou, a voz baixa e séria. "Onde você está?"

Ela não hesitou. Ela não tinha mais nada a perder. "No Hospital Central."

"Fique aí. Estou a caminho."

Antes de desligar, ela acrescentou, a voz um sussurro carregado de um significado que só eles dois entenderiam. "Você me deve isso, Pedro. Você sabe que deve."

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