Capa do romance A CEO e o faxineiro

A CEO e o faxineiro

8.4 / 10.0
Angelique Bellerose superou um passado de rejeição e insegurança para se tornar a CEO mais influente da Itália. Após provar seu valor ao mundo, ela vê sua vida mudar drasticamente em uma única noite ao acabar nos braços de Brandon Haddock, seu próprio faxineiro. Embora pudesse conquistar qualquer homem, Angelique se apaixona justamente pelo rapaz que ela salvou das ruas, enfrentando o dilema de desejar aquele que parece ser o mais proibido para sua realidade.

A CEO e o faxineiro Capítulo 1

Meu nome é Angelique Martins Bellerose, na noite passada completei 23 anos e decidi fazer a maior festa que a Itália já viu. Florença, capital da região da Toscana, foi o lugar que escolhi para fazer a comemoração cheia de luxo e extravagâncias, já que assim como a fênix eu renasci das cinzas.

Quem diria que a menina boba, rejeitada, abandonada pela mãe, feia e desajeitada um dia seria a CEO da marca mais famosa de vinhos bebidas da Itália?

Agora meu nome era constantemente citado em colunas e revistas como exemplo de beleza e inspiração para outras mulheres. Acontece que aparentemente também fui do topo do mundo, de todo o glamour e extravagância direto para a cama do meu faxineiro. Eu levei um susto enorme ao abrir os olhos assim que os primeiros raios de sol atravessaram a fresta das cortinas.

Eu estava nua, ao meu lado estava Brandon Haddock, ele dormia tranquilamente depois de sugar cada maldita gota de energia do meu corpo ontem a noite. Eu quase gemi, levando a mão até a cabeça, estava com enxaqueca. Bebi tanto que sentia que meus pensamentos fariam minha cabeça explodir.

Devagar eu saí da cama, catando minhas roupas em silêncio e me perguntando por que cargas d'água o álcool não tinha apagado minhas lembranças da última noite. Eu me lembrava de tudo, de cada detalhe e até dos sons que fizemos, mordi o lábio inferior ao terminar de me vestir. Pensando bem eu não queria esquecer.

Mas deveria.

Dei uma última olhada em Brandon antes de sair, sua pele cor de jaspe brilhava nas costas largas. O lençol branco cobria apenas seu traseiro, era uma cena bem bonita, eu devo dizer. Eu até pintaria se não fosse completamente absurdo ter transado com o meu funcionário.

Me forcei a sair do quarto como um furacão e fui direto para o meu. Respiro fundo andando em passos firmes no caminho, tudo bem, vai? Toda mulher é feita de altos e baixos, mas a minha vida já tinha virado uma verdadeira montanha russa quebrada.

Tudo começou há muitos anos atrás em uma manhã clara de um dia da semana que eu não sabia qual era porque só tinha 7 anos, mas sabia que estávamos no Rio de Janeiro. Minha mãe, Beatriz, levou a mim e a meu irmão mais velho até a porta de um lugar que eu não fazia idéia de qual era. Ela chorava, mas tinha dito que estava tudo bem e nem eu nem Ahren costumávamos duvidar dela.

— Escutem, amori della mi vita. – Ela se abaixou para nos olhar. — Mamma vai precisar sair. Quero que fiquem aqui e batam naquela porta antes de anoitecer, sì?

Eu ainda estava confusa então não concordei, diferente do meu irmão que foi rápido e certeiro na resposta.

— Sì! – Nossa mãe passou a mão na cabeça dele e nos beijou antes de ir embora, ela foi sumindo na rua até perdermos ela de vista de vez.

Meu irmão e eu nos sentamos na calçada, estava sol mas o vento estava fresco e a árvore grande próxima a nós fazia uma boa sombra, minha barriga roncou na hora do almoço e então comemos os sanduíches que estavam nas nossas mochilas, na hora do lanche da tarde repetimos o feito.

Uma velhinha passou e nos deu um pacote de biscoitos com recheio de chocolate e isso nos encheu de animação. Apareceram uns meninos bobos querendo soltar pipas e Ahren aceitou brincar desde que fosse há apenas alguns metros de distância, para que pudesse ficar de olho em mim.

Quando anoiteceu os meninos foram chamados pelos pais para entrar e comer, enquanto nós continuamos na calçada, e agora Ahren parecia um menino porco, com a cara e os pés todos sujos de terra.

Isso sem contar as mãos cheias de germes. Minha barriga roncou de novo mas dessa vez a comida já tinha acabado, a rua foi ficando cada vez mais deserta e menos carros passavam pelo local.

Quando uma moça rechonchuda saiu da porta que devíamos bater eu puxei a camisa do meu irmão.

— Ahren! – Apontei a moça. Ele arregalou os olhos azuis, lembrando que deu sua palavra que iria bater no tal portão e perdeu a hora com aqueles meninos chatos. Nós corremos para a senhora que já estava indo embora.

— Moça? Moça? Essa é a sua casa? – Meu irmão perguntou.

— Não. – Respondeu simpática. Meu irmão fez careta.

— O que é então?

— Aqui funciona o Abrigo Social Bom Jardim. Está procurando a casa de alguém, aquela ali é sua irmã? – A mulher apontou para mim com o chaveiro em mãos, eu revirei os olhos enquanto apoiava o queixo com as pequenas mãos, quis mostrar a língua para ela e só não fiz porque mamãe ensinava que era errado.

Eu estava com fome e suas perguntas estavam me irritando, por que não nos deixava entrar de uma vez e comer enquanto nossa mãe não voltava? Eu só queria um sanduíche.

— É, mas eu que sou o mais velho. Tenho 9, ela só tem 7.

— Entendi. – Ela fechou o casaco, procurando alguma coisa por perto. — E vocês estão sozinhos? Onde está a mãe ou o pai de vocês?

Bom, eu também me perguntava a mesma coisa, nunca conhecemos nosso pai e eu não sabia que lugar é esse tão longe que mamãe tinha ido para demorar tanto assim.

— Minha mãe saiu, moça. Ela disse para bater na porta antes escurecer mas eu brinquei tanto que esqueci. – Ahren explicou.

— Ela mandou você bater nessa porta?

Ahren assentiu quando a mulher apontou o portão por onde ela tinha saído. Depois disso a mulher pediu para olhar nossas mochilas, ela analisou o que tínhamos nas bolsas, Ahren não tinha percebido mas eu sabia que alguma coisa parecia errado porque a mulher ficou preocupada de repente.

Mas pelo menos ela nos deixou entrar.

A mulher se chamava Magda e deixou a gente chamá-la de Mag, tomamos banho e enquanto ela fazia uma sopa víamos desenho em um lugar grande com várias mesas. Como o que tinha no colégio.

Eu achei que mamãe voltaria logo mas mesmo depois da janta as horas foram passando e não houve nenhum sinal dela. Depois que o desenho acabou eu fui colocada para dormir no mesmo quarto que o meu irmão.

— A luz desse abajur vai ficar acesa, tá bom? Podem apagar se quiserem. Boa noite, crianças.

Ela passou a mão nos nossos cabelos antes de se afastar para sair.

— Mag? – Chamei do jeito que ela disse que poderíamos chamá-la.

— Sim, meu amor?

— Minha mãe vai demorar a voltar?

Magda sorriu, apesar do olhar dela me dizer que tudo ia ficar bem sua boca não me disse mais nada. Eu ainda não sabia, mas nossa mãe nunca mais iria voltar.

Nunca mais veríamos seu rosto novamente.

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