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Capa do romance Colisão do Amor

Colisão do Amor

Traído e abandonado, Ömer focou no trabalho para evitar novas dores, crendo que o amor é uma ilusão. Sua vida muda ao conhecer Elif, uma estudante de jornalismo vibrante e audaciosa. Apesar do início difícil, surge uma conexão que desafia seus traumas. Entre diferenças de idade e julgamentos, eles enfrentam obstáculos que exigem coragem. Para ficarem juntos, Ömer precisa aprender a confiar novamente, enquanto Elif amadurece em busca de um recomeço real.
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Capítulo 3

Elif e as amigas lanchavam sentadas na cantina da faculdade. As três contavam como havia sido o primeiro dia de aula, mas Sâmia notava que a amiga não parava de olhar o relógio.

- Elif, você está preocupada com algo? Mandou mensagem no grupo falando de um imprevisto. Contamos como foi nosso primeiro tempo de aula e você fica olhando o relógio. Tá acontecendo algo e você não quer dizer? - Sâmia, a mais discreta das três, percebeu que Elif escondia algo.

- Ela aprontou algo, tenho certeza! Conta logo, Elif, o que você fez para chegar atrasada? - Elçin interrogou a amiga, que estava pensando no homem que a atropelou e curiosa para saber se ele teria coragem de ir até a faculdade deixar sua pulseira.

- Não aconteceu nada, eu apenas tive um probleminha logo de manhã. Um sem noção quase me atropelou, minha pulseira da sorte foi para o conserto e agora tenho que ficar aqui esperando.

Sâmia e Elçin se assustaram com o que ela disse.

- Você não tem nenhum arranhão nem nada. Como assim "um sem noção"? Explica isso direito. - Sâmia questionou, e Elif explicou como havia acontecido o acidente e que, por sorte, a pulseira foi a única "machucada" no meio de toda a confusão.

- E foi isso, minhas queridas amigas do coração. Tudo bem, eu estava errada, ele também não prestou atenção e acabou encostando o carro em mim, o que me fez desequilibrar e cair no chão.

- Elif, você é louca mesmo, garota. Já pensou se algo pior acontecesse? E você é mais louca ainda de entrar no carro de um estranho.

- O carro dele era luxuoso e, pela roupa que usava e o relógio no pulso, te garanto que pobre ele não era.

- Mesmo assim, você brinca com o perigo - Elçin chamou a atenção.

- Se eu soubesse do sermão, não teria contado.

O sinal tocou, anunciando o fim do intervalo. Cada uma voltaria para sua sala.

- Vou ficar esperando você até esse homem chegar com sua pulseira. Depois sigo com você para sua casa. -  Sâmia foi logo avisando.

- Concordo com a Sâmia - Elçin concordou.

- Tudo bem, minhas queridas melhores amigas. Vamos ou vou acabar chegando tarde. Até depois do intervalo.

As três seguiram cada uma para sua sala e Elif desejava apenas que a aula acabasse logo para poder reencontrar Ömer.

~ * ~~ * ~~ * ~

Ömer e Kerem, mais calmos, decidiram o que o publicitário faria dali para frente. Sua ex sabia tudo sobre ele, o que pensava e o que faria em várias situações.

- Irmão, me desculpe o que vou te falar, mas Sevda, além de apaixonada, vai entregar de bandeja tudo que sabe sobre você? O que fez de tão errado assim para que a mulher que "morria de amor" por você agora virou namorada do homem que te odeia e inveja desde sempre?

Ömer sentia um completo fracasso. Mesmo com Aisha tentando animar o chefe, ele se sentia um inútil pela primeira vez em seus 36 anos de vida.

- Se eu dormi com ela por cinco anos e até agora não sei o que fiz, como vou te responder algo que estou tentando entender?

Ömer viu a hora no relógio e faltavam 15 minutos para às 13h. Ele precisava buscar a chantagista antes que ela chamasse a polícia, e quando ele chegasse à faculdade, o pai dela estaria lá esperando.

- Preciso ir agora. Tenho que procurar alguém ainda e, com a confusão, não te contei. Bati o carro, quer dizer, alguém bateu na minha porta e, enfim, eu te conto depois que voltar do almoço. Devo chegar depois das 15h hoje. Você volta para a agência ou vai se encontrar com Zeynep?

- Vou almoçar por aqui mesmo. Na verdade, eu pensei que você também ficaria.

- Vontade não falta, mas preciso buscar a garota que quase atropelei. Eu te conto depois o que aconteceu.

Ömer se despediu do amigo e passou na sala de Aisha, avisando que qualquer coisa ele estaria no celular.

Desceu até o estacionamento e se apressou para buscá-la e deixá-la na joalheria. Depois, iria até sua casa tomar um banho. Quem sabe assim a dor de cabeça que estava começando a aparecer fosse embora.

~ * ~~ * ~~ * ~

- Elif, eu acho que esse homem te enganou. Você perde sua pulseira da sorte e ainda leva bronca da sua mãe.

A jovem olhou a hora. Ömer estava atrasado quinze minutos. Ela achou melhor inventar uma desculpa para a mãe até resolver o que fazer com a pulseira. Seu pai entenderia, mas sua mãe com certeza iria encher tanto seu saco que ela ouviria o sermão pelas próximas dez gerações.

- Vou ligar para minha mãe. Vocês duas, fechem o bico. Sâmia, se mamãe perguntar, confirma que almoço com você.

Elif ligou para a mãe, que atendeu perguntando por que a menina ainda não havia chegado em casa.

- Mãe, eu acabei de sair da aula e vou almoçar com a Sâmia. Comemorar nosso primeiro dia de aula e não se preocupe, não chego tarde.

- Tudo bem, senhorita Elif. Espero você em casa antes das 15h. Seu irmão tem tarefa da escola e você precisa auxiliar o Ahmet. Seu pai também não veio almoçar, apareceu um problema no escritório e ele ficará por lá para resolver. Cuidado e mande um abraço para Sâmia.

A jovem agradeceu em silêncio que a mãe havia acreditado. Já estava nervosa por não saber o que fazer, até que o carro de Ömer estacionou em frente à faculdade.

- Estou salva! Meninas, minha carona chegou. Não quero sermão e ligo para vocês quando chegar em casa. Sâmia, não fale nada para minha mãe enquanto eu não te avisar.

Elif entrou no carro sem esperar a resposta das amigas. Conhecendo as duas, ela sabia que iriam impedir de entrar no carro.

Ömer mal estacionou e a garota já foi entrando no carro e, como da primeira vez, colocou 

os pés em cima do banco.

- Pensei que você tinha fugido com a minha pulseira. - Antes que Ömer pudesse falar algo, a menina já se sentia como se fosse a dona do carro, perguntando pela pulseira da sorte.

- Se puder tirar os pés daí, eu agradeço. Buscamos a sua joia agora. Na verdade, ela ficará pronta só depois das 14h. Vou te deixar na joalheria e já está tudo pago. Não tenho mais nenhuma responsabilidade e você pode seguir seu caminho que seguirei o meu.

Elif quis falar algo, mas Ömer ligou o som do carro. Ela percebeu que ele não queria conversar e achou melhor assim.

Além de grosso, era mal-humorado. Tirou os fones de ouvido da bolsa, colocou no Spotify e deu play na sua playlist favorita.

Ömer dirigia com todo cuidado. Depois da péssima manhã, tinha até medo de ficar perto daquela garota e alguma coisa ruim acontecer. Parou em frente à joalheria e a garota estava de olhos fechados, cantando baixinho uma música que ele não conseguia entender.

Desligou o veículo e Elif abriu os olhos, notando que haviam chegado ao local onde o ranzinza levou sua pulseira. Se ele soubesse a importância daquela joia barata, não agiria da forma que estava agindo.

A joalheria até era organizada, pelo menos do lado de fora.

- Ao menos trouxe minha pulseira num lugar decente. Agora vamos que eu preciso almoçar. Espero que esteja pronta e assim vou logo para casa.

Elif desceu e Ömer a seguiu. Ao entrarem no lugar, a primeira coisa que ele notou foi o homem trabalhando em outra joia ao invés da pulseira dela.

- Senhor, me perdoe pelo atraso. O par de alianças demorou mais do que pensei e, como o senhor não deixou contato, não tinha como avisar.

- Isso só pode ser brincadeira! - Ömer falou consigo mesmo, enquanto ao seu lado a chantagista universitária olhava com um sorriso debochado.

- Senhor, podemos esperar? Acredito que em dez minutos o senhor conserta essa pulseira. Penso que é só colocar uma solda no fecho e pronto. - Ömer perguntou desesperado.

Elif, que se mantinha calada, respondeu primeiro que o ourives.

- Senhor, essa pulseira é especial para mim e tenho certeza de que em dez minutos o senhor não vai consertar. Então, eu e meu amigo aqui, almoçamos e voltamos daqui a uma hora.

Elif saiu primeiro e Ömer não acreditava que, além de pagar o conserto, ela queria que ele pagasse o almoço.

- A moça tem razão, me perdoe, senhor. Em uma hora garanto que ficará pronta e eu entrego como nova para vocês. Vou até aproveitar para dar uma limpeza nos berloques que notei que são antigos e precisam apenas de um polimento.

Ömer tentou entender o senhor, mesmo que não concordasse. A manhã já tinha sido um horror e agora teria que pagar o almoço para a chantagista.

Quando saiu, Elif aguardava encostada  na porta do carro.

- Então, o joalheiro disse que horas fica pronta?

- Daqui a uma hora. Vou te deixar no primeiro restaurante que encontrar. Tive uma manhã difícil e preciso ir para casa.

Elif notou que aquele homem estava bem estressado e não era por causa dela. Resolveu deixar a gracinha de lado e perguntar se ele estava bem.

- Ei, se quiser, posso te fazer companhia no almoço. Somos estranhos, eu sei. Contudo, li uma vez que estranhos podem ser os melhores ouvintes. Podemos almoçar juntos e você me conta seus problemas e eu te falo como foi meu primeiro dia na faculdade.

Pela primeira vez, desde que encontrou aquela garota, Ömer sorriu. E foi um sorriso sincero.

- Tudo bem, vamos. Eu pago o seu almoço e podemos conversar um pouco.

Elif entrou no carro e, antes que Ömer desse a partida, a jovem respondeu que ela iria escolher o lugar.

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