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Capa do romance Contrato do Destino

Contrato do Destino

Liam é um CEO de sucesso que foge de compromissos, mas a pressão familiar pelo seu casamento torna-se insuportável aos 30 anos. Para resolver o problema, ele propõe um acordo nupcial a Ashley, sua funcionária que atravessa crises financeiras. O que deveria ser apenas um contrato de conveniência mútuo logo foge do controle. Entre cláusulas e aparências, Liam verá suas convicções sobre o amor e o destino serem testadas por sentimentos reais e inesperados.
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Capítulo 3

Liam Narrando

Minha festa de aniversário sempre foi um evento. Um daqueles em que todos se esforçam para parecer impecáveis, mesmo que a maioria dos sorrisos sejam mais falsos do que a porcelana nas mesas. Todo ano é a mesma coisa: minha mãe, incansável, organiza cada detalhe junto com sua fiel secretária, escolhendo a dedo quem será convidado. Não são todos os funcionários da empresa, claro, afinal, nem caberiam. Apenas os chefes de setores, alguns sócios e as figuras influentes da cidade têm esse privilégio. É uma festa formal, com direito a trajes de gala e conversas cheias de superficialidade.

Naquela noite, enquanto me olhava no espelho do meu quarto, ajustando o nó da gravata, me senti como um ator se preparando para entrar no palco. Vesti o terno com a confiança de quem sabe que está impecável, mas, lá no fundo, sentia aquele desconforto habitual. Um misto de ansiedade e cansaço, como se o peso de ser o anfitrião da noite já estivesse sobre os meus ombros antes mesmo de eu descer as escadas.

Assim que desci, ouvi o som das conversas e risadas que ecoavam do jardim. O ambiente estava iluminado com luzes que serpenteavam pelas árvores e decoravam o espaço como um verdadeiro cenário. O ar estava carregado com o cheiro das flores que minha mãe insistia em espalhar por todos os cantos. Apenas a elite da cidade circulava por ali, com seus passos calculados e sorrisos treinados.

Respirei fundo antes de passar pela porta que dava para o jardim. Assim que entrei, os olhares se voltaram para mim. Já me acostumei com isso. Minha mãe veio em minha direção com um sorriso radiante, como se fosse ela a estrela da noite.

- Liam, meu querido! Finalmente, o aniversariante chegou. Está lindo, como sempre.

- Obrigado, mãe. A Senhora também está deslumbrante - respondi, tentando soar sincero.

Ela segurou meu braço e começou a me apresentar para os convidados como se eu fosse uma peça de arte recém-adquirida. Enquanto ela falava, eu sorria e cumprimentava as pessoas, procurando meus amigos, e alguma mulher bonita, para começar o esquenta. A festa de verdade começa, quando essa termina.

Logo depois, fui abordado por Marcus, um dos sócios mais antigos da empresa. Ele segurava uma taça de champanhe e parecia mais animado do que o normal.

- Liam! Parabéns, meu jovem. Mais um ano de sucesso, hein? Como se sente?

- Obrigado, Marcus. Me sinto bem. Apenas mais um ano.

Ele riu alto, como se minha resposta fosse uma piada incrível.

- Ah, Liam, você sempre tão espirituoso. Aproveite a noite.

Concordei com um sorriso antes de me afastar. Enquanto caminhava pelo jardim, observei os pequenos grupos espalhados. Conversas sobre negócios, política e, claro, fofocas discretas. Era curioso como as pessoas se comportavam nesses eventos. Tudo parecia tão ensaiado.

Então, encontrei uma brecha para me afastar. Fui até o bar montado perto da piscina e pedi um whisky. O barman me serviu rapidamente, e eu me sentei em uma das cadeiras altas, tentando aproveitar aquele momento de paz. Mas não demorou muito para que uma voz familiar me chamasse.

- E aí, aniversariante? Fugindo da própria festa?

Virei-me e vi Adam, meu melhor amigo, uma das poucas pessoas que realmente me entendem.

- Adam, ainda bem que você veio. Eu precisava de uma parceria no meio disso tudo.

Ele riu e se apoiou no balcão, pedindo uma taça de vinho.

- Achei que você gostasse de toda essa atenção. É o seu grande dia, afinal, Rei Liam.

- Claro que gosto, mas Cara, só tem mulher casada nessa festa.

- As solteiras, estão se produzindo, para logo mais - ele falou sorrindo, e eu, sorri também.

O jantar estava servido. Tudo parecia perfeito, como sempre é nas festas organizadas pelos meus pais. A mesa estava impecável, cheia de detalhes que mostravam o esforço e o dinheiro investidos. As pessoas riam, brindavam, e eu me mantinha no automático, sorrindo e acenando, participando apenas o suficiente para não atrair questionamentos.

O discurso de aniversário, claro, não podia faltar. Meu pai levantou sua taça de champanhe e começou a falar sobre mais um ano de conquistas, união e, é claro, sobre como a família sempre vem em primeiro lugar. As palavras saíam dele com uma naturalidade que eu nunca consegui entender. Como ele conseguia ser tão convincente? Fiquei ali, escutando, mas minha mente estava a quilômetros de distância.

- E agora, um brinde ao aniversariante! - ele concluiu, erguendo a taça para mim, enquanto todos seguiam o gesto e gritavam "saúde!"

Sorri e agradeci. Agradeci por quê? Nem eu sabia. Minha mente já estava na festa que viria depois, a festa de verdade, onde eu finalmente poderia me soltar. Eu só precisava sobreviver a algumas horas dessa encenação.

Quando o jantar terminou, as despedidas começaram. Adam, meu cúmplice em quase todas as situações, estava impaciente. Ele me puxou para um canto no jardim.

- Assim que a última pessoa sair daqui, eu vou para o apartamento. Chega lá depois.

- Pode deixar - respondi, mantendo a voz baixa para que ninguém nos ouvisse, principalmente o meu pai - Só vou me livrar dos meus pais e já apareço.

Adam saiu pouco depois, me deixando para lidar com o interminável ritual de cumprimentar cada convidado. Meus pais insistem que isso é essencial. É importante demonstrar consideração, minha mãe dizia sempre que eu tentava escapar dessas formalidades.

Convidado por convidado, eu os acompanhava até a porta, sorrindo e agradecendo por terem vindo. Quando finalmente a casa estava vazia, soltei um suspiro de alívio. Olhei ao redor, me certificando de que não havia mais ninguém.

- Boa noite, Filho - disse minha mãe, subindo as escadas com meu pai logo atrás.

- Boa noite - respondi, esperando alguns segundos para garantir que eles não voltariam.

Assim que ouvi a porta do quarto deles se fechar, fui para o meu quarto. Troquei o terno desconfortável por algo mais casual, mas ainda apresentável. Peguei a chave do carro e enviei uma mensagem para Adam: A caminho.

O apartamento de Adam ficava a poucos minutos. Ele escolheu o lugar perfeito, um prédio discreto, mas com apartamentos espaçosos o suficiente para festas do tipo que gostávamos. Quando cheguei, já dava para ouvir a música alta e os sons abafados de conversas e risadas vindos do lado de dentro.

Entrei, e o contraste com a festa anterior era gritante. Aqui, ninguém se preocupava com discursos ou etiquetas. Mulheres lindas dançavam no centro da sala, enquanto outras conversavam nos cantos, taças de champanhe na mão. Homens riam, bebiam e jogavam conversa fora. Essa é a minha zona de conforto, o tipo de ambiente onde eu realmente posso ser eu mesmo.

Adam me viu e veio até mim com um sorriso.

- Achei que você nunca fosse chegar!

- Meus pais demoraram para subir - respondi, pegando um copo de whisky que ele me entregou. - Mas aqui estou.

Ele riu.

- Bom, agora é hora de aproveitar.

Eu concordei com a cabeça e dei o primeiro gole no uísque. A sensação era de alívio imediato, como se eu estivesse me libertando de uma prisão invisível. A música, as luzes, as pessoas. Tudo era exatamente como eu queria que fosse.

Enquanto a noite avançava, eu percebia que não havia nada de errado em viver de acordo com minhas regras, mesmo que isso significasse equilibrar duas versões completamente diferentes de mim mesmo. Durante o dia, eu era o filho perfeito, o CEO promissor. À noite, eu era apenas Liam, alguém que queria viver sem amarras. Gosto de ser assim.

E ali, naquela festa, com a música alta e os olhares curiosos ao meu redor, eu sabia que tinha feito a escolha certa, mas ao mesmo tempo eu estava me despedindo dessa vida, a partir de amanhã serei um novo homem, com sorte, daqui a algum tempo eu volto a viver assim, novamente.

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