
Contrato do Destino
Capítulo 2
Ashley Narrando
Às vezes, penso que a vida é uma eterna batalha, e eu sou uma soldada que nunca teve tempo de descansar. Meu nome é Ashley Davis, tenho 22 anos e me formei em administração recentemente. Mas, apesar de tudo o que consegui até aqui, a estrada nunca foi fácil. Na verdade, ela ainda é cheia de buracos.
Perdi minha mãe muito cedo. Eu tinha apenas sete anos quando ela partiu, e desde então, minha vida virou de cabeça para baixo. Minha mãe era o pilar da nossa casa, e quando ela se foi, sobrou apenas meu pai e eu. No início, ele tentou manter as coisas no lugar, mas o álcool rapidamente tomou conta dele. Acho que era a forma dele de lidar com a dor. Eu era jovem demais para entender completamente, mas logo percebi que ele não era mais o mesmo homem que me colocava para dormir contando histórias.
Meu pai se tornou um homem amargurado e perdido. Ele começou a beber cada vez mais e, com isso, vieram as dívidas. No começo, eram apenas contas atrasadas, mas depois vieram os empréstimos e os problemas com gente perigosa. Hoje, o que ganho no trabalho vai direto para pagar essas dívidas e para colocar comida na mesa. O pior é que ele se recusa a aceitar qualquer tipo de ajuda. Já tentei conversar, implorar, até sugerir tratamento, mas ele sempre se fecha e me acusa de não entender sua dor. Talvez ele tenha razão, mas isso não torna minha vida mais fácil.
Eu trabalho duro, muito mais do que deveria para alguém da minha idade. Enquanto meus colegas da faculdade iam para festas, viagens ou até conseguiam poupar dinheiro, eu estava em dois empregos, tentando equilibrar as contas da casa e pagando as confusões que meu pai arranjava. Sempre que ele bebia demais, acabava se metendo em brigas ou destruindo algo. E quem acabava lidando com as consequências? Eu, claro.
Mas nunca reclamei. Pelo menos, não para os outros. Quando saio de casa, coloco um sorriso no rosto. Não importa o quão cansada ou frustrada eu esteja, nunca deixo que as pessoas vejam meu sofrimento. Trato todos com gentileza, educação, como se minha vida fosse perfeita. Não quero que sintam pena de mim. No fundo, acho que é porque, se alguém realmente soubesse o que passo, seria como admitir que estou perdendo essa batalha.
Minha única confidente é Morgana, minha melhor amiga. Ela sabe de tudo. Foi ela quem me deu forças para continuar estudando quando pensei em desistir. Muitas vezes, Morgana foi quem me empurrou para viver um pouco. Se não fosse por ela, acho que nunca teria ido a uma festa na faculdade. Ela sempre dava um jeito de me arrastar para algum evento, e quando eu dizia que não tinha roupa para isso, ela emprestava as dela. Morgana é como uma irmã que a vida me deu.
Lembro de uma vez em que ela apareceu na minha casa com um vestido incrível e disse: "Hoje você vai sair, nem que eu tenha que te carregar nos braços!" Eu ri, mas no fundo queria chorar, porque sabia que não tinha dinheiro para pagar nem uma bebida. Morgana, como sempre, resolveu isso. Ela dizia que a única coisa que eu precisava levar era meu sorriso. E era o que eu fazia. Por algumas horas, esquecia os problemas e fingia que minha vida era normal.
Mas quando voltava para casa, tudo caía sobre mim como uma avalanche. Meu pai provavelmente estaria dormindo no sofá, com garrafas vazias ao redor. E lá estava eu, limpando a bagunça e me preparando para mais um dia de luta.
É difícil descrever como é viver assim. Existe uma tristeza constante dentro de mim, uma sensação de que nunca vou sair desse ciclo. Sonho com uma vida diferente, mas, às vezes, me pergunto se isso é possível. Quero ter um emprego estável, uma casa onde não precise me preocupar com o aluguel ou com contas atrasadas. Quero poder viajar, conhecer o mundo, viver de verdade. Mas esses sonhos parecem tão distantes...
No entanto, tento me agarrar a qualquer fagulha de esperança. Minha formatura foi um desses momentos. Foi um dia incrível, porque pela primeira vez em anos, senti que estava conquistando algo para mim. Meu pai não apareceu, o que não foi surpresa, mas Morgana estava lá, gritando meu nome e aplaudindo como se eu fosse uma estrela.
- Você vai mudar sua vida, Ash. Eu acredito em você - ela me disse naquele dia. Essas palavras ficaram comigo.
Agora, estou tentando dar o próximo passo. Envio currículos todos os dias, na esperança de encontrar um emprego que me permita finalmente respirar. Quero sair dessa vida de dívidas e sofrimento. Quero poder cuidar do meu pai sem me sentir presa a ele.
Às vezes, me pergunto como seria minha vida se minha mãe ainda estivesse aqui. Será que as coisas seriam diferentes? Será que eu seria mais feliz? Não sei. Mas o que sei é que, mesmo com todas as dificuldades, ainda estou aqui. Ainda estou ligando.e
A verdade é que, mesmo quando tudo parece perdido, há algo dentro de mim que me faz continuar. Talvez seja o desejo de honrar minha mãe ou a promessa que fiz a mim mesma de nunca desistir. Ou talvez seja porque, apesar de tudo, ainda acredito que dias melhores virão.
Eu não sei como, mas vou encontrar uma maneira de mudar minha história. E quando isso acontecer, prometo a mim mesma que nunca mais vou deixar que ninguém, nem mesmo o destino, tire o meu sorriso.
Hoje é o meu aniversário de 22 anos. Eu sei, é só mais um dia para o mundo, mas para mim, tem um significado diferente. Só que, de uma maneira bem irônica, ninguém além da Morgana me deu os parabéns. Não que eu esperasse grandes celebrações, ou que qualquer um lembrasse, mas seria bom, sei lá, sentir um pouco de carinho. Eu não sou dessas pessoas que comemoram muito, mas um simples "feliz aniversário" já me deixaria feliz. Morgana me ligou logo cedo, me desejou um dia incrível e, claro, me fez prometer que iria me dar um tempo para mim hoje. Uma parte de mim queria deixar tudo isso para trás, mas a outra parte sabia que a rotina e as obrigações ainda estavam lá, esperando por mim.
Hoje também é o aniversário do Sr. Liam, o CEO da empresa em que trabalho. A coincidência é quase engraçada. Já trabalho aqui há meses e, sinceramente, nunca vi o Sr. Liam falar com ninguém do meu setor. O máximo que a gente ouve sobre ele é do chefe, que, claro, sempre fala dele como se fosse o próprio deus do trabalho. O que eu posso dizer? Eu sou apenas uma funcionária qualquer aqui, sem grandes ambições.
Hoje, então, o escritório está fervilhando de falatório. Todo mundo falando sobre o aniversário do Sr. Liam, como se fossem íntimos dele, como se estivessem na lista dos convidados para a festa de gala dele. Como se o simples fato de mencionar o nome dele já fosse um passaporte para o clube dos "privilegiados". Eu só dou risada, vai que ele me chama pra festa.
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