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Capa do romance Cicatrizes de Uma Farsa

Cicatrizes de Uma Farsa

Ricardo, um arquiteto, viu sua vida ruir após ser falsamente acusado pela meia-irmã, Sofia, de vazar fotos íntimas dela. Manipuladas, sua esposa Mariana o envenenou e sua mãe o enviou para cinco anos de tortura em uma detenção. Ao retornar desfigurado, ele encontra apenas desprezo e exigências de perdão por um crime que não cometeu. À beira da morte e traído por quem mais amava, Ricardo usará suas últimas forças para expor a farsa e resgatar sua honra.
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Capítulo 2

O escândalo explodiu como uma bomba no meio da família. Num instante, o nome de Ricardo, um arquiteto que todos diziam ser promissor, estava na lama. Fotos íntimas de sua meia-irmã, Sofia, com um empresário poderoso e casado, estampavam todos os sites de fofoca.

Ricardo olhava para a tela do computador, incrédulo. Ele não conseguia entender como aquilo tinha acontecido. No minuto seguinte, a porta do seu escritório se abriu com um estrondo. Sofia entrou, com o rosto coberto de lágrimas e o cabelo desgrenhado.

Antes que Ricardo pudesse dizer uma palavra, ela o acusou.

"Foi você! Você vazou as minhas fotos! Você sempre me odiou, sempre teve inveja de mim!"

A acusação era tão absurda que Ricardo ficou sem reação. Ele nunca faria algo assim. Ele amava Sofia, apesar de saber que ela sentia ciúmes dele por ser o filho legítimo.

O caos se instalou. Sofia, em um ato que chocou a todos, pegou um caco de vidro de um vaso quebrado no chão e cortou o próprio rosto. O sangue escorreu, misturando-se com as lágrimas. Em seguida, ela correu para a varanda, ameaçando se jogar.

Foi um pandemônio.

Laura, a mãe de Ricardo, chegou e viu a cena. Ela abraçou Sofia, que chorava e apontava para Ricardo, repetindo a mesma acusação.

"Foi ele, mamãe! Ele destruiu a minha vida!"

A dor de ver Sofia naquele estado cegou Laura. Ela não questionou, não duvidou. Olhou para o próprio filho com um ódio que ele nunca tinha visto antes. A crença na inocência de Ricardo se desfez no ar.

A situação piorou quando sua esposa, Mariana, chegou. Ela sempre o amou, ou pelo menos era o que Ricardo pensava. Mas a pressão da família, o choro desesperado de Sofia e o olhar acusador de Laura a quebraram. A semente da dúvida foi plantada em seu coração e floresceu em uma certeza terrível.

Naquela noite, a vida de Ricardo desmoronou completamente. Mariana, com os olhos vermelhos e a voz trêmula, o confrontou na cozinha. Ela não gritou, o que foi ainda pior. Sua calma era assustadora.

"Você precisa pagar pelo que fez, Ricardo."

Ela segurava um copo com um líquido escuro e de cheiro forte.

"Beba."

Ricardo recuou.

"O que é isso? Mariana, você está louca? Eu não fiz nada!"

"Beba" , ela repetiu, a voz mais firme. "Sofia está desfigurada. A vida dela acabou. Você precisa sentir um pouco da dor que causou."

Ele tentou argumentar, explicar, mas era como falar com uma parede. A mulher que ele amava, a quem dedicou sua vida, olhava para ele como se fosse um monstro. Manipulada pelo drama de Sofia e pela dor de Laura, Mariana estava convencida da sua culpa.

Ela avançou, e com a ajuda de um segurança da família que apareceu do nada, eles o seguraram. Mariana forçou o copo contra seus lábios. Ricardo lutou, mas era inútil. O líquido corrosivo desceu queimando por sua garganta. A dor era insuportável, uma agonia que o fez gritar e se contorcer no chão. Ele sentiu como se seu interior estivesse sendo dissolvido.

Mas o castigo não parou por aí. Sua própria mãe, Laura, tomou a decisão final. Cega pela dor e pelo amor distorcido que sentia pela filha ilegítima, ela não viu o sofrimento do filho. Viu apenas um criminoso que precisava ser punido.

"Você não é mais meu filho. Você é uma desonra para esta família."

Ela o internou em uma instituição correcional, um lugar que era mais um inferno na Terra. Ali, longe de todos, Ricardo foi torturado por cinco longos e intermináveis anos. Cada dia era uma nova provação, um novo tipo de dor. Seu corpo foi marcado, sua saúde destruída, seu espírito esmagado.

Quando finalmente saiu, cinco anos depois, Ricardo era um homem diferente. Seu rosto, antes bonito, agora estava desfigurado pelas queimaduras do produto químico que Mariana o forçou a beber. Sua voz era um sussurro rouco e dolorido. Seu corpo era fraco, doente, um lembrete constante do inferno que viveu.

Ele voltou para casa, se é que podia chamar aquele lugar de casa. A esperança, por menor que fosse, era de que o tempo tivesse trazido alguma clareza, algum arrependimento. Mas ele estava enganado.

Ao entrar na sala de estar da mansão, encontrou sua família reunida. Laura, Mariana e Sofia. Elas o olharam não com pena ou remorso, mas com o mesmo desprezo de cinco anos atrás. Para elas, ele ainda era o culpado. O monstro.

Laura foi a primeira a falar, a voz fria como gelo.

"O que você está fazendo aqui? Achei que tivéssemos deixado claro que você não é mais bem-vindo."

Aquelas palavras, depois de tudo o que ele passou, foram o golpe final. O pouco de esperança que restava em seu coração se transformou em cinzas. Ele olhou para elas, uma por uma. A mãe que o sentenciou, a esposa que o envenenou, a irmã que arquitetou sua ruína.

Ele não sentia mais amor. Não sentia mais nada além de um vazio profundo e gelado.

Mariana, sua esposa, se aproximou dele. Ela não o tocou. Apenas estendeu um envelope.

"São os papéis do divórcio. Assine. Você vai receber uma quantia para desaparecer de nossas vidas para sempre. É mais do que você merece."

Ricardo olhou para o envelope e depois para ela. Ele viu um homem parado atrás dela, um homem que ele não reconheceu. O homem colocou a mão no ombro de Mariana de uma forma íntima. Eles pareciam um casal. Um casal feliz.

A ironia era tão cruel que quase o fez rir.

"Quem é ele?" , Ricardo perguntou, a voz rouca mal saindo.

Mariana não respondeu. Foi o homem quem falou.

"Eu sou o noivo dela. E você não deveria estar aqui."

Sofia, sentada confortavelmente no sofá, sorriu. Um sorriso vitorioso. As cicatrizes em seu rosto, que antes pareciam uma tragédia, agora pareciam um troféu.

"Você está horrível, Ricardo" , disse ela, com falsa pena. "O que aconteceu com você? A prisão não te fez bem."

Ricardo a ignorou. Ele olhou para Mariana, para a mulher com quem um dia sonhou envelhecer.

"Você me fez beber aquilo" , ele disse, a voz baixa, mas carregada de cinco anos de dor. "Você sabia o que era."

Mariana desviou o olhar, uma sombra de desconforto passando por seu rosto.

"Eu não sabia que era tão forte. Eu só queria que você sentisse um pouco de culpa."

"Culpa pelo quê?" , ele insistiu. "Eu não fiz nada. Eu era inocente."

"Nós vimos as provas, Ricardo!" , Laura interveio, a voz dura. "Vimos os e-mails que você enviou para o jornalista! Pare de mentir!"

Ricardo fechou os olhos. Ele estava cansado. Tão cansado. Ele não tinha mais forças para lutar, para provar sua inocência para pessoas que se recusavam a ver a verdade.

Ele pegou a caneta e os papéis do divórcio. Sem ler, assinou onde era indicado. Ele não queria o dinheiro deles. Ele não queria nada deles.

Ele só queria paz.

Mas ao olhar para o rosto triunfante de Sofia, ele soube que a paz não viria tão facilmente. A verdade precisava vir à tona. Não por eles, mas por si mesmo. Para que, no final de tudo, ele pudesse ter um último respiro de dignidade.

Ele olhou para Mariana uma última vez.

"Você me envenenou" , ele repetiu. "Você. Minha esposa."

A acusação pairou no ar, pesada e inegável. Pela primeira vez, Ricardo viu uma rachadura na armadura de Mariana. Um brilho de horror em seus olhos. Mas foi apenas um momento. Logo, a frieza voltou.

A batalha estava longe de terminar. E Ricardo, mesmo desfigurado e à beira da morte, iria lutar.

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