
Cicatrizes Que Contam Uma História de Triunfo
Capítulo 2
No dia do nosso terceiro aniversário de casamento, o meu marido, Pedro, desapareceu.
Liguei para ele o dia todo, mas o telemóvel estava sempre desligado.
O nosso filho de dois anos, Léo, estava com febre alta, a arder nos meus braços.
Eu não tinha outra escolha senão levá-lo sozinha ao hospital.
A chuva caía lá fora, forte e impiedosa.
Sentei-me no corredor frio do hospital, segurando o Léo, que finalmente adormeceu depois de tomar a medicação.
O meu telemóvel vibrou de repente.
Era uma notificação do Instagram.
Uma amiga tinha-me marcado numa foto.
Abri a aplicação e o meu mundo desabou.
A foto mostrava o Pedro a abraçar uma mulher.
Ela usava um vestido de noiva branco e deslumbrante.
Ele estava de fato, a sorrir para a câmara, um sorriso que eu não via há muito tempo.
Estavam num jardim luxuriante, rodeados de convidados que os aplaudiam.
A legenda dizia: "Parabéns, Sofia e Pedro! Que a vossa vida seja cheia de amor e felicidade! #CasamentoSurpresa #AmorVerdadeiro"
O meu marido estava a casar-se com outra mulher no nosso aniversário.
Senti o sangue a gelar nas minhas veias.
O Léo mexeu-se nos meus braços, murmurando "mamã" durante o sono.
Olhei para o seu rosto pequeno e febril, e a minha visão ficou turva.
Não, eu não podia desabar. Não ali.
Respirei fundo, tentando acalmar o tremor nas minhas mãos.
Comecei a percorrer o perfil da Sofia.
As suas publicações estavam cheias de momentos felizes com o Pedro.
Jantares românticos, viagens de fim de semana, presentes caros.
Uma vida que eu nunca tive com ele.
Havia uma foto deles de há um ano, com a legenda: "Um ano contigo. O melhor ano da minha vida."
Há um ano.
Isso significava que ele estava com ela desde que o Léo era apenas um bebé.
O meu estômago revirou-se.
Então, o meu telemóvel tocou.
Era a minha sogra, a Dona Elvira.
Atendi, com a voz a falhar.
"Olá?"
"Catarina? Onde estás? Porque é que o Pedro não atende o telemóvel?"
A sua voz era exigente, como sempre.
"O Léo está com febre. Estou no hospital com ele."
"Febre? Outra vez? Tu não sabes cuidar de uma criança? Ele está sempre doente contigo!"
As suas palavras eram duras, mas eu estava demasiado entorpecida para sentir a dor habitual.
"Dona Elvira, viu o Instagram hoje?"
Houve um silêncio do outro lado da linha.
Um silêncio que dizia tudo.
"Catarina, ouve..."
"Você sabia, não sabia?"
A minha voz era um sussurro.
"Não é o que parece. A Sofia... ela tem problemas de saúde. O Pedro só está a ajudá-la."
Ajudá-la? Casando-se com ela?
Uma gargalhada amarga escapou dos meus lábios.
"Ajudá-la? E o vosso neto, a arder de febre nos meus braços? Ele não precisa de ajuda?"
"Não sejas dramática! É só uma febre. Os rapazes são fortes. O Pedro tem responsabilidades maiores agora."
"Responsabilidades maiores do que o seu próprio filho?"
"A família da Sofia é muito importante, Catarina. Eles podem ajudar muito o Pedro na carreira dele. Tens de pensar no futuro!"
"O meu futuro?"
O meu futuro estava a desmoronar-se à minha frente.
"O nosso futuro."
Ela corrigiu-me, com a voz fria.
"Pára de ser egoísta. O Pedro está a fazer isto por todos nós. Agora, cuida do Léo e não faças nenhum escândalo. Falamos quando ele voltar."
Ela desligou.
Fiquei a olhar para o telemóvel, incrédula.
Eles sabiam.
A família dele sabia e compactuou com isto.
O meu filho e eu éramos apenas um inconveniente, um obstáculo para a "vida melhor" deles.
Olhei novamente para a foto do casamento.
Para o sorriso do Pedro.
E decidi.
Isto não ia ficar assim.
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