Capa do romance Contrato de Vingança: A Bastarda e o Herdeiro da Máfia

Contrato de Vingança: A Bastarda e o Herdeiro da Máfia

9.1 / 10.0
Em Contrato de Vingança: A Bastarda e o Herdeiro da Máfia, Isadora busca sobrevivência e retribuição após ser rejeitada. Ela propõe um casamento por contrato a Matteo Bianchi para destruir seus inimigos. Leia este mafia novel e descubra o desfecho desta história em nossa web novel.
Resumo de Contrato de Vingança: A Bastarda e o Herdeiro da Máfia
Isadora Monteiro foi humilhada e abandonada pela família, restando-lhe apenas o filho que espera. Sem nada a perder, ela busca a proteção de Matteo Bianchi, o implacável herdeiro da máfia. O que surge como um pacto de sobrevivência torna-se uma vingança letal. Através de um casamento de conveniência, eles se unem para destruir seus inimigos. Matteo aceita o filho de seu primo em troca de lealdade, transformando essa união na ruína de quem os traiu.
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Contrato de Vingança: A Bastarda e o Herdeiro da Máfia Capítulo 1

POV: ISADORA

O copo de cristal antigo rangia sob o pano de algodão, e Isadora limpava cada curva como se sua vida dependesse disso. Talvez dependesse.  

A superfície translúcida refletia seu rosto, mas distorcido - o que ela mais reconhecia nele. Um olho mais largo, a boca fina puxada para o lado errado, o nariz achatado pelo ângulo do vidro. Ela olhou por alguns segundos, hipnotizada. Às vezes, era assim que se sentia: um erro de forma, uma presença deslocada no lugar errado.  

Estava descalça. Os pés sujos pelo mármore lustroso da mansão Diniz. Suava sob a camisa branca de manga longa, que era dois números maiores e emprestada da lavanderia. Invisível - como sempre.

- Senhorita Isadora, a senhora quer que eu leve os vinhos agora? - perguntou o novo ajudante, um adolescente com olhos gentis e a camisa amassada.  

Ela abriu a boca para agradecer, mas antes que qualquer som saísse, a governanta cruzou o salão com passos firmes.

- Não a chame assim - disse, ríspida. - Ela não é da família. Não confunda.

O garoto piscou, envergonhado, e não disse mais nada.  

Isadora apenas assentiu, segurando o pano com mais força.

A mansão estava em silêncio cerimonial. Preparavam-se para um jantar de negócios - empresários importantes da alta sociedade paulistana viriam negociar investimentos com o patriarca, que agora vivia mais trancado no escritório do que na própria casa.

Mas Clarisse, como sempre, fazia questão de que tudo estivesse impecável.  

O arranjo de flores no centro da mesa tinha sido trocado três vezes desde o início da tarde.

- Isso aqui está horrível. - A voz cortante de Clarisse invadiu o ambiente. Ela usava um vestido de seda lilás que parecia feito sob medida para seu corpo esguio. O perfume cítrico a precedia em todos os cômodos. - Eu pedi orquídeas brancas, não essa palhaçada de flores mistas. Quem aprovou isso?

Isadora deu um passo à frente.

- Fui eu, senhora. As orquídeas chegaram com as pétalas manchadas, e achei que...

- Achou? - Clarisse ergueu uma sobrancelha, sorrindo com desdém. - Se vai viver aqui de favor, ao menos sirva para algo. Não pagamos você para pensar.  

Pagando? Isadora abaixou os olhos. Não disse nada. Nunca dizia.

A música clássica preencheu o ambiente antes mesmo que os saltos de Valentina batessem nos degraus. Era sempre assim - ela chegava com trilha sonora, como se o universo soubesse que precisava de atenção.

Valentina desceu as escadas como se desfilasse num tapete vermelho. O vestido dourado abraçava seu corpo como seda líquida. Os olhos castanhos estavam realçados com sombra dourada, os lábios perfeitos com um batom nude de revista.  

- Meu amor! - Clarisse abriu os braços, a voz adoçando como um milagre. - Você está deslumbrante. Como sempre.

Valentina aceitou o elogio como uma rainha entronada. Seu olhar caiu sobre Isadora, que ainda segurava o pano com o copo reluzente.

- Ainda aqui? Pensei que tivessem mandado embora junto com os entulhos.  

O coração de Isadora bateu seco no peito. Ela não respondeu.

- Ajude sua irmã a se arrumar - ordenou Clarisse, já se afastando. - E vê se não estraga o vestido com essas mãos de lavadeira.

No quarto de Valentina, o clima era pior.  

A irmã se jogou diante do espelho de corpo inteiro e apontou para a bancada de maquiagem.

- Pega o iluminador. O dourado. Não o rosado. Se errar, eu te mato.

Isadora obedeceu.

- Aperta esse laço. Mais forte. Mais. Você é fraca até nisso?

Ela puxou com cuidado.

Valentina virou-se lentamente, os olhos fixos nela como lâminas afiadas.

- Não é cansativo viver onde ninguém quer você?

Isadora parou. A pergunta soou mais baixa, quase sussurrada, como se houvesse curiosidade genuína nela. Mas não havia.

- Eu... já me acostumei. - respondeu, tentando parecer neutra.

- Que triste - disse Valentina, com um sorrisinho satisfeito. - Eu não suportaria.

A cozinha estava quente e barulhenta. Isadora foi buscar os pratos quando ouviu as risadas abafadas de duas empregadas no canto.  

- Você viu a cara que ela fez quando a dona Clarisse chamou de lavadeira? - disse uma, enxugando as mãos no avental.

- Dizem que ela é filha de uma prostituta. Uma daquelas de beira de estrada, sabe?

- Se fosse minha filha, já teria sumido faz tempo. Mas né... fingem que é da família só pra parecer bonitos na mídia.

O riso ecoou no azulejo.

Isadora fingiu não ouvir, mas as mãos tremiam tanto que quase deixou cair o prato.

A sala de jantar já estava cheia. Clarisse sorria e cumprimentava os convidados como se fosse a dama de Versailles. Valentina posava ao lado do pai, com um vestido novo, sorriso treinado e taça de vinho nas mãos.

Isadora passou com uma bandeja de canapés.

- Nova garçonete? - perguntou um dos empresários, franzindo o cenho ao vê-la.

Clarisse não hesitou:

- Não exatamente. É só uma... agregada.

Valentina riu, e Isadora sentiu o rosto arder. O orgulho latejava como um corte recém-aberto.

Já não conseguia respirar direito.

Afastou-se, recolhendo taças vazias, e parou atrás da divisória de vidro que separava a sala de jantar do hall. Foi ali que escutou.  

Clarisse, com a taça na mão, falava com a sogra, Dona Celina - uma mulher com olhos de pedra e voz de funeral.

- Ela ainda está aqui por pena. Mas nem isso ela sabe agradecer.

- Devia estar é no orfanato - disse a velha, seca. - Bastarda ou não, ainda come melhor que muita gente.

Isadora não reagiu. Nem uma vírgula. Mas por dentro, algo se rompeu.

Deixou a bandeja sobre a bancada e subiu as escadas devagar, como se cada degrau a afundasse em lama.

No banheiro, trancou a porta, ligou a torneira, e encostou a testa no espelho. O vidro estava embaçado pela umidade. Ela inspirou fundo, a garganta presa.

- Eu vou sair daqui - sussurrou, para si mesma. - Nem que seja sangrando.

E pela primeira vez, não foi só um pensamento.

Foi uma promessa.

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