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Capa do romance Cinzas de Um Amor Perdido

Cinzas de Um Amor Perdido

Diagnosticada com ELA, Sofia decide doar seu corpo à ciência para salvar seu antigo orfanato. Contudo, Pedro tenta capturá-la, e sua fuga a leva a Gabriel, seu antigo amor. Cego por mentiras de Isabella, ele a humilha e a entrega aos seus algozes. Entre abusos e torturas psicológicas, Sofia é forçada a organizar o casamento de Gabriel enquanto esconde um segredo vital sobre o passado deles. Jogada ao fogo e ao mar, ela leva consigo a verdade que poderia redimi-la.
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Capítulo 3

Pedro agarrou o braço de Sofia com força, suas unhas cravando na pele fina dela. "Achou que podia fugir, sua vadia? Achou que podia roubar de mim?"

A dor física era aguda, mas foi o toque dele que a fez congelar. O mesmo toque que ela sentiu inúmeras vezes naquele quarto escuro no centro de reabilitação. Um calafrio percorreu sua espinha, um medo tão profundo e instintivo que paralisou seus pensamentos. Seus ombros se encolheram, sua cabeça baixou, uma resposta condicionada a meses de tortura. Ela se tornou pequena, submissa, esperando o próximo golpe.

"Deixem-na", a voz de Gabriel cortou o ar, fria e autoritária.

Ele havia parado e se virado, observando a cena com uma expressão de nojo. Isabella se agarrava a ele, sussurrando algo em seu ouvido, provavelmente veneno.

Pedro soltou Sofia com um empurrão. "Senhor Gabriel, essa mulher é uma criminosa. Ela precisa ser punida."

Gabriel se aproximou lentamente, seus sapatos caros pisando nas poças d'água. Ele não olhou para Sofia, mas para Pedro. Tirou a carteira do bolso, pegou um maço de notas e o jogou no chão, aos pés de Pedro. O dinheiro se espalhou na calçada molhada e suja.

"Isso é o suficiente para cobrir o que ela 'roubou'?", Gabriel disse, a voz pingando sarcasmo. "Agora suma da minha frente."

Pedro e seus homens olharam para o dinheiro, depois para Gabriel, e rapidamente se abaixaram para pegar as notas, como cães famintos. A humilhação era palpável. Sofia sentiu as lágrimas queimarem seus olhos, não por si mesma, mas por como Gabriel a via: um problema que podia ser resolvido com dinheiro, uma mercadoria sem valor.

Assim que os homens de Pedro foram embora, Gabriel se virou para ela, seu rosto uma máscara de fúria contida. "Você é inacreditável. Além de tudo, agora você também rouba?"

Ele a agarrou pelo queixo, forçando-a a olhá-lo nos olhos. "O que aconteceu com você, Sofia? Onde está aquela garota que eu conheci? Ou ela nunca existiu? Foi tudo uma mentira?"

A garganta de Sofia se fechou. Ela queria gritar, queria contar a verdade, mas o rosto de Ana, a irmã de Gabriel, apareceu em sua mente. A fumaça, o calor, a promessa.

O fogo crepitava ao redor delas, a fumaça negra enchendo o ar. Ana estava presa sob uma viga de madeira, seu rosto pálido coberto de fuligem, a respiração curta e difícil. Sofia, com o braço queimado e a cabeça sangrando, tentava desesperadamente movê-la.

"Sofia... me escute", Ana tossiu, sangue manchando seus lábios. "Foi minha culpa. Eu... eu acendi as velas perto da cortina. Fui descuidada. Gabriel... ele não pode saber. Ele vai se culpar por ter saído e me deixado sozinha. Ele vai se destruir."

"Não, Ana, nós vamos sair daqui! Gabriel vai nos ajudar!", Sofia soluçou, o desespero a consumindo.

"Não há tempo", Ana agarrou a mão de Sofia, seu aperto surpreendentemente forte. "Jure para mim, Sofia. Jure que você nunca vai contar a ele a verdade. Deixe-o pensar que foi qualquer outra coisa... que fui eu a heroína que tentou te salvar, ou até mesmo... que foi você. Deixe-o te odiar. O ódio o manterá vivo. A culpa o matará. Jure!"

As lágrimas escorriam pelo rosto de Sofia, misturando-se com o suor e a fuligem. Olhando nos olhos da garota que era como uma irmã para ela, ela sussurrou a palavra que selaria seu destino. "Eu juro."

"Responda!", Gabriel gritou, sacudindo-a.

Sofia olhou para ele, o homem que ela amava mais que a própria vida, e tomou uma decisão. Ela cumpriria sua promessa, mesmo que isso a destruísse. Com uma frieza que não sentia, ela forçou um sorriso zombeteiro.

"Aquela garota morreu, Gabriel. No mesmo incêndio que matou sua irmã. A pessoa que está na sua frente é quem eu sou agora. Uma ladra, uma mentirosa. Você não gostou?"

A dor nos olhos dele foi quase imperceptível, mas ela a viu, um vislumbre do homem que ele costumava ser. Mas foi rapidamente substituído por uma fúria gelada.

"Você me dá nojo", ele sibilou, soltando-a com tanta força que ela cambaleou para trás.

Ele se virou para Isabella, que observava tudo com um sorriso vitorioso. "Leve-a. Faça o que quiser com ela. Eu não quero mais vê-la."

Isabella se aproximou de Sofia, seu sorriso se alargando. "Você ouviu, querida. O Gabi não te quer mais por perto."

Dois seguranças, que haviam surgido silenciosamente, agarraram Sofia. Ela não resistiu. Enquanto era arrastada para um carro, ela viu Gabriel se afastar sem olhar para trás. Ele pensava que a estava mandando para longe, para qualquer lugar. Mas Sofia sabia, pelo brilho nos olhos de Isabella e pela presença daqueles homens, que seu destino era muito pior. Ela não estava sendo libertada. Estava sendo levada para uma nova cela, uma prisão pessoal criada pelo ódio de Gabriel e pela maldade de Isabella. E o pior de tudo, era Pedro quem dirigia o carro. Ele olhou para ela pelo espelho retrovisor, um sorriso sádico se espalhando por seu rosto.

"Bem-vinda de volta, Sofia. Senti sua falta."

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