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Capa do romance Cicatrizes do Destino - Bratva 1

Cicatrizes do Destino - Bratva 1

Roman, o implacável chefe da Bratva, perdeu a capacidade de amar após seus inimigos destruírem seu passado. No entanto, um encontro inesperado surge quando ele confronta uma mulher fascinante. Entre citações de Alice no País das Maravilhas e um russo imperfeito, a química entre o mafioso de olhar gélido e a jovem nerd embriagada se torna explosiva. Ela não esperava ser desarmada por um sorriso tão perfeito, enquanto ele redescobre o interesse pela vida.
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Capítulo 2

Luna Alvez

Descendo na parada de ônibus movimentada com os outros que iriam na mesma direção, atravessamos o quarteirão em direção ao calçadão da orla, caminhando até o ponto da areia em frente a tenda montada pela prefeitura para o DJ que tocará até as 22h.

Próximo à tenda encontramos uma barraquinha de bebidas e compramos doses de tequila começando a misturar com garrafinhas de cerveja, nem sempre podemos meter o pé na jaca, mas hoje à noite é nossa. Perdendo o pudor que em um dia normal jamais permitirá ao menos balançar os quadris, me peguei dançando e gritando porque isso não pode ser considerado canto, com o álcool correndo no organismo, trazendo risos bobos e sem motivo, esquecendo os problemas de casa e o cansaço depois de 12 horas de trabalho.

Resolvi comprar um glitter azul ao ver uma senhorinha trabalhando com ambulante provavelmente buscando fazer um trocado para pagar o aluguel, após abrir o pequeno saquinho comecei a jogar em Kalifa tentando fazer algum desenho, mas só ficamos sujas mesmo, parei do nada e pensei nos peixinhos, me senti tão filha da puta ali bêbada, jogando glitter para cima, sem pensar no meio ambiente, logo depois que a embriaguez bateu falando mais alto, resolvi deixar para amanhã a consciência pesada.

Foi nesse momento que, virada de frente para o calçadão, avistei de longe alguns homens perto de uma barraquinha simples que costumamos comprar algumas coisas batizadas. Cutuco o braço de minha amiga chamando sua atenção.

— Kalifa, minha filha. — Berro para escutar. — Com um homem daquele meu cu ficava assado de tanto dar.

Falei rindo sem dar a menor importância se alguém prestava atenção. Infelizmente, beber tem esse efeito no meu organismo, perder a dignidade. Ela olhou na minha direção rindo.

— Minha filha ainda tem prega no teu cu? — A rapariga frescou, fazendo uma cara de surpresa, senti o queixo cair enquanto ela ria.

Notei por sobre o ombro dela que um barbudinho estava se aproximando.

Mas deus oh! Homem feio!

— Nem se fosse solteira, nem amarrada.

Acabei falando apressada, chamando a sua atenção, para ver o homem do qual falei.

— Para de encarar Luna, se não ele pensará que tu está interessada. — Ela moveu a cabeça para olhar o calçadão. — Cadê os homens bonitos que tu apontou, só quero se tiver a rolona.

Me virei enquanto ria.

No mesmo momento começou a tocar Pabllo, esquecemos os homens, nos animando para dançar e começamos a coreografia de Parabéns rebolando loucamente, lembrei que ela tinha me perguntado algo ah sim os gostosos, olhei para lá e só vi um.

— Ali Kalifa, perto da barraquinha do tio que vende aqueles brownies — Ri lembrando dos brownies de maconha que derrubavam minha amiga, olha que isso era algo bem difícil de acontecer.

Ela virou e parece que o rapaz sentiu nosso olhar, nos encarou.

Gente que é isso um homem desses.

— Luna, me segura. Que nem guindaste me tira de cima daquela muralha, olha como esse homem é bonito e alto. Parece que está acompanhado de outro cara, será que é viado?

— Acho que não bicha, mas vamos se aquietar né, sabe-se lá de onde esses homens saíram fia.

— Verdade, eu não daria o cu para ele não, ficaria igualzinha ao rapaz que passou a noite com o Latrel.

Comecei a rir da comparação da louca, aproveitei para tentar olhar um pouco mais e quando virei, percebi os dois homens nos encarando da barraca, vi o de cabelos pretos fazendo o frio na espinha subir, as lembranças batendo com força, algo que nunca consegui entender, essa facilidade para reconhecer rostos.

— Viaaaaada acho que conheço aquele de cabelo preto, agora, tu me pergunta da onde?!

Falei desesperada, tomada pela sensação de reconhecimento, ao mesmo tempo, meio entorpecida pela bebida, duvidando da minha consciência. Depois de dois drinks de uma barraquinha duvidosa no meio do pré-carnaval de Fortaleza, fazendo alguma referência a Harry Potter e as poções. Sinceramente, Severo Snape deve estar orgulhoso com o aluno da lufa lufa que misturou vodca, cachaça, corante azul e sprite.

— Ué de onde? Que bela amiga que tu é hein, nem para apresentar um gostoso desses para amiga aqui necessitada. — Ela começou a bater no meu braço com cara de chateada.

Descontrolada, desmemoriada e embriagada sinto a ruguinha que odeio no meio das sobrancelhas sem conseguir lembrar como reconheço o homem, outra coisa que detesto sobre mim mesma é a memória fotográfica para rostos e zero para os estudo.

— Ouxiii, se eu não lembro. Mas tu sabe né, que nome eu não lembro, mas a cara não me passa batida.

Bêbada, sim, desconfiada sempre.

— Estou achando que tu já está bêbada — Ela parou de dançar e se aproximou de mim — Olha para trás, está vindo um gatinho atrás de tu, se não quiser eu quero. — A Louca riu e me virei para ver o loirinho vindo.

Comecei a rir das ideias da louca, o rapaz veio e comecei a dançar ali com ele, fechei os olhos rebolando e só me lembrei de Nick quando já estava apoiando a mão no chão para jogar a bunda para cima ao som do batidão. Me levantei de uma vez diante da razão gritando em algum lugar da minha mente, o álcool subiu e tropecei, sentindo uma mão forte me apertando pelo quadril impedindo a queda, procurei o rapaz que dançava comigo o vendo ser levado por um homem alto de blusa social.

Mas que merda será que é um policial disfarçado e o levou preso, o rapaz que dançava com Kalifa também estava sendo levado, ouvi minha amiga falando algo e não entendi, o seu tom de voz alertou para algo que o álcool tentava apagar, mas quando virei, percebi porque ela estava assustada, são russos.

Pior que isso, os mafiosos que atendemos no nosso último dia de intercâmbio, aqueles que nos fizeram ter pesadelos por três meses, tão lindos, mas tão perigosos.

Os olhos azuis dele me encaram, e por um momento jurei sentir o frio que senti na Rússia naquela semana que iniciava o inverno.

— Cheshire, pode me dizer qual caminho devo tomar. — Num russo perfeito, com uma voz tão grossa, que talvez, acho que a calcinha tenha encharcado.

Mas pelo fato dele citar Alice, o lado Nerd não me dava trégua nem quando a leonina assumia o meu corpo, quase sempre habitado pela lua em libra e o ascendente em escorpião.

— Isso depende de para onde você quer ir — E ali morta de bêbada, tentei citar Alice, num russo enferrujado.

Porra!

Eu não estava preparada para aquele sorriso, dentes brancos e perfeitos arredondados.

Deus!

Tenho certeza que ele sabe da minha fraqueza para homens com dentes retinhos e brancos, calcinha para quê? Isso é um rio.

Sua outra mão apoiou minha lombar quando desequilibrei tentando olhar melhor para o seu rosto, com essa luz do poste quase queimando. O reconheci na hora ficando desesperada, o chefe da máfia russa, aquele que lutei com unhas e dentes para salvar na mesa de cirurgia, não pelas ameaças que tiraram meu sono e o de Kalifa, mas porque meu coração dói ao perder uma vida na mesa cirúrgica.

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