
Contos Eróticos - Dar e Receber Prazer
Capítulo 3
— Que foi? — indago inclinando para trás na cadeira. Toda distância desse sorriso é pouca. Sei bem o estrago que ele faz na minha mente e na calcinha.
— Está de TPM. — Afasta fazendo o sinal da cruz. — Volto para conversamos amanhã.
Ele sempre sabe quando estou de TPM e não só estressada ou mal-humorada. E nem foi pela pergunta rude. Pois com ele, depois de tudo que aconteceu, sou sempre grossa. Ele sempre foi bom em saber o que estou sentindo.
Isso é o que mais me dói. Taylor sabia que não teríamos volta e mesmo assim me traiu descaradamente. Tudo que vivemos foi uma mentira e eu era apenas um objeto em sua mão como um peão em um tabuleiro de xadrez.
— Não temos nada para conversar nem hoje, nem nunca — rebato. — Agora vai procurar outra para encher o saco.
— Não vou desistir até você me ouvir. — Cruza os braços ficando sério e aparentemente esquecendo que estou de TPM.
Sem querer meus olhos desviam para seus braços que pelo fato de estarem cruzados deixaram mais aparente sob o terno. Engulo em seco, tentando me obrigar a olha para ali, mas resulta impossível e termino ficando excitada.
Eu ainda lembro como ele é nu. Lembro de sua pele bronzeada e a forma como eu brincava na cama desenhando os músculos dos seus braços entrelaçando nossas pernas ainda ofegante após gozar.
— Já disse, não temos nada para conversar
— repito olhando nos seus olhos, com medo dos meus próprios desejos e pensamentos.
— Acha que essa sua birra não já deu não? Vamos terminar assim? Dessa forma?
— Já terminamos e foi por culpa sua. Não quero conversar com você. — Levanto me inclinando na mesa buscando me impor. — E você não tem que trabalhar não? Depois reclama que não tem emprego.
— Não vamos terminar até eu dar minha versão. E já fiz meu trabalho — Sorri me olhando nos olhos. — Agora quero diversão. O que vai fazer hoje à noite?
Sério isso? Agora sou sua diversão? Ele vai mesmo agir como se fossemos um casal? Só pode ser castigo.
— Vou fingir que não me perguntou isso.
— Você está marrenta hein... — Aproxima deixando seu rosto bem próximo do meu. — É falta do prazer que eu te dava.
Odeio como ele ainda me afeta e odeio
mais ainda não ter saído com outro cara. Ser fiel a uma história que já acabou por uma traição dele me faz sentir ridícula. Muito ridícula.
— Vai se foder.
— Boca linda, mas bem sujinha. — Tenta me tocar, mas me afasto. — Não vou desistir, pode me evitar como for.
Não sei porque ele ainda me procura. Já me usou, enganou e não me deixa ir.
— O que quer de mim Taylor? — atrevo-
me a perguntar.
— O seu coração — responde sério, sem deixar margem para eu achar que é brincadeira. — Seu amor de volta.
— Para quê? Para você quebrar ele de novo? Para me machucar novo?
— Sab... — tenta falar, mas levanto
apontando o dedo para sua cara.
Sei que devo ter chamado a atenção de todos os funcionários do escritório, mas foda-se. Vou dizer tudo que guardei todo esse tempo. Taylor não quer conversar? Então que seja um escândalo.
Todos sabem que fui corna mesmo, todos viram ele se pegando com a advogada, podem tranquilamente ver a lavagem de roupa suja inteira.
— Pra que caralho você quer o meu amor? Só sabe amar a si mesmo com o seu ego imenso. Acha que sou o quê? O copo de café que você muda, muda e depois que usou todos quer lavar e me usar de novo? Eu não sou! — Respiro fundo tentando não chorar na frente dele.
— Sabrina! — chama em tom de
repreensão olhando ao redor.
— O quê? Não queria conversar? — berro
abrindo os braços chamando ainda mais atenção.
— Quero conversar, mas não...
— Vamos confessar — corto sem chance
para ele continuar. — Taylor, eu te dei tudo. Eu me dei em tudo para nossa relação e você me traiu. Mentiu. Me humilhou... agora não me venha querer ser o arrependido. — Deixo meus braços caírem de tão cansada. Tão exausta de fingir que não estou sofrendo. De mentir que a presença deles não me afetam. — Se não sabe cuidar, não sabe ser fiel, não me procura mais, pois, homem como você não me serve nem para sexo. — No fim minha voz saiu embargada e me deu raiva quando senti a primeira lágrima descer.
Taylor me encara tão assustado e sentido com meu desabafo que parece sem fala e sem reação.
Não espero para sentir sua pena, viro e
saio correndo para o banheiro. Vários colegas tentam conversar comigo no caminho, mas desvio de todos e só paro e desabo em lagrimas já dentro do reservado.
Choro copiosamente por uns segundos até me recompor. Paro em frente ao espelho me apoiando na pia quase me surrando por estar nesse estado.
Parabéns Sabrina. Parabéns por ter perdido a cabeça no trabalho e agora todos sabem que além de corna você chora por um homem que não vale nada.
Limpei uma lágrima com força, com raiva de mim mesma por ter feito algo tão infantil. Só que não aguento mais ter que vê-lo todo dia, ter que falar com ele e fingir que nunca tivemos nada.
Seria o fim se a advogada também trabalhasse aqui no mesmo andar que nós dois.
Graças à Deus ela fica mais em outros andares do prédio, não quero ser obrigada a ter muito contato.
Entro em uma das cabines do banheiro quando ouço passos e tranco a porta. Não quero ver, nem falar com ninguém. Sento em cima da tampa da privada abraçando minhas pernas. Odeio ele. Odeio ter me apaixonado por ele. Odeio ter chorado por ele.
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