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Capa do romance Como Contratar um Mafioso

Como Contratar um Mafioso

Buscando enganar seus pais, ela contrata um acompanhante para ser seu marido por uma noite. O charmoso Enzo, porém, é na verdade Lorenzo Maranzano, o temido Don de Verticália. Ao saber que ela sofre ameaças do ex-marido, Jonas Guerra, o mafioso assume um controle possessivo sobre sua vida. Entre proteção e cárcere, ela se vê presa a um homem perigoso que confunde cuidado com domínio, enquanto descobre ter se apaixonado pela pessoa errada.
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Capítulo 2

LORENZO MARANZANO

Sequestrei, sim, a massagista Isadora Guerra. E, querem saber? Não me arrependo.

Nem mesmo da mentira de que foi só para protegê-la. Queria mesmo era fazer dela mia Donna.

Ah, Isadora... finalmente você está livre deste criminoso que, apesar de querer teu bem-estar, é incapaz de amar como você merece.

Agora, olha só pra mim: indo me casar com uma filha da Máfia, como eu.

Como deve ser. Não seria prudente te puxar comigo para a lama onde estou enfiado.

Se me preocupo em puxar minha futura esposa?

Não mesmo, ela é bem pior que eu.

***

Umas Semanas Antes...

O Cassino Maranzano Palace, situado no coração do Distrito Golden, nunca dormia.

Eu também não: se o controle da Família era meu, cabia a mim manter tudo em ordem. Se eu não tolerava erros de ninguém - como toleraria os meus? Caso alguma merda acontecesse quando eu baixasse a guarda, teria que me matar? Me parecia muito injusto continuar vivo depois de todos que executei por erros tolos.

Minha chegada ao Cassino não precisava de anúncio.

Mesmo que ninguém tivesse bolas o suficiente para me encarar, todos sabiam distinguir o som dos meus sapatos entrando no meu território - sempre de passos firmes, ritmados. Assim que me percebiam, os garçons endireitavam a postura, as dançarinas forçavam ainda mais a sensualidade, e os apostadores seguravam a respiração por mais tempo do que o necessário.

O salão principal do cassino era iluminado... demais. Sem relógios, sem janelas - ninguém devia perceber o tempo passando. Eu atravessava o espaço com a consciência de que não podia parar o tempo - mas manipulá-lo era o bastante. Para dar mais impressão desse "dia que nunca dorme", os tapetes de cor vinho cobriam o chão, enfeitados pelas lágrimas que os lustres dourados derramavam sobre eles. Tomando toda essa área, os jogos: roleta, Blackjack, pôquer e uma fileira interminável de caça-níqueis. E, claro, as mulheres bonitas que, em roupas sexies, serviam drinques com sorrisos forçadamente sedutores. Quanto mais álcool, mais apostas, mais jogos perdidos.

Todos elogiavam meus ternos de três peças, sempre alinhados. Entretanto, o que realmente chamava atenção era - e ainda é - a cicatriz que divide minha sobrancelha direita. Algumas mulheres diziam que se excitavam ao vê-la. Para mim, sempre foi uma marca visível do meu pai - as outras ninguém via. Greco, um dos meus seguranças mais antigos, abria caminho entre as mesas de pôquer. Um cliente VIP, entretido com seus ganhos, não se deu conta da minha chegada. Riu da própria sorte até me perceber às suas costas. Empalideceu. Pediu desculpas, como se eu fosse acusá-lo de trapaça. Eu nada disse, apenas o encarei e foi o bastante: ele sabia que perder meu respeito era pior que perder dinheiro, pois significava perder a vida. Aprendi com os que vieram antes de mim: "Nada pessoal, é só negócio". E, no meu negócio, se eu deixasse um homem vivo por piedade, era certo de que ele voltaria para me matar alguns dias depois.

Abaixo do salão, ficava a boate.

Propositalmente escura, para que as mãos bobas não ficassem acanhadas. As luzes coloridas dançavam sobre as silhuetas das dançarinas profissionais. Algumas delas presas em jaulas; outras se contorcendo nos poles. A festa começava às 21h e só terminava quando o último bêbado era expulso.

Nela, meu lugar preferido: a mesa do Don. Ficava num mezanino, pairando sobre todos. Na parede ao lado, telas com as câmeras de segurança. No ouvido, o ponto de escuta. À frente, um pequeno palco. Havia sempre uma mulher dançando ali. Contudo, meus olhos sempre rondavam os clientes.

Observava homens e mulheres ricos fazendo o mesmo de sempre: beber champanhe, rir alto, enfiar notas nas laterais das lingeries. Fingiam estar ali por diversão.

Porém, todos bem sabiam: ninguém frequentava meu clube só para beber e admirar gostosas. O dinheiro, que passava por mim, vinha de crimes fiscais, tráfico, corrupção. Muita gente do Distrito Golden dependia de mim para manter as contas limpas com a Receita Federal. Era isso que me dava poder.

Naquela noite, um segurança se aproximou, me passando informações sobre um possível golpe no cassino. Quando ele se retirou, olhei, pela primeira vez, para a stripper que rebolava à minha frente. Fiz um gesto para que ela descesse da mesa. Vestia apenas uma calcinha preta minúscula e, puxando a renda desta, depositei ali uma nota de cem. Me levantei. Ela pôs as mãos no meu peito, desejando sentir meus músculos sob o terno.

- Don, é minha primeira semana... me disseram que sou bem paga para ser sua. É verdade? - provocou.

Segurei os punhos dela com força. Não para machucar - ainda. Só para deixar claro que não esperasse delicadezas. Aproximei minha boca de sua orelha e murmurei:

- Tem certeza de que o valor é alto o suficiente pra se arriscar?

Ela acenou com a cabeça, roçando seu rosto no meu.

- Você acredita mesmo que rebolar a bunda na minha frente te levaria pra minha cama? - minha voz saiu ainda mais fria.

Apesar de não ter a intenção de machucá-la, apertei seus punhos com mais firmeza. Queria afugentá-la.

- É o que dizem... quem dança bem e agrada ao Don ganha um vale-noite.

Outra pessoa riria da ingenuidade. Não eu.

- Dizem muitas coisas sobre mim - dessa vez, usei um tom de ameaça. - Quem acredita geralmente morre antes de descobrir se era verdade.

Larguei seus braços.

- Você não é uma dançarina. E é burra demais pra ser uma espiã. Então, da próxima vez que eu te vir por aqui, te apresento a Valentina. Ela não tem o meu código moral de não bater em mulher.

Na boca de outro, isso soaria cômico. Na minha, não.

- Nunca mais ouse me fazer perder tempo.

Ela recuou, com o olhar voltado pro chão. O modo como saiu, curvada, só confirmou minhas suspeitas: uma jovem que não fazia ideia de onde estava se metendo. Terminei meu uísque sem pressa

Subi dois lances de escada, enquanto verificava se meu terno estava alinhado. Ajustei as mangas da camisa.

No andar acima do salão de jogos, ficavam meu escritório e o de Dante - meu irmão e advogado. As salas eram à prova de som e de balas. Do outro lado do corredor, a sala de espera dos capangas e o vestiário das dançarinas. Antes de entrar no meu escritório, parei diante de uma das tantas molduras antigas que decoravam o ambiente com membros da Família. Naquela, a foto do meu pai. Por um segundo, vi o meu rosto na imagem dele.

- Ainda não, Sr. Ettore - murmurei. - Ainda não sou igual a você.

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