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Capa do romance Coração amaldiçoado

Coração amaldiçoado

Alaric, o alfa implacável de Valtheria, carrega uma maldição divina: viver sem coração e sem herdeiros. Se não encontrar sua companheira logo, sucumbirá à loucura. No seu aniversário, Eulália é reclamada por ele e levada à força para a fortaleza dos Lobos Sangrentos. Entre deuses antigos e conspirações, ela precisa decidir se ajuda o monstro quebrado a recuperar sua humanidade ou se foge. Em um jogo de destino e sangue, o amor pode custar a vida de ambos.
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Capítulo 2

499 anos depois

O sol começava a se pôr em Sunlake, tingindo o céu de tons quentes enquanto a pequena vila se preparava para a festa da colheita. Havia um burburinho animado nas ruas de terra batida, e o ar cheirava a pão fresco, frutas maduras e o perfume sutil das flores que enfeitavam as casas. Hoje era um dia especial: o fim da colheita e o início de um inverno rigoroso, mas com a promessa de prosperidade, pois os campos renderam mais do que o esperado.

Eulália caminhava devagar pela rua principal, com os cabelos negros semi presos por um delicado enfeite de flores. Ela usava um vestido simples que lhe chegava até os pés, a saia tinha um tom acinzentado e o corpete tinha alguns bordados simples. Na mão, segurava uma cesta cheia de frutas recém-colhidas e seu sorriso era tão sincero quanto a brisa fresca que anunciava o fim do dia.

"Hoje vai ser um dia inesquecível", disse Eulália, com os olhos brilhando de expectativa, enquanto passava por um pequeno grupo de vizinhos que se despediam do trabalho do campo.

Seu pai, um homem de traços gentis e olhar afetuoso, apareceu logo ao seu lado, após se despedir dos trabalhadores. Ele estava carregando um ar de satisfação e orgulho, o que fazia seus olhos se iluminarem ao ver a filha.

"Lália, venha cá, deixa-me ajudar com essa cesta" disse ele, puxando-a gentilmente pelo braço.

Eulália riu e deixou a cesta nos braços dele. Juntos, seguiram pela rua, o som dos passos marcando o compasso de uma conversa repleta de carinho e simplicidade.

"Você sabe, minha menina, cada dia que passa eu agradeço aos deuses por ter você comigo. Você ilumina esta casa como as estrelas iluminam a noite", disse o pai, com a voz suave e calorosa.

"Ah, papai, assim me deixa sem graça!" retrucou Eulália, com uma risada contagiante. Mas por dentro, ela sentia uma pontada de ternura a cada elogio, mesmo que disfarçado de brincadeira.

Caminharam juntos até as últimas casas da vila, que ficavam próximas à imponente floresta que circundava Sunlake. A floresta, densa e cheia de histórias, parecia guardar segredos antigos que poucos se atreviam a desvendar. Enquanto avançavam, a conversa se enchia de lembranças e planos para o futuro.

"Lembra quando você era pequena e adorava correr entre as árvores?" perguntou o pai, sorrindo nostalgicamente.

"Claro que lembro, papai. Eu me perdia e você me achava, sempre com um abraço apertado", respondeu Eulália, os olhos cintilando com a lembrança de momentos simples e felizes.

A caminhada foi leve, com os dois imersos em uma conversa que mesclava risos e lembranças. Quando chegaram à porta de casa, a construção simples e acolhedora parecia um refúgio seguro contra o mundo lá fora. Seu pai abriu a porta com cuidado, dentro da sala, ele acendeu algumas velas, dando um ar de intimidade ao ambiente.

"Hoje, minha filha, vamos celebrar não só a colheita, mas também a promessa de um futuro repleto de bênçãos" disse ele, enquanto colocava a cesta sobre uma mesa rústica. Seus olhos, cheios de orgulho, encontraram os de Eulália, que estava sentada num banco de madeira, ouvindo atentamente.

"Papai, todas as festas de passagem são especiais", retrucou a jovem, num tom meio brincalhão. "Quem sabe nesta festa alguém finalmente se interesse por mim e você possa acalmar seu coração, em?"

O pai sorriu e aproximou-se, colocando uma mão sobre os ombros dela e respondendo:

"Minha querida Lália, você ainda tem muito tempo para isso. Mas eu confio que os deuses já têm um plano traçado, afinal, você é tão única quanto a própria lua que enfeita o nosso céu nas noites de inverno."

Eulália sorriu timidamente, lembrando-se das histórias que sua mãe costumava contar sobre amores impossíveis e destinos traçados pelas estrelas. Seu pai, então, fez uma pausa e olhou diretamente em seus olhos.

"Tenho uma surpresa para você" disse ele, com um brilho misterioso na voz.

Eulália arregalou os olhos, curiosa, enquanto seu pai caminhava até um pequeno baú de madeira encostado na parede. Abrindo-o com cuidado, ele retirou um colar com um delicado pingente em forma de lua, brilhando suavemente à luz das velas.

"Este colar pertencia à sua mãe, Anabel. Sempre disse que, assim como a lua ilumina a escuridão, o amor verdadeiro ilumina a alma. Quero que você o use hoje, para lembrar que a beleza vem dos pequenos gestos e dos laços que nos unem" explicou ele, entregando o colar a Eulália com delicadeza.

Eulália segurou o colar com as mãos trêmulas, emocionada.

"Obrigada, papai. Vou cuidar dele com todo o carinho" prometeu, fixando o olhar no pingente que reluzia como uma esperança silenciosa.

Seu pai então a encarou, com um tom sério misturado com a ternura habitual.

"Prometa-me que, hoje à noite, você vai pelo menos tentar conversar com alguém. Não fique só aí sonhando com o futuro, minha menina. O mundo tem muito a oferecer, e quem sabe, você não encontra alguém especial que te faça sorrir ainda mais."

Eulália riu e balançou a cabeça, mas o olhar dela traía um misto de nervosismo e expectativa.

"Prometo, papai. Mas sabe que eu não sou de me apressar em nada, né? Prefiro viver cada momento como ele vem" disse ela, com um sorriso que iluminava o ambiente.

"Ah, Lália, sempre tão teimosa!" exclamou ele, com um leve tom de brincadeira, mas também com um toque de preocupação. "Mas é exatamente essa sua forma de ser que me enche de orgulho. Hoje você é uma mulher, e o mundo está esperando por você."

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